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O Aleitamento Materno com crianças com Sindrome de Down é possível e essencial. Levando em consideração que o tônus muscular é hipotônico e que o bebê precisa de estimulação para desenvolver melhor a musculatura intra-oral e facial, o aleitamento materno oferece ao bebê com Sindrome de Down, uma movimentação muscular adequada para o bom desenvolvimento da força muscular,  necessária posteriormente para a mastigação e a fala. A pega correta é o que geralmente apresenta maior dificuldade no início,  nos bebês acometidos por essa síndrome muitas vezes o reflexo de busca não encontra-se tão ávido, as mães sentem um pouco de dificuldade para fazer o bebê abocanhar o peito, é de suma importância ensinar as mães a estimular o reflexo de buscar com mais pressão, pois o tônus diminuído faz com que o bebê com sindrome de down necessite de uma pressão maior nos lábios para demontrar o reflexo.

A coordenação sucção, deglutição e respiração pode ser uma dificuldade para aqueles que apresentam doença cardíaca, porém a estimulação adequada, acompanhada por uma equipe de saúde que compreenda a importância do aleitamento materno tanto para a força muscular, quanto para a coordenação adequada do padrão respiratório e da degultição, demosntra que é plenamente possível amamentar mesmo nos casos de doença cardíaca.

É comum que os bebês ao nascer sejam submetidos a cirurgias e afastados das mães, o que pode levá-los ao desmame precoce, outras vezes a condição emocional da mãe pode dificultar que se faça uma amamentação adequada. Respeitando os motivos da não amamentação é importante saber que é possível  relactar. A relactação é uma forma fácil e eficaz para o retorno do aleitamento materno.

Observamos a posteriori, crianças com  o tônus oral mais adequado, com a musculatura mais eficiênte, a língua não apresenta-se tão projetada,  mesiognatia, melhor articulção, mastigam melhor e etc.

Sobre a foto: R. foi encaminhada pela pediatra pois com algumas semanas de vida não havia ganhado peso e a mãe estava com muita dificuldade para amamentá-la. O reflexo de busca de R. era bastante inconsistente e a abertura de boca muito pequena. A mãe já estava fazendo complementação na mamadeira com o próprio leite. Nesse primeiro momento, manitvemos a mamadeira apenas nos momentos que a mãe observava que R. estava com muita fome e elas foram para casa com a tarefa de estimular o reflexo de busca e a abertura de boca após o reflexo, dois dias depois nos veremos outra vez.

No encontro seguinte R. demonstrva-se muito mais esperta, mais ainda não estava com a pega correta, pois o bico da mãe não se alongava o suficiente para estimular a pressão intra-oral e manter-se dentro da boca. Conseguimos então colocar um bico de silicone que ficou bem adaptado, este ficaria por uma semana na tentativa de melhorar a pega, visto que o bico da mãe não crescia tanto a ponto de estimular o reflexo de sucção e uma maior pressão intra-oral.

Após uma semana nos encontramos outra vez, já havia orientado a mãe se ela percebesse que poderia retirar o bico de silicone que deveria fazê-lo pois era apenas um processo passageiro. Eis que no terceiro encontro R. e sua mãe me trazem essa cena. Aleitamento Materno Exclusivo sem bico de silicone e não usando mais a mamadeira.

No Filme: Lolo já estava há quase três meses internada em uma UTI neonatal, com SNG (sonda nasogástrica) e com uma estimulação oral com mamadeira muito mal feita. Eis que a pessoa aqui,  cai de pára quedas na tal UTI para acompanhar outro caso, a mãe de Lolo me pediu uma avaliação. Lelê era um bebê com síndrome de down, com um tônus nem tão baixo, com um comprometimento cardíaco importante, linda, esperta, sorridente, uma delícia de bebê.  No entanto, na minha lógica, se ela sugava mesmo que pouco volume aquela mamadeira com aquele bico arrombado, com certeza ela mamaria no peito, eis que eu coloco Lolo para mamar e ela faz isso, essa beleza toda.

“Ser diferente não faz diferença para AMAmentar”.