Por um novo modo de nascer no Brasil.

Por:  Sônia Lansky

imagem: google images

 

Há algumas décadas enfrentamos no Brasil um paradoxo no nascimento. A intensa medicalização influenciou de forma determinante o modo de nascer, reduzindo este grande  acontecimento fisiológico e natural da vida familiar e social a uma intervenção médica- cirúrgica.  Ao mesmo tempo, os índices de mortalidade materna e infantil persistem muito altos e incompatíveis com o nível de desenvolvimento do país, e as causas de morte são em grande parte evitáveis por ação dos serviços de saúde. É preciso mudar o modelo de atenção ao nascimento no Brasil para a solução deste grave problema de saúde pública. É preciso alcançar os níveis os patamares desejáveis na mortalidade materna e infantil, e melhorar a satisfação da mulher e da família no momento do nascimento de seus filhos. O foco deve ser o parto respeitoso e digno, apoiado na rede de atenção articulada que garanta acesso oportuno à atenção qualificada desde o pré-natal até o parto. Que garanta o protagonismo e os direitos da mulher e da criança neste momento ímpar de celebração da vida e do afeto, de forma a promover sua saúde e as relações humanas e da sociedade.

 

O paradoxo perinatal brasileiro se exprime de forma peculiar nos diferentes modos de nascer na nossa sociedade, refletindo a desigualdade social brasileira. Em linhas gerais há dois cenários predominantes. De um lado o chamado “parto normal” desvirtuado, o parto traumatizante, fruto do excesso de intervenções médicas e das imposições da conveniência dos profissionais e dos serviços de saúde, que se sobrepõem aos desejos da mulher e ofuscam a sua participação e a da família no processo. Neste cenário, muito propagado pela mídia, a mulher sofre e grita de pavor durante o nascimento de seu filho. Está sozinha em um espaço exíguo, impessoal e frio, sem privacidade, com freqüência um dos piores locais da  maternidade, o chamado “pré-parto”. Este funciona como uma etapa da linha de produção dos hospitais, que operam com regras rígidas para atender à racionalização do trabalho, privilegiando o interesse da instituição e dos profissionais sobre o da mulher. Neste modelo tradicional, com o intuito de acelerar o processo do parto, a mulher sofre inúmeras intervenções sem indicação técnica ou respaldo científico, que interferem no processo fisiológico e natural do trabalho de parto.  Intervenções que podem provocar e aumentar a intensidade das contrações uterinas e, por consequência, a dor, o stress e até mesmo as complicações no parto, muitas vezes contrariando o pressuposto da ética médica de “primeiro não causar dano”. Exemplos clássicos são o uso indiscriminado da ocitocina (medicamento que aumenta as contrações), o jejum e a imobilização no leito durante o trabalho de parto.
Neste cenário, práticas baseadas em evidências científicas que propiciam o conforto da mulher, auxiliam na diminuição do stress e aumentam a liberação da ocitocina endógena que ajuda na evolução do parto, não são incorporadas: a livre movimentação, a escolha da posição de maior conforto durante o trabalho de parto e no parto, o apoio emocional por acompanhante de livre escolha e por doulas, entre outros.

 

Assim, frustra-se a expectativa da mulher de aconchego e conforto na hora do parto, de cuidado particularizado e pessoal, prestado por pessoas de confiança, seus laços afetivos – que representam inclusive a rede de proteção social da mulher e da criança após o parto – em um momento de extrema importância na sua vida. Especialmente por que não se trata, na sua essência, de uma situação de doença que demanda intervenção médica, mas sim um momento marcante da fisiologia da vida, que pode transcorrer da forma mais natural possível na maioria das vezes. Precisamente, a definição de parto normal da Organização Mundial da Saúde é o “parto que transcorre naturalmente, em que qualquer intervenção deve ter uma justificativa técnica válida e respaldada cientificamente…”.

Leia o texto na integra: http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=35995

Sônia Lansky é pediatra, doutora em saúde pública (UFMG) e supervisora do Plano de Qualificação das Maternidades e Redes Perinatais da Amazônia Legal e Nordeste

4 comentários sobre “Por um novo modo de nascer no Brasil.

  1. Não sou mãe, sou pai, porém estou muito preocupado com meu bb e com minha esposa tambem, pois o refluxo dele é muito forte, passa a noite inteira sem dormir apenas qd esta muito cansado tira um soninho rápido, ele se espreme muito fazendo muita força e chora bastante, levamos para a pediatra que passou dois medicamentos mas todas as vezes q ele toma vomita tudo, então não sabemos se temos q dar novamente ou não, ele esta com dois meses e ainda bem q esta com ganho de peso, a preocupação tambem e com minha esposa que esta perdendo peso, pois esta dois meses sem dormir só cochila esta com 45 k, gostaria q alguem q esta tendo ou teve esta experiencia nos dê alguma luz, OBG.

    • Bom dia Magno,
      Fiquei bastante preocupada com o seu relato, principalmente com a sua mulher! Em relação ao seu bebê acho que você poderia consultar um gastropediatra, ás vezes eles tem algums saídas para o reluxo mais eficazes. E com o tempo vocês vão percebendo que o refluxo vai melhorando porque tem uma questão de maturação do sistema gastro intestinal.
      Mas a sua mulher precisa de cuidados…É importante alguém para ajudá-la, ele precisa dormir durante o dia, precisa ter alguém oferecendo alimentação para ela toda hora, ela precisar ser cuidada, ser mãe é uma etapa muito tensa na vida dos pais, onde muita coisa muda e importantíssimo ficar atento e cuidar dela.
      Se precisar pode entrar em contato comigo.
      Att,
      Fabiola Costa

    • Bom dia Magno,
      Fiquei bastante preocupada com o seu relato, principalmente com a sua mulher! Em relação ao seu bebê acho que você poderia consultar um gastropediatra, ás vezes eles tem algums saídas para o reluxo mais eficazes. E com o tempo vocês vão percebendo que o refluxo vai melhorando porque tem uma questão de maturação do sistema gastro intestinal.
      Mas a sua mulher precisa de cuidados…É importante alguém para ajudá-la, ele precisa dormir durante o dia, precisa ter alguém oferecendo alimentação para ela toda hora, ela precisar ser cuidada, ser mãe é uma etapa muito tensa na vida dos pais, onde muita coisa muda e importantíssimo ficar atento e cuidar dela.
      Se precisar pode entrar em contato comigo.
      Att,
      Fabiola Costa

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