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Incentivo ao Aleitamento Materno em UTI neonatal.

Alimentar o recém-nascido pré-termo (RNPT) com leite da própria mãe proporciona benefícios que geralmente estão relacionados às melhorias da imunidade, digestão e absorção de nutrientes. A grande maioria dos recém-nascidos prematuros levam algum tempo para serem levados ao seio materno (SM), levando em consideração que a grande parte apresenta complicações que impedem a sucção logo ao nascer. Nesse momento faz-se necessário incentivar a ordenha (retirada de leite) periódica, a fim de manter uma produção láctea adequada para o momento que haja o aleitamento natural. Essa conduta é primordial para que a mulher se sinta capaz de amamentar ao longo do percurso de internação do seu bebê, manter a produção de leite elevada faz um feedback de potência para a mulher. O ideal é que a mulher retire o leite de 3/3horas e quando ela perceber o peito cheio demais, mesmo antes das 3 horas. Caso não tenha um lactário no hospital, orientar a doação de leite é mais uma das etapas do empoderamento e do favorecimento do vínculo.

Outro aspecto a ser enfatizado é o fortalecimento do vínculo através do contato precoce pele a pele entre mãe e bebê durante a internação. O método mãe-canguru estimula um forte apego entre a mãe e o bebê, aumenta a produção de leite materno e beneficia a lactação e amamentação.

Para preparar o prematuro para a amamentação no seio materno (SM) de modo eficaz e exclusivo, coordenando sucção/deglutição e respiração (S/D/R), o ideal é utilizar o desmame direto da sonda para o seio materno, sem oferta de formas alternativas de alimentação como o copo ou mamadeira. Inicialmente é realizada a técnica de relactação, para que o RN associe a ingestão do leite recebido pela sonda com a sucção que ele realiza em “mama vazia”. A sucção em “mama vazia” evita que o lactente, pela falta de coordenação e inabilidade, engasgue com o leite e induz a produção do leite pela mãe devido à estimulação dos hormônios prolactina e ocitocina.

Indica-se que o RN seja estimulado na “mama vazia” com sonda nasogástrica, com a cavidade oral livre, o que facilita a pega adequada e promove melhor propriocepção e estimulação intra-oral, proporcionando uma sensação mais prazerosa no mo­mento da sucção. É importante que a técnica seja realizada em pelo menos quatro mamadas, desde que o recém nascido não apresente desconforto respiratório ou qualquer outro sinal de estresse, durante a intervenção.

Quando o bebê inicia a coordenação S/D/R, o treino de sucção/deglutição é realizado com “mama parcialmente cheia” concomitante à oferta de dieta por sonda. Devem ser observadas as necessidades nutricionais do bebê em função do seu peso e deduzir a quantidade de complemento a ser ofertado pela sonda.

Após uma semana, se o ganho ponderal chegar a 125 gramas ou mais, a quantidade de complemento pode ser diminuída na mesma proporção, até que o RN esteja exclusivamente em SM. A dieta por sonda será feita apenas nos horários de ausência da mãe na Unidade Neonatal. Estando o RN clinicamente bem e em pelo menos quatro mamadas no SM, a sonda para alimentação é retirada e o recém-nascido recebe alta fonoaudiológica.

Obrigada Marcelly e Bernardo por me ceder as imagens, foi um prazer enorme acompanhar vocês!

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Voz materna acalma coração de bebês prematuros.

Após o nascimento dos filhos gêmeos e prematuros, um cientista americano, sem querer, descobriu a possibilidade de evitar problemas cardiorrespiratórios dos bebês da forma mais simples: gravando a voz da mãe para os bebês ouvirem. É não é que deu certo?

Se você clicou nesta reportagem esperando ler mais uma pesquisa, prepare-se para descobrir também uma linda história. Há quase cinco anos, o neurocientista americano Amir Lahav se tornou pai de gêmeos prematuros nascidos com 25 semanas. Os bebês pesavam pouco mais de 500 gramas cada um.

O nascimento dos filhos mudou não só a vida de Lahav, mas também os rumos de sua pesquisa. O cientista, que estava acostumado a trabalhar com adultos, deixou seu instinto paterno falar mais alto e procurou o chefe da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Brigham, em Boston, nos Estados Unidos, onde os bebês estavam internados. Perguntou a ele se poderia colocar uma gravação com a voz de sua esposa perto das crianças. A expectativa de Lahav era que o tom suave da voz da mãe melhorasse o desenvolvimento dos bebês, e o chefe concordou com a proposta.

Em seu computador, Lahav gravou a voz de sua esposa. Na mensagem, ela pedia para seus filhos lutarem para sobreviver e serem fortes. O pai também incluiu algumas músicas tocadas no piano em um ritmo bem suave, imaginando que isso poderia ajudá-los a relaxar. Ele ainda modificou o som para que se assemelhasse o máximo possível aos ruídos que os bebês ouviam dentro do útero. “Nós ouvimos as ondas sonoras através do ar, os bebês estão mergulhados no líquido amniótico e ouvem o som de forma fluida, como se estivessem vivendo dentro de um caixa de som cheia de vibrações”, contou Lahav em entrevista à revista Time.

Os gêmeos pareciam gostar das gravações e os médicos e enfermeiros da UTI ficaram intrigados. Além disso, a iniciativa se mostrou terapêutica para Lahav e sua esposa. “Não foi um ensaio clínico controlado, foi apenas um pai louco tentando fazer alguma coisa pelos seus filhos. Porque, especialmente no caso de bebês prematuros, você se sente muito impotente”, confessou Lahav à publicação.

Após os gêmeos deixarem o hospital, o cientista foi até lá para agradecer ao chefe da UTI que o deixou fazer o experimento. O que era para ser apenas um bate-papo informal se tornou uma conversa séria sobre prematuridade e medicina neonatal. Atualmente, o objetivo dos médicos vai muito além de cuidar para que esses bebês sobrevivam. Eles buscam ajudar essas crianças a crescerem saudáveis, já que estudos têm mostrado que prematuros têm um risco maior de baixo QI e podem desenvolver doenças crônicas na vida adulta. Será que mantê-los próximos aos sons reconfortantes da voz da mãe ajudaria a diminuir a incidência desses efeitos adversos? Essa era a pergunta que Lahav gostaria de responder.

Como parte de um acordo, o hospital construiu o primeiro estúdio de gravação profissional dentro de uma UTI do mundo. Em seguida, os cientistas começaram um estudo com 14 bebês nascidos entre 26 e 32 semanas para descobrir se eles poderiam ser beneficiados com o som da voz materna. Eles ouviam em quatro períodos do dia a gravação da voz da mãe falando, lendo ou cantando. E, para surpresa de Lahav, sim, aqueles que ouviram a voz da mãe se mostraram menos propensos a terem paradas respiratórias ou problemas cardíacos.

Outro ponto da pesquisa foi analisar por que muitos bebês prematuros nascidos sem nenhuma lesão cerebral diagnosticada têm risco de dificuldade de aprendizagem ou problemas cognitivos e sociais durante a vida. Para Lahav, a exposição desses recém-nascidos a sons de máquinas e ruídos estranhos de uma UTI tão precocemente poderia levar a problemas comportamentais no futuro. E novamente, a voz da mãe fez diferença, em especial para bebês com mais de 33 semanas, que já processam melhor os sons. A explicação seria que ela é capaz de reduzir a liberação dos níveis de cortisol, o hormônio do estresse, da criança.

É nesse ponto que o psicobiólogo Ricardo Monezi, pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Unifesp concorda com o cientista. “A voz da mãe é a primeira música que a criança ouve, é quase um mantra e, como tal, tem plena capacidade de acalmar. Dentro do útero, o som é percebido pelo corpo todo através das vibrações, assim como uma pedra que atinge a água e gera movimentos contínuos. O mesmo acontece com o bebê prematuro na UTI ao ouvir a voz da mãe. Os benefícios atingem o corpo todo”, diz.

O próximo desafio do cientista é iniciar um estudo rigoroso com mais de 100 bebês nascidos antes de 32 semanas. Eles serão divididos e apenas metade vai receber as gravações com a voz materna. Mais vale um alerta. Por mais tentador que isso possa parecer, Lahav desaconselha que esse procedimento com o gravador seja feito em casa, por causa do ajuste do volume do som. Agora, você mesma conversar com o seu filho sempre será um bem enorme para ele – na barriga ou nos seus braços. Aproveite esse momento!

http://revistacrescer.globo.com

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Efeitos (negativos) da fortificação do Leite Humano em prematuros.

O conteúdo protéico e a fortificação do leite humano influenciam no refluxo gastroesofágico em recém-nascidos prematuros.

Aceti A, Corvaglia L, Paoletti V, Mariani E, Ancora G, Galletti S, Faldella G.

JPGN 49:613–618, 2009

OBJETIVOS: Afirma-se que o leite humano (LH) pode não fornecer energia suficiente e nutrientes para os prematuros, e que precisa de ser fortificado para isso. Nosso objetivo foi determinar se o teor de gordura, teor de proteína, e a osmolaridade do LH antes e após da fortificação pode afetar o refluxo gastroesofágico (RGE) em prematuros sintomáticos.

MÉTODOS: O refluxo gastroesofágico foi avaliado com impedância intraluminal (pH-MII) em 17 prematuros sintomáticos alimentados somente com LH e com LH fortificado. A gordura do leite materno e o teor de proteína foram analisados por near-infrared reflectance. A osmolaridade do leite materno foi testada antes e depois da fortificação. Os índices de refluxo gastroesofágico foram comparados antes e após a fortificação e foram relacionadas com o teor de gordura, proteína e osmolaridade antes e após a fortificação.

RESULTADOS: Uma correlação inversa foi encontrada entre o conteúdo de proteína do LH e o índice de refluxo ácido (RIpH: P = 0,041, rho =- 0,501). Depois da fortificação a osmolalidade ultrapassou muitas vezes os valores recomendados para a alimentação infantil, além disso, aumentaram os índices de refluxo não ácido (p<0,05).

CONCLUSÕES: O conteúdo protéico do LH pode influenciar no RGE em prematuros. A fortificação padrão do LH pode piorar os índices de RGE e, devido à extrema variabilidade na composição do LH, pode-se superar a ingestão recomendada de proteínas e ultrapassar a osmolalidade recomendada. Assim, uma fortificação individualizada, com base na análise da composição do LH, poderia otimizar tanto o consumo de nutrientes quanto a tolerância a alimentação.

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Efeitos da sucção à mamadeira e ao seio materno em bebês prematuros

 Bottle and breast sucking effects in premature infants

Efectos de la succión al biberón y al seno materno en bebés prematuros

 Maria Helena Abud da Silva1; Cristina Ide Fujinaga2; Adriana Moraes Leite3; Andreara de Almeida e Silva4; Moacyr Lobo da Costa Junior5; Carmen Gracinda Silvan Scochi6

1Mestre em Enfermagem em Saúde Pública e Enfermeira do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto-SP. Brasil. E-mail: mhabud@ig.com.br
2Pós-doutoranda da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP/USP), Ribeirão Preto-SP, Prof. Adjunto B do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Estadual do Centro-Oeste/Paraná, Irati-PR. Brasil. E-mail: cifujinaga@gmail.com
3Prof. Doutor do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública da EERP/USP, Ribeirão Preto-SP. Brasil. Email: drileite@eerp.usp.br
4Enfermeira, graduada pela EERP/USP, Ribeirão Preto-SP (Brasil). Email: andreara.almeida@yahoo.com.br
5Prof. Livre Docente do Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas da EERP/USP, Ribeirão Preto-SP. Brasil. E-mail: mlobojr@eerp.usp.br
6Prof. Titular do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública da EERP/USP. Bolsista produtividade em pesquisa do CNPq. Brasil. E-mail: cscochi@eerp.usp.br

Autor correspondente: Carmen Gracinda Silvan Scochi
Avenida Bandeirantes, 3900 — CEP: 14040-902 — Ribeirão Preto-SP. Brasil. E-mail: cscochi@eerp.usp.br


A alimentação do prematuro é uma preocupação na assistência neonatal e o aleitamento materno tem sido recomendado. Entretanto, nem todos os serviços preconizam alimentação ao seio materno a essa clientela. O objetivo do estudo foi comparar os efeitos da sucção à mamadeira e ao seio materno sobre a saturação de oxigênio, temperatura cutânea, freqüências cardíaca e respiratória. Trata-se de estudo de caso, no qual cada prematuro foi controle dele próprio, sendo submetido a sessões de sucção à mamadeira e ao seio materno. Realizaram-se 76 sessões de sucção, nas quais se monitorou as variáveis temperatura cutânea, freqüência cardíaca e respiratória e saturação de oxigênio. A temperatura cutânea, freqüências cardíaca e respiratória não apresentaram diferenças estatisticamente significantes. Houve alterações importantes na saturação de oxigênio, com maior ocorrência para sucção à mamadeira. Concluiu-se que a sucção ao seio materno mostrou-se menos estressante do que a sucção à mamadeira quanto à saturação de oxigênio.

Descritores: Prematuro; Comportamento de Sucção; Aleitamento Materno; Mamadeira.


Feeding a premature infant is a concern when it comes to neonatal care and breastfeeding has been recommended. However, not all services advocates breastfeeding to their patients. The aim of this study was to compare the effects of sucking on the feeding bottle and on the breast regarding the oxygen saturation, skin temperature, heart as well as respiratory rates. Each of the premature infants was its own control, being submitted to bottle suction sections as well as breastfeeding sections. In total, 76 sections of suction were carried out, in which the variables skin temperature, heart and respiratory rates as well as oxygen saturation were monitored. Skin temperature and heart and respiratory rates did not present statistically significant differences. There were important alterations in oxygen saturation, with greater occurrence for feeding bottle. Breast suction was shown to be less stressful than the feeding bottle suction, concerning oxygen saturation.

Descriptors: Premature Infant; Sucking Behavior; Breast Feeding; Bottle.


La alimentación del prematuro es una preocupación en la asistencia neonatal y la lactancia materna ha sido recomendada. Sin embargo, ni todos los servicios preconizan alimentación al seno materno a esa clientela. Este estudio tuvo como objetivo comparar los efectos de la succión al biberón y al seno materno sobre la saturación de oxígeno, temperatura cutánea, frecuencias cardíaca y respiratoria. Se trata de estudio de caso, en el cual cada prematuro fue control de si mismo, siendo sometido a sesiones de succión al biberón y al seno materno. Se realizaron 76 sesiones de succión, en las cuales fueron monitoreadas las variables temperatura cutánea, frecuencia cardíaca y respiratoria y saturación de oxígeno. La temperatura cutánea, frecuencias cardíaca y respiratoria no presentaron diferencias estadísticamente significantes. Hubo alteraciones importantes en la saturación de oxígeno, con mayor incidencia para succión al biberón. Se concluyó que la succión al seno materno se reveló menos estresante que la succión al biberón cuanto a la saturación de oxígeno.

Descriptores: Prematuro; Conducta en la Lactancia; Lactancia Materna; Biberones.


 Introdução

A alimentação do bebê prematuro tem sofrido transformações ao longo última década, principalmente no que se refere ao incentivo do aleitamento materno. A implantação do Método Canguru(1), a humanização na assistência das Unidades de Terapia Intensiva Neonatal e envolvimento da família no cuidado(2-3) têm contribuído para mudança nas condutas relacionadas à alimentação do prematuro.

Há o reconhecimento de que o leite humano possui valiosas propriedades bioquímicas, nutricionais, imunológicas e anti-infecciosas, as quais acrescidas dos aspectos psicoemocionais e sociais que envolvem o processo de crescimento e desenvolvimento dos prematuros de muito baixo peso ao nascer, tornam a amamentação materna como um dos métodos mais adequados para alimentação desses bebês(1,4).

Apesar das vantagens apontadas, não são todos os serviços que indicam precocemente a alimentação no seio materno para prematuros(5-6). Apesar das recomendações do Ministério da Saúde sobre as indicações da mamadeira em prematuros, há menção na literatura de que a transição da alimentação gástrica para via oral ocorre na mamadeira como uma etapa intermediária para o início da sucção ao seio materno(7).

O prematuro apresenta como peculiaridade a imaturidade do sistema sensório-motor oral e a coordenação das funções de sucção-deglutição-respiração(4), coordenação essa que difere em seus mecanismos na sucção ao seio(2) e na mamadeira(5-6), submetendo o prematuro a riscos na sua estabilidade clínica e aspiração do leite do processo de transição da alimentação gástrica para via oral.

Assim, o objetivo do presente estudo foi comparar o efeito da sucção à mamadeira e ao seio materno sobre a saturação de oxigênio, a temperatura cutânea e as frequências cardíaca e respiratória.

 Métodos

Trata-se de uma pesquisa do tipo estudo de caso, na qual dois métodos de oferecimento do leite ao prematuro, sucção à mamadeira e sucção ao seio materno, foram administrados, procurando-se comparar os seus efeitos na saturação de oxigênio, temperatura cutânea, freqüências cardíaca e respiratória, durante as sessões de sucção.

O estudo foi realizado em um hospital universitário localizado no interior do Estado de São Paulo, Brasil. Foi aprovado pelo Comitê de Ética dessa instituição, processo n° 6209, e todas as mães assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.

A amostra foi constituída de 76 sessões de sucção de 6 bebês pré-termo e de muito baixo peso (B1… B6) que atendiam aos seguintes critérios: desejo materno de amamentar; mães em fase de lactação por ocasião do início da coleta de dados; condição clínica estável do prematuro, ou seja, sem alterações da função cardiorrespiratória, ganhando peso, alimentando-se por via gástrica, presença de sucção não-nutritiva e capacidade de se manter estável fora da incubadora; peso inferior a 1500 gramas por ocasião do início do estudo; idade corrigida entre 32 e 34 semanas, segundo método de Ballard; ausência de quaisquer alterações estruturais ou funcionais no prematuro que poderiam interferir na habilidade de se alimentar por via oral, tais como tônus global anormal, reflexos orais deprimidos, obstrução nasal severa, anomalias craniofaciais, hemorragia intracraniana severa e broncodisplasia dependente de oxigênio; ausência de problemas anátomo-patológicos e sociais maternos que interfeririam na amamentação, tais como cirurgias, patologias e malformações mamárias que dificultariam a lactação, intercorrências severas da lactação como ingurgitamentos, mastites e traumas mamilares severos; ausência de doenças e procedimentos terapêuticos que contra-indicassem o aleitamento materno (AIDS, drogas, etc.).

Optou-se por considerar cada prematuro ser o seu próprio controle nos dois métodos de alimentação. Realizou-se, para todas as mães, o aconselhamento das técnicas de ordenha mamária para a manutenção da lactação materna e estimulou-se, precocemente, o contato pele a pele entre mãe e filho.

Todos os bebês recebiam alimentação via sonda gástrica por ocasião do início da coleta de dados e, até que fosse indicado clinicamente que esses prematuros pudessem ser alimentados exclusivamente por via oral, as sessões de sucção à mamadeira e sucção ao seio materno foram alternadas, de modo que somente uma sessão de sucção diária foi realizada; os demais horários de alimentação continuavam por sonda gástrica.

Em todas as sessões de sucção à mamadeira foram utilizados bicos padronizados pela instituição e a fórmula láctea prescrita foi administrada em temperatura inicial de 37ºC. As mamadeiras foram administradas por um único profissional, com o intuito de eliminar o efeito de técnica que os diferentes profissionais pudessem utilizar na alimentação por via oral.

Os prematuros foram preparados para as sessões de sucção à mamadeira e sucção ao seio materno, instalando-se os sensores cutâneos do monitor cardiorrespiratório, frequências cardíaca e respiratória (PC SCOUT Monitor 90309/Spacelabs Medical) e o monitor de temperatura cutânea (MT 800 Imbracrios).

As medidas saturação de oxigênio, temperatura cutânea, frequências cardíaca e respiratória registradas pelo monitores foram armazenadas e gravadas continuamente na memória do monitor, em forma numérica, em intervalos de um minuto.

Esse procedimento foi realizado desde 10 minutos antes do início de cada sessão de sucção (linha basal), durante sessão de sucção e 10 minutos após (recuperação). Como critério para interrupção da sessão de alimentação, considerou-se a situação de risco que a alimentação oferecia, sendo a presença de eventos que indicassem angústia respiratória, instabilidade ou alterações importantes nos parâmetros fisiológicos monitorados, tais como: cianose, palidez, náuseas, episódios de engasgo, hipotonia e alterações na saturação de oxigênio (<92%), frequência cardíaca (<120 ou >140 batimentos por minuto), frequência respiratória (<30 ou >60 movimentos respiratórios por minuto) e temperatura cutânea (<36ºC).

Para analisar se as diferenças entre as sessões de sucção à mamadeira e sucção ao seio materno eram estatisticamente significativas utilizou-se o teste não paramétrico de Wilcoxon Matched — Pairs Signed — Rankz Test. Para tal os dados foram pareados da primeira até a sexta sessão de sucção à mamadeira e sucção ao seio materno, desprezando-se aqueles da sétima sessão dos bebês B1 e B5 pela redução acentuada da amostragem.

 Resultados

O Quadro 1 descreve a caracterização e comportamento dos bebês estudados durante as sessões de sucção na mamadeira.

Quadro 1 — Caracterização e comportamento dos bebês estudados durante as sessões de sucção na mamadeira. Ribeirão Preto, SP, Brasil, 1999

O Quadro 2 mostra os dados relativos aos mesmos prematuros por ocasião das sessões de sucção ao seio materno.

Quadro 2 — Caracterização e comportamento dos bebês estudados durante as sessões de sucção no seio materno. Ribeirão Preto, SP, Brasil, 1999.

Os principais sinais clínicos de alarme observados que caracterizaram a presença de situações de risco foram: batimento de asas nasais (92,1% das sessões de sucção à mamadeira e em 78,9% de sucção ao seio materno); palidez, cianose peri-oral e hipotonia (52,6% das sessões de sucção à mamadeira e em 28,9% de sucção ao seio materno) e episódios de engasgo (21% das sessões de sucção à mamadeira e não foram observados nas sessões de sucção ao seio materno).

Considerando-se que não houve variações nos dados relativos à frequência cardíaca e respiratória e temperatura corporal, realizou-se a análise detalhada do parâmetro saturação de oxigênio quanto ao número de situações de risco ocorridas, tempo mínimo de duração e valor mínimo da saturação de oxigênio nestas situações de risco, comparando-se aos dados de sucção à mamadeira e sucção ao seio materno nas diversas sessões de sucção.

Quadro 3 — Comparação das sessões pareadas de sucção à mamadeira e ao seio materno em valores da probabilidade p segundo o peso, a idade corrigida, situações de risco, tempo mínimo de situações de risco, valores mínimos de saturação de oxigênio nas situações de risco e sessões interrompidas devido situação de risco. Ribeirão Preto, SP, Brasil, 1999.

 O Quadro 3 mostra os valores do referido teste em seis sessões comparadas de forma pareada, sucção à mamadeira e sucção ao seio materno, obtidos para o peso e idade corrigida dos bebês, bem como aqueles relativos à variável saturação de oxigênio: número de situações de risco (saturação de oxigênio <92%), tempo mínimo de duração, valor mínimo da saturação de oxigênio nas situações de risco e interrupção ou não da sessão devido ao risco ocorrido pela queda da saturação de oxigênio e/ou aparecimento de outros sinais clínicos de alarme. O resultado do teste em cada sessão pareada refere-se à comparação dos dados relativos aos 6 bebês (B1, B2… B6) em sucção à mamadeira e sucção ao seio materno.

Na comparação dos dados relativos ao número de situações de risco, não houve diferenças estatisticamente significativas entre sucção à mamadeira e sucção ao seio materno, até a sessão pareada 5. Na última sessão pareada (6), ocorreu maior risco para sucção na mamadeira, com diferença estatística significante. Na última sessão, isto é, quando os bebês tinham peso maior e idade corrigida próxima do termo, a diferença significante encontrada justifica-se pela ocorrência de situações de risco em praticamente todas as sessões de sucção à mamadeira e em nenhuma de sucção ao seio materno.

Do total de sessões interrompidas durante a coleta de dados, 25 ocorreram nas sessões de sucção à mamadeira e 8 de sucção ao seio materno. Ao compará-las separadamente entre as seis sessões pareadas, constatou-se que o número de interrupções no procedimento sucção à mamadeira foi estatisticamente significativamente maior nas sessões pareadas 2, 3 e 4.

Na sessão pareada 1, ocasião em que os bebês possuíam menor peso e maturidade, todas as sessões de sucção à mamadeira e ao seio materno foram interrompidas devido ao risco, exceto em um caso. Quanto à comparação do tempo mínimo de duração das situações de risco, houve diferenças estatisticamente significativas em todas as sessões, exceto na quinta sessão. Nas sessões pareadas 1 a 4 de sucção à mamadeira e seio materno, a diferença significativa encontrada deveu-se ao tempo mínimo de duração das situações de risco ter sido sempre maior nas sessões de sucção à mamadeira do que nas de seio materno.

Quanto à comparação dos valores mínimos de saturação de oxigênio nas situações de risco nos bebês, durante os procedimentos sucção à mamadeira e sucção ao seio materno, houve diferenças estatisticamente significativas em todas as sessões. Assim, constatou-se a ocorrência de valores significativamente menores de saturação de oxigênio nas sessões de sucção à mamadeira do que de sucção ao seio materno.

Finalizando, os resultados obtidos no estudo apontam para a maior ocorrência de eventos hipoxêmicos nos bebês nascidos pré-termo e de muito baixo peso, durante sessões de sucção à mamadeira, pois os valores de tempo mínimo das situações de risco foram maiores e os valores mínimos de saturação de oxigênio foram menores do que aqueles obtidos nas sessões de sucção ao seio materno, com significância estatística.

 Discussão

A temperatura cutânea, frequências cardíaca e respiratória não variaram significativamente durante as sessões de sucção à mamadeira e ao seio materno, mantendo-se dentro da faixa de normalidade definida no estudo. Com relação à temperatura cutânea, constata-se que esse resultado diferiu de outros estudos em que a temperatura do prematuro foi significativamente maior durante a alimentação no seio materno(7-10). Os autores justificam esse aumento pelo contato pele a pele entre o prematuro e a mãe, o qual interfere na temperatura cutânea do bebê, aumentando-a.

Os dados relativos à saturação de oxigênio colaboram com aqueles encontrados na literatura(7-10) nos quais encontraram padrões diferentes da saturação de oxigênio durante os procedimentos na mamadeira e seio materno. Apesar do pequeno tamanho amostral, os resultados obtidos confirmam que, no contexto específico em que se deu esse estudo, a sucção à mamadeira é mais estressante para o prematuro do que sucção ao seio materno.

O prematuro que é alimentado no seio materno tem uma vantagem distinta daquele alimentado na mamadeira em relação à deglutição efetiva, sendo justificada pelo maior sincronismo entre as funções de sucção-deglutição-respiração. O prematuro suga frequentemente de 2 a 3 minutos antes da ejeção do leite à faringe, e esse tempo facilita o processo de preparação da deglutição e assegura que o bebê seja participante no ato da alimentação(11).

A velocidade do fluxo de leite pode também explicar as diferenças nos comportamentos alimentares durante a sucção à mamadeira e ao seio materno. A deglutição ocorre mais vezes quando o fluxo de leite é rápido e os bebês precisam interromper a respiração para deglutir e assim necessitam modificar as pressões de sucção, baseados na velocidade do fluxo de leite, ou seja, as sucções aumentam com fluxo baixo e diminuem ou param quando o fluxo é alto(12). Talvez os prematuros possam modificar a pressão de sucção e/ou o fluxo do leite enquanto sugam ao seio, de forma que facilite uma alimentação melhor organizada, e não são capazes de fazer um ajuste similar durante a sucção à mamadeira(11).

Além disso, quanto mais o prematuro suga na mamadeira, maiores serão as dificuldades de transferir a alimentação para o seio, uma vez que o estímulo e a dinâmica da sucção são diferentes para esses dois métodos de alimentação e a bebê pode optar por aquele que se faz mais frequente(9).

As atuais políticas nacionais e internacionais reforçam a importância do aleitamento materno para os prematuros como já mencionado anteriormente(1). Entretanto, sabe-se que na prática clínica são muitas as dificuldades para as mães dos prematuros manterem a lactação(13), diminuindo a prevalência do aleitamento materno exclusivo nesta clientela(14-15). Assim, aponta-se a necessidade da implementação da atuação multiprofissional junto a essa população, valorizando as práticas de educação em saúde e destacando a importância das ações de apoio às mães para manutenção da lactação na unidade neonatal e após a alta hospitalar(16-17).

Como substituição ao uso da mamadeira, há outros métodos de transição da alimentação gástrica para via oral, tais como o uso do copinho(18-19), translactação, paladai e finger feeding(19) que se mostraram métodos alternativos e seguros de alimentação para o prematuro.

Os dados obtidos fornecem subsídios para transformar as práticas assistenciais, no sentido de que é possível iniciar precocemente a sucção direta ao seio materno, em algumas mamadas diárias, sem se ter prejuízo para a estabilidade clínica do prematuro. Tal procedimento constitui-se em uma das estratégias de suporte ao incentivo ao aleitamento materno e ao favorecimento do vínculo mãe-filho, diminuindo os fatores de risco para o desenvolvimento infantil. A prematuridade é um dos principais fatores de risco no acompanhamento após a alta hospitalar e o aleitamento materno constitui em um aliado importante para o desenvolvimento adequado do bebê(20).

Conclusão

A temperatura cutânea, freqüências cardíaca e respiratória não apresentaram diferenças estatisticamente significantes nas sessões de sucção à mamadeira e ao seio materno. Houve maior ocorrência de sinais clínicos de alarme (batimento de asas nasais, palidez, cianose peri-oral e hipotonia e episódios de engasgo) nas sessões de sucção na mamadeira em comparação ao seio materno, com diferença significante estaticamente na última sessão pareada (6). Alterações importantes na saturação de oxigênio foram encontradas durante sessões de sucção à mamadeira, com maior ocorrência de eventos hipoxêmicos nos bebês nascidos pré-termo e de muito baixo peso. O número de interrupções no procedimento da mamada foi significativamente maior durante sucção à mamadeira nas sessões pareadas 2, 3 e 4; o tempo mínimo de duração das situações de risco também foi estatisticamente maior e o valor mínimo da saturação de oxigênio foi significativamente menor nas sessões de sucção à mamadeira, nas sessões pareadas 1, 2, 3 e 4.

Conclui-se que a sucção ao seio materno mostrou-se menos estressante do que a sucção à mamadeira quanto à saturação de oxigênio.

 Referências

1. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Políticas de Saúde. Área de Saúde do Bebê. Atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso: método canguru. Manual do curso. Brasília: Ministério da Saúde; 2002.

2. Aguayo J. Maternal lactation for preterm newborn infants. Early Hum Dev. 2001; 65(Suppl.) :S19-S29.

3. Byers JF. Components of developmental care and the evidence for their use in the NICU. MCN Am J Matern Child Nurs. 2003; 28(3):174-80.

4. Nascimento MBR, Issler H. Breastfeeding: making the difference in the development, health and nutrition of term and preterm newborns. Rev Hosp Clin Fac Med Univ São Paulo. 2003; 58(1):49-60.

5. Neiva FCB, Leone CR. Sucção em recém nascidos pré-termo e estimulação da sucção. Pró-Fono. 2006; 18(2):141-50.

6. Yamamoto RCC, Keske-Soares M, Weinmann ARM. Características da sucção nutritiva na liberação da via oral em recém-nascidos pré-termos de diferentes idades gestacionais. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2009; 14(1):98-105.

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Fonte:  Rev Rene, Fortaleza, 2011 jan/mar; 12(1):81-7. Versão impressa ISSN 1517-3852