Alergias Alimentares e Amamentação.

Outra razão para uma criança se recusar a comer é que determinados alimentos a fazem se sentir mal. Alergia alimentar pode ser perigoso. A experiência de Isabel nos mostra que a dificuldade em reconhecer os primeiros sintomas pode levar ao desmame precoce e também ao agravamento do problema:

“Eu sou mãe de uma bebê de 7 meses que vinha sendo amamentada até agora. No começo, tudo estava indo muito bem e se dependesse de mim ela seria amamentada por muito mais tempo. Parecia que ela queria o leite que fluía rápido, mas ela mamava 5 minutos e começava a chorar. Amamentar passou a ficar muito difícil nos últimos três meses. Mas eu tinha certeza de que era o melhor para ela e insistia na amamentação, até que eu não pude mais mantê-la. Decidi, então, por desmamá-la. Eu achava que a amamentação deveria ser prazeirosa para mamãe e bebê, mas eu não podia ver mais minha filha sofrendo a cada mamada.Quando eu introduzi a primeira mamadeira de fórmula, fiquei assustada ao ver as manchas vermelhas que surgiram em seu rosto após cinco minutos. Eu tive que continuar a amamentar a minha filha por mais algum tempo enquanto o médico realizava alguns exames de alergia.”

Os testes, como era esperado, deram positivos. Os sintomas que a filha de Isabel apresentava durante a amamentação eram uma clara indicação de uma alergia ainda não diagnosticada. Sem a percepção do que deveria ser feito, quando o diagnóstico foi confirmado, ninguém explicou a Isabel a razão do comportamento de sua filha durante a amamentação.

Muitas mães dizem que seus bebês “rejeitam o peito”. Um bebê que vinha mamando bem há alguns dias ou semanas, de repente passa a mamar por 5 minutos e então começa a chorar. Isto pode ser atribuído a duas causas diferentes:

A) Um bebê começa a mamar de forma feliz. Alimenta-se, ficando satisfeito, em cinco minutos ou menos, pára e fica saciado. Se a mãe achar que esse bebê precisa mamar pelo menos 10 minutos, ela achará que esse bebê não mamaou o suficiente, e tentará amamentá-lo mais. O bebê vai ficando chateado por ser forçado a comer.

B) Um bebê começa a mamar mais ou menos feliz, mas mostra-se desconfortável, até que deixa o peito chorando. Algumas mães dirão: “É como se o leite machucasse seu estômago, então ele chora de dor.” Uma excelente explicação para o que realmente está acontecendo.

A primeira situação é totalmente normal, e corresponde a uma diminuição na necessidade da alimentação que acontece a medida que a criança cresce (como explicarei mais tarde, ver “A crise dos 3 meses”). Não há nada a fazer, além de reconhecer que a criança está satisfeita e não insistir mais no peito. Se o bebê é forçado a mamar no peito, é bem provável que com o passar das semanas ele desenvolva alguma aversão ao peito e pode começar a chorar até mesmo antes de o peito ser oferecido, o que ficará mais difícil distinguir a situação A da B. Mas se você pensar no passado, você poderá ser capaz de lembrar como as coisas começaram e descobrir que se trata de um caso como a situação “A”.

Na segunda situação, está claro que a causa é alguma alergia ou intolerância a algum alimento ou medicamento que a mãe está ingerindo. E quase sempre o culpado é o leite de vaca, embora também possa ser peixe, ovos, soja, frutas cítricas ou outros alimentos. Isto foi o que aconteceu com a filha de Isabel. Se, naquele momento, Isabel tivesse eliminado todo leite de vaca de sua dieta, ela teria poupado muitas lágrimas e sofrimento, a reação alérgica que sua filha teve com a primeira mamadeira de fórmula, o desnecessário desmame, e todas as dificuldades em alimentar um bebê alérgico com fórmulas hipoalergênicas (que além do alto custo, tem gosto ruim, o que faz o bebê recusá-las muitas vezes).

Por que a filha de Isabel choraria após 3 minutos no peito? Algumas proteínas do leite de vaca (assim como as proteínas de qualquer alimento que a mãe coma) podem passar para o leite. É claro que a quantidade é pequena e é raro que haja uma reação generalizada, como as manchas vermelhas espalhadas pelo corpo, como aconteceu com a primeira fórmula de mamadeira. Geralmente, a reação ocorre apenas onde há contato: no esôfago, no estômago e no intestino da criança. Em poucos minutos há uma inflamação e um desconforto nesses lugares. E a mãe não verá nada, mas a criança sentirá, porque dói!

Se seu filho apresentar sintomas parecidos com os da filha de Isabel e durante a amamentação começar a chorar, como se estivesse doendo (e especialmente se você estiver observando eczemas ou irritações na pele) você deverá fazer um teste para alergia à leite de vaca. Para fazer isso, a mãe deve manter a amamentação e remover todo leite e derivados e todos os produtos que levam leite e derivados de sua dieta. Torne-se uma especialista em leitura de rótulos e elimine qualquer coisa que contenha leite na fórmula. Pães, algumas sobremesas, chocolates, e algumas comidas processadas, margarinas, etc.

Você terá que esperar de 7 a 10 dias sem comer ou beber qualquer pruduto com leite de vaca. O resultado não será imediato; as proteínas do leite de vaca já foram encontradas no leite materno até 5 dias após ter cessado totalmente o consumo de leite na dieta da mãe. Não substitua o leite de vaca por leite de soja, uma vez que esté é tão alergênico quanto o primeiro.

Se após 10 dias, os sintomas de seu filho não desapareceram, ele provavelmente não é alérgico à leite de vaca ou é alérgico a outros alimentos também. Você pode tentar retirar da dieta peixe e ovos. Se os sintomas não estão melhorando e você não deseja perder muito tempo, elimine leite e derivados, ovos, peixe, soja, e qualquer outro alimento que você suspeite e depois adicione um de cada vez de volta à dieta. Algumas crianças são alérgicas a dois ou mais itens e eles só melhoram quando a mãe elimina todos de sua dieta ao mesmo tempo. Uma vez conheci um bebê que era alérgico à leite de vaca e a pêssegos. A mãe notou que quando parou com o leite de vaca, mas começou a tomar suco de pêssegos, seu filho não melhorava.

Se os sintomas melhoraram após retirar leite de vaca e derivados da sua dieta, pode ter sido apenas coincidência. Reintroduza o leite de vaca para ver o que acontece. Mas não faça isso devagar, uma vez que os sintomas possam ser leves e você não perceberá. Beba dois copos de leite em um dia e se nada acontecer, seu filho não é alérgico à leite. A melhora foi coincidência e é melhor deixar isso para lá. Algumas vezes, algumas mães são advertidas a eliminarem leite e derivados de sua dieta, como se o leite de vaca fosse o culpado de todos os choros, eczemas, e narizes entupidos e a mãe perde meses ou anos sem beber nada de leite desnecessariamente.

Se após a reintrodução de leite de vaca, seu filho apresentar os mesmos sintomas, você tem a prova da alergia. Esteja pronta para amamentar o maior tempo possível, preferencialmente até 2 anos ou mais, e não dê a seu filho nada de leite ou derivados. Se a criança é muito alérgica, e a menor quantidade através do leite materno já causa problema, dar leite diretamente ao bebê, pode trazer reações muito mais severas.

Nem todas as crianças alérgicas são tão sensíveis ao ponto de reagirem sempre a qualquer alimento que a mãe coma que leve leite de vaca ou outro alergeno. Para determinar a alergia é muito importante ser bastante restrita a fase inicial, para que se possa ter certeza. Mais tarde, talvez você poderá consumir alguns produtos sem que seu filho reaja negativamente. É possível que quanto maior o controle com que sua mãe faça da dieta, mais rápido a criança melhore da alergia, embora isso possa não acontecer sempre.

Se você acha que o leite de vaca e derivados estão afetando seu filho, converse com seu pediatra; ele poderá fazer outros testes para alergia. E não tente dar ao seu filho qualquer produto que contenha leite ou derivados até nova ordem. Avisar os membros da família e a criança pode facilitar. Crianças costumam melhorar da alergia ao leite de vaca, geralmente, por volta dos 18 meses, mas alguns casos de reintrodução dos laticínios podem precisar de orientação médica, e algumas vezes serem feitas até em hospital.

Do livro “My child won´t eat”, do Dr. carlos González

Fonte: Aleitamento Solidário

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