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ORIENTAR X APOIAR

Orientar é a arte de conhecer a situação que  pretende realizar, saber como conduzir e o que se espera como resposta. Para orientar é preciso ter sido orientada, pelos outros sabedores do processo. Para orientar é preciso conhecer os caminhos, por onde andar e quais as saídas se o caminho estiver errado. Para orientar é preciso ter conhecimento de causa e efeito. É preciso ter conhecido muitas histórias e muitos caminhos retos e tortuosos. Para orientar em amamentação é preciso conhecer o normal e o patológico, muitos peitos, muitas pegas. Só o meu peito e a minha pega não bastam não!

Já que para orientar eu preciso de muitos caminhos eu posso APOIAR.

Para APOIAR eu tenho que DEFENDER! Defender não é orientar. Para apoiar eu preciso FAVORECER, o contato pele a pele, amamentação na primeira hora, a livre demanda, a ordenha de alívio, a doação de leite humano. Para apoiar eu preciso FUNDAMENTAR, que a mamadeira atrapalha a amamentação, que só um complementinho causa desmame, que regras e horários podem atrapalhar, que passar bucha no peito machuca, que o sol é o melhor amigo e tantas outras fundamentações, que nada tem haver com as orientações, aquelas que são necessárias ter um conhecimento específico, qual medicamento tomar, qual compressa colocar e tantas outras orientações.
Para apoiar eu preciso acima de tudo AMPARAR, o desespero do cansaço e do desconhecido, o sentimento de culpa, a dor e até mesmo da tristeza.

Apoiar não é orientar, porque para orientar é preciso ter conhecimento  e para apoiar basta acreditar que é possível.

Que tenhamos o cuidado de apoiar sem orientar, apoiar vale de todas as formas, mas orientar vamos deixar para os especialistas!

Por: Fabíola Costa

TEXTO PUBLICADO NA GRUPO ALEITAMENTO SOLIDÁRIO NO FACEBOOK.

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SEMANAS X MESES

Hoje vou esclarecer uma situação bem simples, mas que costumar “dar um nó” na cabeça das gestantes. Como fazer para saber o tempo certo de gravidez. Afinal, os médicos contam em semanas, os leigos contam em meses, e na hora de converter semanas em meses nunca dá certo.

Para complicar, cada USG feita pode revelar uma idade gestacional diferente.

Mas é bem simples, não se preocupem.

Para começar, devemos lembrar que cada animal tem um período de gestação, e o do homem é igual a 9 meses, como todos sabem. Mas na maioria dos casos, não se sabe exatamente quando ocorreu a fecundação (encontro do espermatozóide com o óvulo), já que a mulher não tem apenas um dia fértil por mês, e sim um período fértil de mais ou menos 8 dias. Precisou-se por isso, definir um ponto de partida fixo a partir do qual pudéssemos calcular o tempo de gestação. Este ponto fixo é a última menstruação, mais precisamente o 1º dia da última menstruação. (Mesmo sabendo que a gestação não se iniciou ali, pois não haveria óvulo presente para a fecundação)

Os nove meses são 273 dias aproximadamente (9×30=270, +3 ou 4 dias dos meses que tem 31 dias). Se acrescentarmos 7 dias, correpondentes aos 7 dias que a mulher estaria no período menstrual (mesmo que a regra de algumas mulheres não dure tudo isso, neste período inicial de sete dias não há ovulação e consequentemente não há gravidez), teremos então: 273 + 7 = 280 dias = 40 semanas. Por isso podemos dizer que uma gestação de nove meses completos, é uma gestação de 40 semanas.

A contagem em semanas foi necessária pelo meio médico, para estabelecer o tempo de gestação de uma forma o mais precisa possível, a fim de se evitar complicações por partos antes da hora ou após a hora. Então hoje sabemos que, a contar do primeiro dia da última menstruação, teremos 40 semanas até a data provável do parto, e o que é um cálculo médio, visto que o nascimento pode ocorrer de 38 a 42 semanas, sem maiores preocupações.

Podemos concluir assim, que não dá certo dividir o nº de semanas de uma gravidez por 4, para termos o nº de meses. Pois os meses não tem 28 dias e ainda temos esta semana da menstruação para atrapalhar a conta.

Como fazer então para converter o nº de semanas em meses? É fácil: basta descobrirmos quando é a data provável do parto(DPP), ou seja, 40 semanas a contar do primeiro dia da última menstruação. Ex.: se a DPP for 07/08/2004, todo dia 07 de cada mês completar-se-à mais um mês de gestação. No caso aqui mencionado, essa gestante fará 6 meses dia 07 de maio, 7 meses dia 07 de junho, 8 meses em julho, e irá completar seus 9 meses dia 07 de agosto! Não é fácil?
Para finalizar este assunto, uma curiosidade: é por isso que dizem que o nascimento ocorre após nove ou dez luas de gestação. Matematicamente, se o ciclo lunar é de 28 dias, basta multiplicar por 10 que teremos 280 dias = 40 semanas. Ou seja, contar por lua também não está errado.

Dr. Rodrigo Vianna – ginecologista e obstetra

fonte: portal verde

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Tempo de Mamada.

Por: Fabiola Costa

Não existe um tempo de mamada. Essa coisa de 15 minutos em um peito e 15 minutos em outro, já caiu por terra anos atrás e é logicamente incoerente.

Vamos pensar?

Se o hormônio da prolactina leva em torno de 10 minutos  para chegar ao seu pico depois de iniciado o estímulo tátil no bico da mãe.¹

Se os bebês tem padrão de sucção completamente diferentes uns dos outros. Uns mamam devagar, outros rápido demais. Uns dormem e acordam, outros mamam tudo e adormecem.

É muito incoerente estipularmos tempos de mamadas, principalmente nos primeiros meses onde mãe e bebê estão se conhecendo. Aí está o sentido da livre demanda.

Livre demanda pode não ser viver com a criança pendurada no peito, mas abrir uma possibilidade de interpretação onde entram para além do choro de fome, o choro de fralda suja, o choro de vontade de fazer cocô, o choro de vontade de trocar de posição, o choro de quero colo, e tantas outras significações que são importantíssimas nesse momento inicial da relação mãe/bebê.

Estipular regras e horários, num momento tão precoce, pode impedir a leitura materna do seu bebê.

O mais importante do tempo da mamada é:

1) Observar as características de saciedade do seu bebê.

  • Ele larga o peito depois de mamar o suficiente com cara de satisfeito?
  • Ele mama, mama e depois precisa ser acalentado para adormecer?
  • Ele mama fica satisfeito, arrota, fica tranquilo acordado e depois adormece sozinho?
  • Ele mama, pára por um tempo, depois mama mais um pouco e adormece?

Observem quantas possibilidades de satisfação nós temos, cada bebê tem a sua característica própria, permita-se conhecê-lo.

2) Observar as mamas antes, durante e depois das mamadas.

  • Toque na sua mama antes de amamentar, observe o peso dela, observe se ela tem pontos cheios, apalpe, balance.
  • Deixe os dois seios de fora durante a mamada, observe se a outra mama coteja. Sinal de elevação hormonal produção e ejeção de leite.
  • Toque na sua mama no final da mamada, observe se ela está mais leve, mais vazia, se os pontos cheios esvaziaram.
  • Observe se em outros momentos você sente pontadas no bico, formigamento nas mamas,  uma dor leve como se estivesse esticando a pele. Todos esses sinais são de decida de leite.

É importante saber que:

O bebê precisa molhar no MÍNIMO 6 fraldas por dia.

O bebê deve mamar no MíNIMO 6 a 8 vezes ao dia.

Pega correta é imprescindível para uma boa mamada.

O intervalo entre as mamadas não deve passar de 4 horas.

Observar criteriosamente as características do seu bebê é importantíssimo para o sucesso do Aleitamento Materno.

É importante primeiro esvaziar um peito inteiro para depois passar para o outro.

QUEM SABE DO BEBÊ É A MÃE. O PROFISSIONAL PODE TER ARTIFÍCIOS PARA AUXILIAR O DESENVOLVIMENTO DESSE SABER.

Lembrando que a OMS aconselha aleitamento materno exclusivo até o 6º mês e complementado até os 2 anos ou mais.

Bibliografia: ¹ Valdés, Sanches, Labbok – Manejo Clínico da Lactação.

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Belíssima exposição de fotos: Vale a pena conferir!

Cheguei no palácio Tiradentes, olhei para o alto e me deparei com a seguinte cena.

Amamentação exposta no alto do palácio para o Rio de Janeiro inteiro ver e entender e sentir a importância desse ato.

A exposição está belíssima, o artista William Santos demonstra em suas imagens a sensibilidade, a arte e a ciência com uma sutileza que só os bons artistas sabem colher.

Em meio a tantas cenas comuns e cotidianas para mim, me deparo com esta, que apesar de não me causar nenhum espanto,  como fonoaudióloga, me tocou pela disponibilidade de encontro entre a mãe e o bebê portador de fissura palatina… Isso não é comum! Não que a fissura impeça a amamentação, mas a marca corporal tão evidente causa certo estranhamento da relação mãe/bebê.  Claro que o desejo materno e um bom trabalho profissional possibilitam o encontro. E aasim ele se deu e o fotógrafo pode nos brindar com essa cena.

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AMAMENTAR: Uma escolha baseada na VONTADE

A amamentação não pode ser sinônimo de dor, não deve. Não é uma escolha baseada na vontade de ser mártir da amamentação do seu filho. Ela deveria ser pautada na vontade intrínseca plenamente consciente de que o ato de amamentar é a melhor escolha e a única forma do seu bebê receber um alimento totalmente único e insubstituível e junto com ele, receber todo o cuidado, carinho, afeto e amor em sua primeira relação humana.

Amamentar não é fácil, dói, gera desespero, pois a nossa mama extremamente sensível ao toque trava uma verdadeira batalha contra a boquinha ainda não treinada do bebê. E até que ela se torne um prazer de fato, muitos e muitos episódios serão sentidos na pele por você. A dor é um mecanismo de alerta, que sinaliza que ainda não está bom e que pode melhorar.

Interessante que, em nossa sociedade, muitas vezes o grau de sacrifício dado à amamentação torna-se quase insuportável até de ouvir. Parece que o ato do aleitamento prolongado já é demais, e que a mãe não pode se sacrificar tanto assim… E fico pensando no quanto nos sacrificamos para suportar um bom relacionamento no trabalho, suportar horas intermináveis no trânsito, suportar cobranças por metas, suportar… suportar… suportar, mas no nosso inconsciente emocional não podemos suportar um aleitamento prolongado ou dedicar tempo ao nosso bebê, pois isso seria já um conceito totalmente alienado. Podemos suportar muitas coisas, mas somos tolhidas de dedicar um tempo crucial e precioso que é amamentação no primeiro momento da vida de nossos bebês.

Quando a escolha da amamentação for baseada na nossa vontade, ela será plena e extremamente prazerosa. Temos também o direito de decidir pelas nossas vontades e para que estas vontades sejam de fato reais e significativas, elas estão dentro de um sistema complexo de escolhas. Boas escolhas. Escolhemos em algum momento da vida a nossa carreira, com quem iremos casar, aonde iremos viver, no que iremos trabalhar, quantos filhos iremos ter e cada uma dessas escolhas demandam tempo, planejamento e dedicação. Assim também deveria ser a amamentação: eu escolho um momento na minha vida para amamentar o meu bebê como ele deve ser realmente amamentado.

Uma escolha baseada principalmente em uma doação genuína, pura, e livre de cobranças. Amamento porque assim desejo, porque escolhi e não por uma recompensa futura do meu bebê, da minha família ou da sociedade. Faço neste momento porque é o melhor a ser feito e essa responsabilidade a mim pertence. Quando mães conscientes de todas as interfaces que envolvem a amamentação, instruídas e amparadas por auxílio profissional, forem de fato encarar o desafio de amamentar e nutrir uma vida humana, todo esse negativismo ao redor da amamentação irá desaparecer.

Precisamos ouvir a nós mesmas primeiramente, sabe o que o nosso corpo quer nos dizer. Depois, precisamos ouvir nossos bebês, em uma sintonia tão profunda e íntima que ao sinal do primeiro choro, ao invés de darmos lugar para o desespero, a angústia e a culpa, sabermos compreender prontamente a sua queixa.

Não tenho dúvidas que é também a vontade do bebê apenas amamentar no seio de sua mãe. E de fato, quando ambas as vontades estiverem niveladas e em um nível satisfatório de harmonia, ela será plena e livre de qualquer sobra de dúvidas deste momento único e tão especial da nossa vida materna.
Amamentar exige também de nós abstrairmos de todo o nosso entorno e de termos um olhar apenas para esta relação: você e o seu bebê.

Por Simone de Carvalho – Pedagoga – mestre em psicologia da educação.