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Manual Amamentação e Uso de Medicamentos e Outras Substâncias

Para auxiliar os profissionais de saúde a recomendar ou contraindicar um medicamento, vacina, cosmético e fitoterápico durante a amamentação, o Ministério da Saúde (Área Técnica de Saúde da Criança e Aleitamento Materno) com o apoio da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), lançou em fevereiro de 2010 o Manual Amamentação e Uso de Medicamentos e Outras Substâncias.
Segundo evidências científicas, a maioria das drogas é compatível com a amamentação. Poucos são realmente os fármacos formalmente contraindicados ou que requerem cautela ao serem prescritos, devido aos riscos de efeitos adversos nos bebês. O manual traz de maneira didática, marcado nas cores vermelha (uso contraindicado), amarela (uso criterioso) e verde (uso compatível), a classificação desses medicamentos. Essa sinalização auxilia o profissional a checar, rapidamente, a segurança do uso de um determinado medicamento e outras substâncias durante a amamentação. Todas as informações são resultado de ampla revisão da literatura científica.

Com este manual, espera-se que os profissionais de saúde tenham condições de optar, sempre que necessário, por drogas de baixo risco para a mulher e a criança. Tornando, assim, a amamentação mais segura, quando a mãe não puder abrir mão de determinado tratamento.

 

Baixe clicando aqui: manual uso de medicamentos durante ALM

Fonte: Ministério da Saúde

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O Ferro e a Anemia em Bebês.

Se é verdade que nenhum bebê amamentado sofre escorbuto (por falta de vitamina C) ou pelagra (por falta de niacina), sim que existem muitos que têm anemia por falta de ferro.

O leite materno é pobre em ferro, mas esse ferro se absorve muito bem, melhor que o de qualquer outro alimento. O leite de vaca também é pobre em ferro e ainda por cima se absorve muito mal. E o leite de todos os mamíferos que já foram analisados é pobre em ferro. Quando uma mãe toma suplemento de ferro, a quantidade de ferro no seu leite não aumenta. O qual nos chama a atenção, porque se damos a essa mesma mãe aspirina, a quantidade de aspirina sim aumenta. Existe, ao parecer, um mecanismo biológico que impede, ativamente, que no leite exista demasiado ferro. Será que o excesso de ferro não é bom para os bebês? Dizem (mas não há provas) que o excesso de ferro no tubo digestivo poderia facilitar a diarréia, porque vários dos micróbios maus que produzem diarréia necessitam muito ferro para viver, enquanto que os micróbiosbons, os lactobacilos que formam a flora digestiva dos bebês amamentados, podem viver com muito pouco ferro. Em uma série de estudos, os bebês saudáveis, sem anemia, aos que se davam suplementos preventivos de ferro, ao completar um ano pesavam e mediam um pouco menos que os do grupo de controle, sem suplementos de ferro. Parece que dar muito ferro a um bebê que não necessita não é de todo inócuo e talvez seja conveniente evitá-lo (estou falando dos que não necessitam. Se seu filho tem anemia e receitaram ferro, claro que você deve dá-lo).

Se o leite tem pouco ferro, porque não tem anemia todos os bebês desde que nascem? De onde conseguem o ferro? De lugar nenhum, os bebês já nascem com depósitos de ferro.

O ferro faz parte da hemoglobina, a molécula que transporta o oxigênio para o sangue. O feto toma o oxigênio do sangue da mãe, através da placenta. Imagine a placenta como uma rede, e dos dois lados os times jogam a bola. Aquele que fica com a bola ganha. Mas a natureza não pode permitir que a mãe ganhe esse jogo, se a mãe fica com o oxigênio, seu filho morre. De modo que existe um “trambique”. O time do feto tem mais jogadores e são todos profissionais. O feto tem um tipo de hemoglobina especial, a hemoglobina fetal, que se engancha mais forte ao oxigênio que a hemoglobina normal. E além disso, tem um monte de glóbulos vermelhos, mais (por mililitro) que sua mãe e inclusive mais que seu pai (os homens adultos têm mais glóbulos vermelhos que as mulheres, mas o feto tem ainda mais).

O resultado é que quando nasce, o feto tem um monte de glóbulos vermelhos de sobra. Rapidamente se destroem não só os que sobram, mas todos, porque já não necessita hemoglobina fetal. E ao mesmo tempo se fabricam novos glóbulos vermelhos, com hemoglobina normal. A hemoglobina que é destruída se converte em bilirrubina, por isso alguns recém-nascidos ficam ictéricos (amarelos). Entre um e dois meses, ela alcança o ponto mais baixo, quando restam poucos glóbulos vermelhos fetais, mas ainda não se fabricaram suficientes glóbulos normais e o bebê tem uma anemia transitória, a anemia fisiológica do recém-nascido (fisiológico quer dizer que é normal, que não é uma doença).

O ferro daqueles glóbulos vermelhos restantes se armazena e se usa aos poucos para fabricar novos glóbulos. Assim que o grande problema é: quando durarão os depósitos? Quando o ferro armazenado se acabe, o pouco ferro do leite materno será insuficiente e o bebê necessitará comer outros alimentos ricos em ferro.

Já faz muitas décadas foram feitos cuidadosos cálculos e chegou-se à conclusão que esses depósitos podem esvaziar-se entre os seis e os doze meses. Baseando-se nesses dados, é costume dizer que “a partir dos seis meses o ferro no leite materno é insuficiente e por isso é necessário introduzir a alimentação complementar”. Mas, claro, isso é uma simplificação muito exagerada. O mais correto é dizer ” A partir dos seis meses, alguns bebêm podem precisar de alimentação complementar, enquanto outros têm ferro suficiente só com o peito até os doze meses” (ou talvez mais). O problema é saber quem precisa de ferro e quem não.

Esses cálculos foram feitos numa época em que era costume cortar o cordão umbilical logo ao nascer. Hoje sabemos que é melhor cortar-lo alguns minutos depois e que assim diminuem os casos de anemia no primeiro ano de vida.

Extraído do livro Un Regalo para Toda La Vida – Guía de Lactancia Materna, do Dr. Carlos González.

Tradução de Bel Kock-Allaman

Via: Grupo Virtual de Amamentação – ORKUT

Fonte: Aleitamento solidário (Facebook)