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Meu bebê está mamando o suficiente? Como saber?

Estou preocupada se meu bebê está recebendo leite suficiente – como posso ter certeza?
Melhor do que preocupar-se e tentar adivinhar se seu bebê amamentado está recebendo o suficiente, preste atenção nos seguintes sinais:

1) NÚMERO DE FRALDAS MOLHADAS

  • Um bebê que mama o suficiente terá de 4 a 6 fraldas molhadas por dia, a partir do 4º dia de nascimento. Considere 6 a 8 fraldas se você usa as de pano, que seguram menos a urina.
  • Para saber como identificar uma fralda molhada, coloque duas colheres de sopa de água em uma fralda limpa e perceba a diferença de peso. Fraldas de pano molhadas são mais perceptíveis do que as descartáveis com seus absorventes.
  • Pode ser mais fácil comparar uma fralda molhada com uma limpa através do peso do que pelo simples toque.
  • Após o primeiro mês, aproximadamente, as fraldas do seu bebê estarão ainda mais pesadas – o equivalente a 4 ou 6 colheres de sopa de água.
  •  A cor da urina é um bom indicativo para saber se o bebê está recebendo leite suficiente para mantê-lo hidratado. Urina pálida e clarinha sugere uma boa hidratação; escura, com cor de suco de maçã (após os primeiros dias) pode ser um indicativo de que o bebê não está mamando o suficiente. Se seu bebê não estiver recebendo leite suficiente, você poderá encontrar um resíduo com aparência de “pó de tijolo” ou “ferrugem” nas fraldas, que são os cristais de urato decorrentes da urina muito concentrada (acontecimento normal nos primeiros dias), que devem desaparecer uma vez que a ingesta do bebê aumentar. Fale com seu médico para saber se seu bebê precisa de alguma complementação enquanto aprende a mamar com mais eficiência.

2) MOVIMENTAÇÃO INTESTINAL
Se muitas fezes estão saindo, então muito leite entrou.

  • Nos primeiros dias, as fezes do bebê mudam da aparência grudenta e escura do mecônio para o verde, e depois o marrom. Cerca de um a dois dias após a chegada do leite, observamos então as fezes de leite materno, que são amareladas e com grumos – cor de mostarda e consistência de queijo cottage.
  • Entre a 1ª e a 4ª semana de vida, bebês que estão recebendo leite posterior o suficiente, produzirão ao menos 2 ou 3 fezes amareladas e com grumos por dia. Por ser um laxante natural, alguns bebês fazem cocô em toda mamada, o que é um ótimo sinal de que o bebê está mamando o suficiente. Quando ele faz somente 2 ou 3 vezes por dia, espere ver uma quantidade mais substancial de fezes na fralda – mais do que uma simples manchinha.
  • Após o 1º ou 2º mês de vida, enquanto o intestino amadurece, a frequência de evacuações diminui. Neste estágio, seu bebê deverá ter somente uma evacuação por dia; alguns bebês amamentados evacuam uma vez a cada 3-4 dias, e ainda assim estão recebendo leite suficiente.
  •  Enquanto a urina é um bom indicativo a respeito da quantidade de fluidos ingerida pelo bebê, a evacuação será um indicativo importante acerca da qualidade do leite (isto é, se o bebê está mamando por tempo suficiente e com eficiência para despertar o reflexo de ejeção da mãe, o que fará com que ele tenha acesso ao leite posterior, mais gorduroso e mais rico em calorias). Quando um bebê que tem menos de 1 mês não produz fezes suficientes, é hora de observar mais de perto o que vem acontecendo quando ele vai ao seio. Preste atenção na pega do bebê e aos sinais de uma mamada eficiente e procure ajuda de uma consultora de amamentação.

3) AVALIE A MAMADA

  • Geralmente as mamas parecem mais cheias antes da mamada e mais vazias imediatamente após. Estas mudanças ficam menos perceptíveis conforme o bebê vai crescendo e você vai ficando mais eficiente ao produzir exatamente o que o bebê precisa.
  • Muitas mães perceberão o reflexo de ejeção do leite alguns minutos após o início da mamada. Se você não tem essa sensação, observe seu bebê. Sua sucção ficará mais firme e você poderá ouvi-lo engolindo mais frequentemente uma vez que o reflexo de ejeção aumenta o fluxo de saída de leite.
  •  Outros sinais que podem confirmar que seu bebê está mamando o suficiente incluem ver algumas gotas de leite escorrendo dos lábios ou ouvir o bebê engolir após uma ou duas sugadas. O bebê geralmente parece satisfeito durante e após a mamada.
  •  Se você sente seu bebê sugando com vigor, pode ouvi-lo engolir durante a mamada, percebe os sinais do reflexo de saída do leite e observa o soninho chegando após a mamada, há grandes chances de que ele esteja recebendo tudo o que precisa.

4) GANHO DE PESO

  • Seu médico vai conferir o ganho de peso do recém-nascido alguns dias após a saída do hospital e, talvez, uma ou duas semanas depois disso.
  •  A maioria dos bebês, sejam eles amamentados ou alimentados com fórmula, perderão em média 5 a 7% de seu peso de nascimento nos primeiros dias de vida, em decorrência da perda dos fluidos. O quanto eles perderão depende do inchaço do seu bebê e variações individuais acerca da retenção de fluidos e eficácia na amamentação.
  •  Quando mães e bebês passam por um nascimento menos complicado e são capazes de amamentar com frequência e uma boa pega, o bebê perde menos peso. Bebês que tem um início de amamentação mais vagaroso (seja por problemas médicos ou na pega) tendem a perder um pouco mais.
  • Bebês que recebem quantidades adequadas de leite estarão 50 a 100 gramas próximos do seu peso de nascimento na consulta de 1 semana. Alguns bebês demoram algumas semanas para retomar este peso, especialmente se perderam muito no início.
  •  Antes de sair da maternidade, lembre-se de pedir à equipe o peso do seu bebê na alta. Este número será importante na próxima avaliação do bebê, uma vez que o ganho de peso é medido a partir do peso mais baixo, e não do peso de nascimento.
  • Após retomar o peso de nascimento, o bebê ganha em média 115 a 200 gramas por semana, ou um mínimo de 450 gramas por mês. Alguns bebês ganham peso rapidamente nos primeiros meses; outros ganham mais lentamente, mas dentro da normalidade.

5) NÃO SE PREOCUPE COM SUA PRODUÇÃO DE LEITE

  • A amamentação é um processo baseado na confiança, portanto, não deixe que o medo de que seu bebê não recebe o suficiente prejudique a sua convicção. Se seu bebê está produzindo fraldas molhadas e evacuações suficientes, e ganha peso adequadamente, tenha certeza de que ele está recebendo tudo o que precisa.
  • Amamentar com frequência (em livre demanda) ou querer mamar logo após a última mamada não são necessariamente sinais de que seu bebê tem fome. Bebês mamam por inúmeras razões além da fome. Ele pode estar querendo a proximidade e o conforto proporcionados pela amamentação ou pode estar precisando de umas sugadinhas para relaxar e adormecer.
  •  Se a contagem de fraldas mostra que seu bebê está recebendo o suficiente, não se preocupe com a produção de leite. Amamente seu bebê com frequência durante o dia. Tenha certeza de que ele está abocanhando o seio corretamente e sugando com eficácia, e então não se preocupe.

Retirado de: http://www.askdrsears.com/topics/breastfeeding/faqs/getting-enough-milk-how-tell
Tradução livre de Bianca Balassiano Najm http://www.possoamamentar.com.br

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Aleitamento materno: aprendizado intensivo no puerpério imediato

Pesquisa realizada na PUC Campinas, muito interessente pensar na importância da informação para combater o desmame precoce.

Objetivo: Verificar o benefício de uma aula (padronizada e individualizada) sobre amamentação durante permanência no Alojamento Conjunto.
Método: 208 mães primigestas foram entrevistadas sendo avaliado o conhecimento sobre amamentação após o parto (102 mães) e antes da alta (106 mães). Foram feitas análises de freqüência das variáveis, acertos (Qui-Quadrado), ganho escore (Wilcoxon) e modelo de regressão para dificuldade de amamentar (&5%). Resultados: Não houve diferença de acertos entre a 1ª. e a 2ª. prova das mães com aula só na alta. Houve aumento de acertos da 2ª. prova entre as mães que receberam aula após o parto. Não houve diferença entre os grupos na 1ª. prova, e na 2ª. as mães que receberam aula após o parto apresentaram melhor desempenho. Com relação ao escore 1 (acertos na 1ª. prova) não existe diferença entre os grupos. Com relação ao escore 2 as mães que tiveram aula após o parto apresentaram melhor desempenho. Apenas a variável aula foi significativa. O ganho escore, entre as mães com aula só na alta, chegou a ser negativo. Mães com PN inadequado, parto cesáreo e mamilo não protuso tem mais chance de ter dificuldade para amamentar. Conclusão: Os grupos tiveram desempenho semelhante no 1º. momento. O que distinguiu o conhecimento antes da alta foi ter tido ou não aula antes da 2ª. prova. Boa assistência no PN pode diminuir a chance da mãe ter dificuldade para amamentar. A assistência dispensada na rotina da unidade não está sendo efetiva. É necessário padronizar a fala.

Leia na íntegra aqui: ALM aprendizado intensivo

Fonte: puc/campinas

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Breastfeeding in clinical practice – O aleitamento materno na prática clínica.

por: Elsa R. J. Giugliani

A espécie humana evoluiu e se manteve 99,9% da sua existência amamentando os seus descendentes(1). Portanto, ela está geneticamene programada para receber os benéficos do leite humano e do ato de amamentar no início da vida(2). Apesar de ser biologicamente determinada, a amamentação sofre influências socioculturais e por isso deixou de ser praticada universalmente a partir do século XX. Atualmente, a expectativa biológica se contrapõe às expectativas culturais. Algumas conseqüências dessa mudança já puderam ser observadas, como desnutrição e alta mortalidade infantil em áreas menos desenvolvidas. Porém, as conseqüências a longo prazo ainda são desconhecidas, já que transformações genéticas não ocorrem com a rapidez de mudanças culturais. Há quem afirme que o uso disseminado de leite não humano em crianças pequenas é o maior experimento não controlado envolvendo a espécie humana.

Em resposta às denúncias das conseqüências funestas do uso disseminado de leites de outras espécies, deu-se início, na década de 70, ao movimento de resgate à “cultura da amamentação”. Concomitantemente, começaram a aparecer evidências científicas mostrando a superioridade do leite materno como fonte de alimento, de proteção contra doenças e de afeto, ou melhor, ficaram evidentes as desvantagens da substituição do leite materno por outros leites.

Apesar do aumento das taxas de amamentação na maioria dos países nas últimas décadas, inclusive no Brasil(3), a tendência ao desmame precoce continua, e o número de crianças amamentadas segundo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda é pequeno. No Brasil, a última pesquisa sobre a situação do aleitamento materno em nível nacional encontrou uma mediana de duração da amamentação de 7 meses e de amamentação exclusiva de apenas 1 mês. Apesar de a grande maioria das mulheres (96%) iniciar a amamentação, apenas 11% amamentam exclusivamente no período de 4 a 6 meses, 41% mantêm a lactação até o final do primeiro ano de vida e 14% até os 2 anos(4).

Segundo Almeida(5), é preciso mudar o paradigma de amamentação que norteia as políticas de promoção do aleitamento materno. Tem-se priorizado o biológico, sem dar a devida ênfase ao aspectos sociais, políticos e culturais que condicionam a amamentação. O autor ressalta que “… a mulher precisa ser assistida e amparada para que possa desempenhar a bom termo o seu novo papel social, o de mulher-mãe-nutriz.” Nós, profissionais de saúde, desempenhamos um papel fundamental na assistência à mulher lactante. Para cumprir esse papel é necessário ter conhecimentos e habilidades para orientar adequadamente o manejo da lactação. Este artigo aborda alguns aspectos práticos do aleitamento materno, visando a contribuir para a instrumentalização do profissional de saúde para melhor ajudar as mães no manejo da lactação.

Baixe o texto na íntegra: O aleitamento materno na prática clínica

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AMAMENTAR: Uma escolha baseada na VONTADE

A amamentação não pode ser sinônimo de dor, não deve. Não é uma escolha baseada na vontade de ser mártir da amamentação do seu filho. Ela deveria ser pautada na vontade intrínseca plenamente consciente de que o ato de amamentar é a melhor escolha e a única forma do seu bebê receber um alimento totalmente único e insubstituível e junto com ele, receber todo o cuidado, carinho, afeto e amor em sua primeira relação humana.

Amamentar não é fácil, dói, gera desespero, pois a nossa mama extremamente sensível ao toque trava uma verdadeira batalha contra a boquinha ainda não treinada do bebê. E até que ela se torne um prazer de fato, muitos e muitos episódios serão sentidos na pele por você. A dor é um mecanismo de alerta, que sinaliza que ainda não está bom e que pode melhorar.

Interessante que, em nossa sociedade, muitas vezes o grau de sacrifício dado à amamentação torna-se quase insuportável até de ouvir. Parece que o ato do aleitamento prolongado já é demais, e que a mãe não pode se sacrificar tanto assim… E fico pensando no quanto nos sacrificamos para suportar um bom relacionamento no trabalho, suportar horas intermináveis no trânsito, suportar cobranças por metas, suportar… suportar… suportar, mas no nosso inconsciente emocional não podemos suportar um aleitamento prolongado ou dedicar tempo ao nosso bebê, pois isso seria já um conceito totalmente alienado. Podemos suportar muitas coisas, mas somos tolhidas de dedicar um tempo crucial e precioso que é amamentação no primeiro momento da vida de nossos bebês.

Quando a escolha da amamentação for baseada na nossa vontade, ela será plena e extremamente prazerosa. Temos também o direito de decidir pelas nossas vontades e para que estas vontades sejam de fato reais e significativas, elas estão dentro de um sistema complexo de escolhas. Boas escolhas. Escolhemos em algum momento da vida a nossa carreira, com quem iremos casar, aonde iremos viver, no que iremos trabalhar, quantos filhos iremos ter e cada uma dessas escolhas demandam tempo, planejamento e dedicação. Assim também deveria ser a amamentação: eu escolho um momento na minha vida para amamentar o meu bebê como ele deve ser realmente amamentado.

Uma escolha baseada principalmente em uma doação genuína, pura, e livre de cobranças. Amamento porque assim desejo, porque escolhi e não por uma recompensa futura do meu bebê, da minha família ou da sociedade. Faço neste momento porque é o melhor a ser feito e essa responsabilidade a mim pertence. Quando mães conscientes de todas as interfaces que envolvem a amamentação, instruídas e amparadas por auxílio profissional, forem de fato encarar o desafio de amamentar e nutrir uma vida humana, todo esse negativismo ao redor da amamentação irá desaparecer.

Precisamos ouvir a nós mesmas primeiramente, sabe o que o nosso corpo quer nos dizer. Depois, precisamos ouvir nossos bebês, em uma sintonia tão profunda e íntima que ao sinal do primeiro choro, ao invés de darmos lugar para o desespero, a angústia e a culpa, sabermos compreender prontamente a sua queixa.

Não tenho dúvidas que é também a vontade do bebê apenas amamentar no seio de sua mãe. E de fato, quando ambas as vontades estiverem niveladas e em um nível satisfatório de harmonia, ela será plena e livre de qualquer sobra de dúvidas deste momento único e tão especial da nossa vida materna.
Amamentar exige também de nós abstrairmos de todo o nosso entorno e de termos um olhar apenas para esta relação: você e o seu bebê.

Por Simone de Carvalho – Pedagoga – mestre em psicologia da educação.