8

Meu bebê está mamando o suficiente? Como saber?

Estou preocupada se meu bebê está recebendo leite suficiente – como posso ter certeza?
Melhor do que preocupar-se e tentar adivinhar se seu bebê amamentado está recebendo o suficiente, preste atenção nos seguintes sinais:

1) NÚMERO DE FRALDAS MOLHADAS

  • Um bebê que mama o suficiente terá de 4 a 6 fraldas molhadas por dia, a partir do 4º dia de nascimento. Considere 6 a 8 fraldas se você usa as de pano, que seguram menos a urina.
  • Para saber como identificar uma fralda molhada, coloque duas colheres de sopa de água em uma fralda limpa e perceba a diferença de peso. Fraldas de pano molhadas são mais perceptíveis do que as descartáveis com seus absorventes.
  • Pode ser mais fácil comparar uma fralda molhada com uma limpa através do peso do que pelo simples toque.
  • Após o primeiro mês, aproximadamente, as fraldas do seu bebê estarão ainda mais pesadas – o equivalente a 4 ou 6 colheres de sopa de água.
  •  A cor da urina é um bom indicativo para saber se o bebê está recebendo leite suficiente para mantê-lo hidratado. Urina pálida e clarinha sugere uma boa hidratação; escura, com cor de suco de maçã (após os primeiros dias) pode ser um indicativo de que o bebê não está mamando o suficiente. Se seu bebê não estiver recebendo leite suficiente, você poderá encontrar um resíduo com aparência de “pó de tijolo” ou “ferrugem” nas fraldas, que são os cristais de urato decorrentes da urina muito concentrada (acontecimento normal nos primeiros dias), que devem desaparecer uma vez que a ingesta do bebê aumentar. Fale com seu médico para saber se seu bebê precisa de alguma complementação enquanto aprende a mamar com mais eficiência.

2) MOVIMENTAÇÃO INTESTINAL
Se muitas fezes estão saindo, então muito leite entrou.

  • Nos primeiros dias, as fezes do bebê mudam da aparência grudenta e escura do mecônio para o verde, e depois o marrom. Cerca de um a dois dias após a chegada do leite, observamos então as fezes de leite materno, que são amareladas e com grumos – cor de mostarda e consistência de queijo cottage.
  • Entre a 1ª e a 4ª semana de vida, bebês que estão recebendo leite posterior o suficiente, produzirão ao menos 2 ou 3 fezes amareladas e com grumos por dia. Por ser um laxante natural, alguns bebês fazem cocô em toda mamada, o que é um ótimo sinal de que o bebê está mamando o suficiente. Quando ele faz somente 2 ou 3 vezes por dia, espere ver uma quantidade mais substancial de fezes na fralda – mais do que uma simples manchinha.
  • Após o 1º ou 2º mês de vida, enquanto o intestino amadurece, a frequência de evacuações diminui. Neste estágio, seu bebê deverá ter somente uma evacuação por dia; alguns bebês amamentados evacuam uma vez a cada 3-4 dias, e ainda assim estão recebendo leite suficiente.
  •  Enquanto a urina é um bom indicativo a respeito da quantidade de fluidos ingerida pelo bebê, a evacuação será um indicativo importante acerca da qualidade do leite (isto é, se o bebê está mamando por tempo suficiente e com eficiência para despertar o reflexo de ejeção da mãe, o que fará com que ele tenha acesso ao leite posterior, mais gorduroso e mais rico em calorias). Quando um bebê que tem menos de 1 mês não produz fezes suficientes, é hora de observar mais de perto o que vem acontecendo quando ele vai ao seio. Preste atenção na pega do bebê e aos sinais de uma mamada eficiente e procure ajuda de uma consultora de amamentação.

3) AVALIE A MAMADA

  • Geralmente as mamas parecem mais cheias antes da mamada e mais vazias imediatamente após. Estas mudanças ficam menos perceptíveis conforme o bebê vai crescendo e você vai ficando mais eficiente ao produzir exatamente o que o bebê precisa.
  • Muitas mães perceberão o reflexo de ejeção do leite alguns minutos após o início da mamada. Se você não tem essa sensação, observe seu bebê. Sua sucção ficará mais firme e você poderá ouvi-lo engolindo mais frequentemente uma vez que o reflexo de ejeção aumenta o fluxo de saída de leite.
  •  Outros sinais que podem confirmar que seu bebê está mamando o suficiente incluem ver algumas gotas de leite escorrendo dos lábios ou ouvir o bebê engolir após uma ou duas sugadas. O bebê geralmente parece satisfeito durante e após a mamada.
  •  Se você sente seu bebê sugando com vigor, pode ouvi-lo engolir durante a mamada, percebe os sinais do reflexo de saída do leite e observa o soninho chegando após a mamada, há grandes chances de que ele esteja recebendo tudo o que precisa.

4) GANHO DE PESO

  • Seu médico vai conferir o ganho de peso do recém-nascido alguns dias após a saída do hospital e, talvez, uma ou duas semanas depois disso.
  •  A maioria dos bebês, sejam eles amamentados ou alimentados com fórmula, perderão em média 5 a 7% de seu peso de nascimento nos primeiros dias de vida, em decorrência da perda dos fluidos. O quanto eles perderão depende do inchaço do seu bebê e variações individuais acerca da retenção de fluidos e eficácia na amamentação.
  •  Quando mães e bebês passam por um nascimento menos complicado e são capazes de amamentar com frequência e uma boa pega, o bebê perde menos peso. Bebês que tem um início de amamentação mais vagaroso (seja por problemas médicos ou na pega) tendem a perder um pouco mais.
  • Bebês que recebem quantidades adequadas de leite estarão 50 a 100 gramas próximos do seu peso de nascimento na consulta de 1 semana. Alguns bebês demoram algumas semanas para retomar este peso, especialmente se perderam muito no início.
  •  Antes de sair da maternidade, lembre-se de pedir à equipe o peso do seu bebê na alta. Este número será importante na próxima avaliação do bebê, uma vez que o ganho de peso é medido a partir do peso mais baixo, e não do peso de nascimento.
  • Após retomar o peso de nascimento, o bebê ganha em média 115 a 200 gramas por semana, ou um mínimo de 450 gramas por mês. Alguns bebês ganham peso rapidamente nos primeiros meses; outros ganham mais lentamente, mas dentro da normalidade.

5) NÃO SE PREOCUPE COM SUA PRODUÇÃO DE LEITE

  • A amamentação é um processo baseado na confiança, portanto, não deixe que o medo de que seu bebê não recebe o suficiente prejudique a sua convicção. Se seu bebê está produzindo fraldas molhadas e evacuações suficientes, e ganha peso adequadamente, tenha certeza de que ele está recebendo tudo o que precisa.
  • Amamentar com frequência (em livre demanda) ou querer mamar logo após a última mamada não são necessariamente sinais de que seu bebê tem fome. Bebês mamam por inúmeras razões além da fome. Ele pode estar querendo a proximidade e o conforto proporcionados pela amamentação ou pode estar precisando de umas sugadinhas para relaxar e adormecer.
  •  Se a contagem de fraldas mostra que seu bebê está recebendo o suficiente, não se preocupe com a produção de leite. Amamente seu bebê com frequência durante o dia. Tenha certeza de que ele está abocanhando o seio corretamente e sugando com eficácia, e então não se preocupe.

Retirado de: http://www.askdrsears.com/topics/breastfeeding/faqs/getting-enough-milk-how-tell
Tradução livre de Bianca Balassiano Najm http://www.possoamamentar.com.br

0

Brasileiras estão mais conscientes a respeito da amamentação.

Por: Max Milliano Melo

Qual a posição correta de segurar o bebê na hora da amamentação? O que fazer para evitar que os seios machuquem durante o aleitamento? Essas são algumas dúvidas que assolam as mães, sejam elas de primeira viagem ou não. Para especialistas, no entanto, melhor que aprender errando é se informar antes. Cursos, disponíveis na rede pública de saúde, são indicados para evitar que as primeiras refeições dos pequenos se tornem um pesadelo para as mães.

Para o pediatra Luciano Borges Santiago, diretor do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), amamentar não tem segredo. Ele explica que a melhor forma de aprender as técnicas corretas de amamentação é por meio de cursos pré-natais. “Hoje existem inúmeras instituições que oferecem esses cursos, desde bancos de leites e unidades básicas de saúde a planos de saúde”, afirma o especialista. “Nesses ambientes, todas as dúvidas que as mães tiverem podem ser sanadas”, completa o médico.

Entre as questões mais comuns levantadas pelas gestantes está a produção e a qualidade de leite de cada mãe. “No Brasil, existe um mito de que o leite materno pode ser fraco ou insuficiente para amamentar uma criança, o que é uma inverdade”, afirma Santiago. A orientação da SBP é que o peito seja a única fonte de alimentação da criança até os 6 meses de idade, sendo complementada com outros alimentos depois disso.

Muitas mães reclamam que, devido à sucção do bebê, os mamilos incham, racham e chegam a sangrar. Os especialistas afirmam, no entanto, que isso não é normal. “Se alguns desses problemas acontecem é porque a criança não está sendo colocada na posição correta”, afirma Santiago. Nesses casos, sempre surgem soluções caseiras, como usar cremes hidratantes ou outros tipos de substâncias. Mas as mamães devem ficar alertas. Por ser justamente a região onde o bebê coloca a boca, o uso de determinadas substâncias pode intoxicar o frágil organismo dos filhos. A solução é procurar um profissional especializado que ajude a identificar o que está causado o problema. Normalmente, os médicos receitam óleo mineral para aliviar o incômodo.

A estudante Majoy Vergueiro, 24 anos, recorreu a um curso de amamentação oferecido de graça pelo no Hospital Regional da Asa Sul (Hras), onde recebeu todas as informações sobre como amamentar o pequeno Ian, que na próxima semana completa 4 meses. “Fui logo na segunda semana depois que ele nasceu, foi ótimo. Me ensinaram como amamentar corretamente, como segurar o bebê e me deram um óleo para ajudar a diminuir as dores nos mamilos”, conta a mãe de primeira viagem.

A confiança adquirida no curso fez a jovem passar com tranquilidade pelas primeiras semanas do aleitamento, fase em que tanto mãe quanto filho ainda estão aprendendo a lidar com a amamentação. “No início dói um pouco, mas acho que isso é fruto do momento. Logo que se pega o jeito, esse problema fica facilmente controlável. Até me deram um óleo mineral, mas acho que foi adquirindo experiência que as coisas se resolveram”, conta Majoy.

O caminho percorrido pela estudante começa a ser seguido também pela operadora de caixa Luana Honorato, 20 anos. Hoje o pequeno Eurípedes Kauan completa seu primeiro mês de vida, e a mãe ainda está aprendendo a amamentar corretamente. “As enfermeiras ensinaram como fazer, mas nos primeiros dias realmente é um pouco difícil. Até pegar prática”, afirma Luana, que no começo tinha dificuldade para amamentar o pequeno.

Apesar dos desafios iniciais, ela não desistiu do aleitamento. “Acho que é mais saudável, pelo menos enquanto estiver de licença-maternidade”, conta a mãe. Isso deve acontecer quando o bebê completar 6 meses, idade recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a introdução de outros alimentos na dieta dos pequenos. “Mesmo assim, pretendo retirar leite para ele mamar em casa, e oferecer o peito quando chegar à noite”, afirma a mãe.

Consciência
Assim como Majoy e Luana, as mães brasileiras estão mais conscientes da importância da amamentação. Segundo levantamento do Ministério da Saúde, 41% das crianças recebem apenas o leite como alimento no primeiro meio ano de vida, conforme determina a OMS. “Há 20 anos, esse percentual era quase zero”, explica Elsa Giugliane, coordenadora da área técnica de Saúde da Criança do ministério. O tempo de amamentação também cresceu nas últimas décadas. “Hoje, em média, as crianças mamam por 18 meses. Em 1980, o período de amamentação se estendia por apenas dois meses e meio”, completa a especialista do MS.

A gestora comemora os avanços, mas admite que ainda há muito a ser feito. “Atualmente, cerca de 70% das crianças mamam no peito, um percentual bastante alto se considerarmos como era esse índice décadas atrás, quando amamentar era considerado fora de moda, e a maioria das mães recorria a fórmulas industrializadas”, afirma Elsa. Segundo ela, para que esse índice seja ainda mais alto, é preciso uma ação de toda a sociedade. “A amamentação passa pelo chefe, que precisa liberar a funcionária para que ela possa amamentar, e pela família, que tem de criar condições em casa para a mãe ter tempo disponível. Enfim, é uma questão que vai muito além do desejo da mãe”, conclui.

Cientes da importância do leite materno, e de seu papel na saúde dos mais pequenos, mesmo quando a criança não pode — ou não consegue — sugar o leite do peito, mães se esforçam para oferecer esse rico alimento a elas. Assim é com a técnica de enfermagem Laudiene Alves Costa, 25 anos. Seu filho Luiz Gustavo, hoje com 1 ano e 7 meses, passou por maus bocados. Com problemas nos rins e no aparelho digestivo, o garoto ficou muito tempo internado. Isso não demoveu a mãe do desejo de dar o peito. “Desde pequenininho, quando ele ainda ficava na encubadora, eu tirava o leite manualmente e dava pra ele”, conta a mãe.

Mesmo quando o menino, hoje praticamente recuperado, não conseguia engolir, o leite da mãe continuou sendo seu alimento. “Nas fases mais complicadas ele tomava o leite pela sonda. Às vezes, eu tinha que tirá-lo a cada três horas”, relembra Laudiene. Hoje com o menino tranquilo, e com a saúde estável, ela tem certeza de que faz a coisa certa. “O leite foi importante para ele ganhar peso e se fortalecer. Claro que os cuidados médicos foram importantes, mas acho que o leite do peito teve um papel fundamental na recuperação dele”, conclui.

Aprendendo a mamar

Veja como ajudar o bebê a “pegar” a mama:

» 1º – Tocar os lábios do bebê com o mamilo

» 2º – Direcionar o mamilo para o palato do bebê

» 3º – Esperar até que a boca esteja bem aberta

» 4º – Nessa altura, trazer o bebê rapidamente à mama

» 5º – A mão deve estar em forma de C — com os quatro dedos contra a parede do tórax debaixo da mama; com o indicador apoiando a mama por baixo e o polegar acima da auréola.

Dicas

» Verifique se o nariz e o queixo do bebê ficam junto à mama

» A cabeça do bebê deve estar alinhada com o resto do corpo; a criança não deve ficar de lado na hora de mamar

» Durante a amamentação, deve-se ouvir a deglutição, ou seja, o barulho do bebê engolindo o leite

» Atenção para a mão da mãe não ficar próxima demais do mamilo. Isso dificulta a sucção pelo bebê

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br

0

Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno em Municípios Brasileiros.

O aleitamento materno é a estratégia isolada que mais previne mortes infantis, além de promover a saúde física, mental e psíquica da criança e da mulher que amamenta. Recomenda-se o aleitamento materno por dois anos ou mais, sendo exclusivo nos primeiros seis meses de vida. A promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno é uma das linhas de cuidado prioritárias da Área Técnica de Saúde da Criança e Aleitamento Materno/ DAPES/ SAS do Ministério da Saúde. Faz parte do elenco de estratégias para a redução da mortalidade infantil, compromisso assumido pelo Brasil em nível internacional (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio) e nacional, por meio do Pacto de Redução da Mortalidade Materna e Neonatal, Pacto pela Vida, Programa Mais Saúde. Recentemente, foi firmado o Termo de Compromisso entre o governo federal e os governos estaduais (estados da Região Nordeste e Amazônia Legal), como estratégia de redução das desigualdades regionais.
Graças a pesquisas de âmbito nacional é possível constatar que, desde a implantação do Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento Materno, no início da década de 80, os índices de aleitamento materno no País vêm aumentando gradativamente, mas ainda encontram-se aquém do considerado satisfatório.

Em 1999, o Ministério da Saúde coordenou um inquérito sobre amamentação durante a campanha nacional de vacinação em todas as capitais brasileiras (exceto o Rio de Janeiro). Essa pesquisa trouxe contribuições importantes para a análise da situação da amamentação no País e para a formulação de políticas no âmbito dos estados e regiões analisadas. Passados quase 10 anos, era inadiável a realização de um novo inquérito para verificar a situação atual e a evolução da amamentação e da alimentação complementar no País, dando subsídios para uma avaliação dos avanços ocorridos e planejamento das ações. Assim, foi realizada, em outubro de 2008, a II Pesquisa de Prevalência do Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e Distrito Federal – PPAM/Capitais e DF. O estudo foi financiado pelo Ministério da Saúde por meio de convênio firmado junto à Fiocruz, e coordenado por uma equipe composta por pesquisadores do Instituto de Saúde da SES/SP e da Área Técnica de Saúde da Criança do MS. Trata-se, portanto, da segunda pesquisa de âmbito nacional sobre aleitamento materno realizada pelo MS com a mesma metodologia, segundo a qual um questionário sobre práticas alimentares no primeiro ano de vida é aplicado em amostras representativas das capitais e DF, no momento da campanha de multivacinação. A realização da pesquisa foi possível graças ao apoio do Programa Nacional de Imunização, do envolvimento das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde e, em vários estados, de parcerias com as universidades. Todas as capitais realizaram o inquérito e, em vários estados, houve adesão de outros municípios. Assim, o estudo, na sua íntegra, contou com a participação de 266 municípios e aproximadamente 120.000 crianças menores de um ano de todo o País. A situação do aleitamento materno e da alimentação complementar nas capitais e DF foi objeto de publicação do Ministério da Saúde6, e lançada por ocasião da Semana Mundial da Amamentação de 2009. Este relatório apresenta informações sobre 227 municípios que participaram da pesquisa em 2008 e inseriram seus dados no sistema on-line desenvolvido para esse fim.

Os dados coletados fornecem informações sobre as diferentes modalidades de aleitamento materno. Espera-se que eles forneçam subsídios para o planejamento e avaliação da Política Nacional de Aleitamento Materno em todas as esferas de gestão (federal, estadual e municipal), e também de ações de grupos e organizações não governamentais que atuam na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno.

Clique abaixo para baixar as pesquisas completas

pesquisa 2009

pesquisa 2010

0

imagem: capa da revista La Santé de l’homme n° 408

A revista francesa La Santé de l’homme (A Saúde Humana), do Instituto Nacional de Educação e Prevenção da Saúde da França, publicou na edição nº 408 (julho a outubro de 2010) a experiência do governo brasileiro na gestão das políticas públicas de incentivo ao aleitamento materno. O texto traz informações sobre o histórico da amamentação no Brasil, as iniciativas criadas pelo Ministério da Saúde para aumentar as taxas de amamentação e os desafios e obstáculos que o País ainda enfrenta. O conteúdo foi publicado a partir da página 34, nessa edição criada especialmente para tratar do tema do aleitamento materno na França e no mundo. O artigo leva a assinatura da coordenadora da Área Técnica de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde, Elsa Giugliani, da coordenadora substituta da AT, Lílian Cordova do Espírito Santo, e da nutricionista Carolina Belomo de Souza, do Instituto de Pesquisa e Ensino em Saúde (INPES). O Instituto Nacional de Educação e Prevenção da Saúde é uma instituição da administração pública da França criada com o intuito de zelar por um sistema de saúde pública de qualidade.

Leia o artigo traduzido: La santé de l’homme

Fonte: portal.saude.gov.br

1

Nariz entupido, pode atrapalhar a amamentação.

O queixo e o nariz do bebê, numa boa pega, devem estar bem próximos das mamas. Mesmo que o bebê fique com o nariz encostado na mama, ele tem a possibilidade de respirar normalmente. O seu queixo e o seu nariz têm a conformação anatômica própria para o encaixe na mama. Não existe a menor necessidade de puxar a mama para trás, com o objetivo de liberar o nariz, como faziam antigamente, julgando que o bebê se sufocaria mantendo o nariz encostado na mama da mãe.

Se o bebê sentir algum desconforto na posição colocada, ele mesmo afastará a cabeça para respirar melhor, já que nada está forçando a cabeça contra a mama, isto é, são os ombros, que estão apoiados no braço da mãe, e a cabeça na dobra do cotovelo, deixando o pescoço livre para movimentação.

Com o nariz entupido por algum motivo, o bebê passa a fazer respiração mista, tanto oral quanto nasal,  se o grau de obstrução for grande,  ele respirará apenas pela boca. Levando em consideração que para mamar no peito, a respiração tem que ser predominantemente nasal, o bebê sente muita dificuldade de conciliar a respiração bucal, com a sucção, levando-o assim ao estresse. O bebê chora por não conseguir sugar. Além de aumentar as chances de engasgos.

Esse episódio é muito comum nos bebês recém-nascidos, que não passam pelas contrações do parto normal, e o líquido do nariz tem que ser retirado através de aspiração artificial. Para melhor esclarecimento, os bebês que nascem de parto normal, tem o privilégio de expulsar o líquido do nariz através das contrações, poucos são os que necessitam de aspiração no pós parto imediato.

Manter as narinas limpas e desobstruídas permite a criança mamar livremente. Caso necessário, consulte o pediatra para saber a melhor forma de limpar as narinas do seu bebê, permitindo assim maior conforto para as mamadas.

Por: Fabiola Costa

0

Fim da amamentação pode trazer angústia para mulheres.

 

MARIA CAROLINA NOMURA
colaboração para a Folha

Depois do corte do cordão umbilical, o desmame é a primeira separação significativa entre mãe e bebê. Algumas mulheres podem se sentir tristes ou culpadas.

Segundo a pediatra Elsa Regina Giugliani, do Ministério da Saúde, esses sentimentos de perda são mais comuns em mães que não estavam preparadas emocionalmente para o fim da amamentação. “Às vezes, as mulheres dizem que querem desmamar, mas, inconscientemente, não estão prontas.”

Joel Rennó Jr., do Programa de Saúde Mental da Mulher do Instituto de Psiquiatria da USP, comenta que o luto é mais sentido em mulheres que veem a amamentação como um vínculo forte com a criança. “Sem essa ligação, elas se sentem desconectadas do filho”, afirma.

Apesar de na medicina não existir um quadro de depressão pós-demame, Rennó Jr. diz que é preciso estar atento aos sintomas de tristeza profunda ou angústia constante. “Algumas mulheres se sentem culpadas porque o desmame é feito devido a situações de trabalho. O importante é não banalizar nem patologizar o processo.”

Para que o fim do aleitamento ocorra sem traumas, o pediatra Luciano Borges, da Sociedade Brasileira de Pediatria, recomenda que seja gradual.

“Se tirar de uma vez, além de a criança se sentir abandonada, a mãe corre o risco de ter problemas como mastite [inflamação na mama causada por acúmulo de leite].”

Ele também aconselha que as mães amamentem por dois anos, quando as defesas do bebê ainda são precárias.

Ao descobrir que estava grávida do segundo filho, o primeiro pensamento da empresária Juliana Buccieri, 28, foi sobre como desmamaria o primogênito, de um ano e seis meses. “Ficava com receio de que ele se sentisse rejeitado ou achasse que eu não gostava mais dele.”

A solução foi substituir gradualmente a mamada por mamadeira, três meses antes de tirar o peito definitivamente. “São necessários muita conversa e carinho.”

Como tirar o peito do bebê

– Tenha paciência. O processo pode ser lento se a criança for muito pequena ou não estiver pronta.

– Planeje. Comece retirando uma mamada do dia a cada duas semanas, até ficar com só uma por dia.

– Evite atitudes que estimulem a criança a mamar, como se sentar na poltrona em que costumava amamentar.

– Prepare-se para mudanças físicas e emocionais que o desmame pode desencadear, como alteração do tamanho dos seios e de peso, além de sentimentos como alívio, tristeza e culpa.

Fontes: ELSA REGINA GIUGLIANI, do Ministério da Saúde, e LUCIANO BORGES, da Sociedade Brasileira de Pediatria