2

Desmame aos 3 meses: porque isso acontece?

Um bebê alimentado exclusivamente no seio materno, em livre demanda, sem a introdução de complementos, não desmama por livre e espontânea vontade aos 3 meses.

Essa semana recebi alguns telefonemas de mulheres solicitando atendimento, pois seus bebês que estavam com quase 3º meses e não queriam mais mamar no peito, rejeitavam a possibilidade de chegar perto da mama ou de deitar na posição de amamentação.

Todas as mulheres estavam complementando a amamentação com fórmulas e usando mamadeira, cada uma com seu motivo particular, mas todas iniciaram a complementação muito precocemente, antes do primeiro mês de vida do seu bebê.

Então, como podemos articular as dificuldades enfrentadas no terceiro mês de vida, pensando pela perspectiva do que levou esses bebês a “rejeitarem” o seio materno e privilegiarem o bico da mamadeira?

As complicações mais comuns no inicio da amamentação são:

– Dificuldade de pega, por não ter experimentado a amamentação no pós-parto imediato.
– Dificuldade de pega durante a apojadura, pois a mama fica túrgida e se não houver um esvaziamento da aréola, não ocorre uma boa flexibilidade do mamilo dificultando assim a pega e consequentemente conturbando a amamentação nos 3 dias que seguem a apojadura, podendo levar ao desmame ou a introdução do complemento;

– Dificuldade no manejo do aleitamento, tempo de oferta, livre demanda, boa pega, peito cheio e peito vazio, o que pode acarretar perda de peso e consequente introdução do complemento;

– Desinformação do profissional de saúde que acompanha a mulher, por não saber outras alternativas para oferecer o leite ao bebê, e acaba priorizando a mamadeira.

Não existe no mercado nacional e internacional nenhum bico de mamadeira que simule a perfeição do bico da mãe. O complexo aréola/mamilo que o bebê abocanha quando mama, preenche toda a cavidade oral, não permitindo a passagem de ar e nem de leite para nenhum outro orifício além da faringe. Os bicos de mamadeira mesmo os fisiológicos e os ortodônticos, que hoje são os mais vendidos no mercado nacional e internacional, não apresentam a mesma estrutura de preenchimento da boca que o seio materno, sobrando sempre espaço dentro da boca do bebê.  Além disso, o bebê quando mama no seio materno, usa um conjunto de músculos faciais, fazendo 4 movimentos diferentes durante a sucção. Quando mama na mamadeira faz apenas 2 movimentos faciais, usando poucos músculos faciais.

Com três meses os bebês começam a perceber o mundo ao seu redor. Sorri para a mãe e para outras pessoas, faz sons guturais tais como gugu, angu, gaga e já reconhece a chegada da alimentação. Então muito rapidamente o bebê percebe que o alimento que sai da mamadeira satisfaz a sua necessidade de fome e aquilo que sai do peito alimenta a necessidade de contato da mãe. Ele começa a perceber a diferença entre o peito e a mamadeira e acaba optando por um, que geralmente é a mamadeira. Além disso, aqueles movimentos musculares que eram feitos de forma diferente, também contribuem para o desmame, pois o bebê privilegia o movimento mais fácil, o da mamadeira, deixando de lado o movimento mais especializado que faz no seio materno, essa é a famosa confusão de bico, privilegiar a mamadeira porque o movimento muscular é mais simples.

Então é importante ressaltar que, se você está com problemas no início da amamentação, se o bebê não está ganhando peso; se você julga que seu leite não é suficiente; se está com dificuldade para colocar o bebê no peito, procure um profissional especializado em aleitamento materno.

Não agarre essa dificuldade inicial, que é comum a todas as mulheres, como uma dificuldade para sempre, procure resolver aos poucos. A amamentação é um logo processo de adaptação entre você e seu bebê.

Por: Fabiola Costa – fonoaudióloga e doula

0

Fim da amamentação pode trazer angústia para mulheres.

 

MARIA CAROLINA NOMURA
colaboração para a Folha

Depois do corte do cordão umbilical, o desmame é a primeira separação significativa entre mãe e bebê. Algumas mulheres podem se sentir tristes ou culpadas.

Segundo a pediatra Elsa Regina Giugliani, do Ministério da Saúde, esses sentimentos de perda são mais comuns em mães que não estavam preparadas emocionalmente para o fim da amamentação. “Às vezes, as mulheres dizem que querem desmamar, mas, inconscientemente, não estão prontas.”

Joel Rennó Jr., do Programa de Saúde Mental da Mulher do Instituto de Psiquiatria da USP, comenta que o luto é mais sentido em mulheres que veem a amamentação como um vínculo forte com a criança. “Sem essa ligação, elas se sentem desconectadas do filho”, afirma.

Apesar de na medicina não existir um quadro de depressão pós-demame, Rennó Jr. diz que é preciso estar atento aos sintomas de tristeza profunda ou angústia constante. “Algumas mulheres se sentem culpadas porque o desmame é feito devido a situações de trabalho. O importante é não banalizar nem patologizar o processo.”

Para que o fim do aleitamento ocorra sem traumas, o pediatra Luciano Borges, da Sociedade Brasileira de Pediatria, recomenda que seja gradual.

“Se tirar de uma vez, além de a criança se sentir abandonada, a mãe corre o risco de ter problemas como mastite [inflamação na mama causada por acúmulo de leite].”

Ele também aconselha que as mães amamentem por dois anos, quando as defesas do bebê ainda são precárias.

Ao descobrir que estava grávida do segundo filho, o primeiro pensamento da empresária Juliana Buccieri, 28, foi sobre como desmamaria o primogênito, de um ano e seis meses. “Ficava com receio de que ele se sentisse rejeitado ou achasse que eu não gostava mais dele.”

A solução foi substituir gradualmente a mamada por mamadeira, três meses antes de tirar o peito definitivamente. “São necessários muita conversa e carinho.”

Como tirar o peito do bebê

– Tenha paciência. O processo pode ser lento se a criança for muito pequena ou não estiver pronta.

– Planeje. Comece retirando uma mamada do dia a cada duas semanas, até ficar com só uma por dia.

– Evite atitudes que estimulem a criança a mamar, como se sentar na poltrona em que costumava amamentar.

– Prepare-se para mudanças físicas e emocionais que o desmame pode desencadear, como alteração do tamanho dos seios e de peso, além de sentimentos como alívio, tristeza e culpa.

Fontes: ELSA REGINA GIUGLIANI, do Ministério da Saúde, e LUCIANO BORGES, da Sociedade Brasileira de Pediatria

0

Desmame: o perdão da Amamentação

Vídeo apresentado pelo pediatra e neonatologista Carlos Eduardo Correa, na mesa redonda que debateu o desmame como questão cultural ou social, no Encontro Nacional de Aleitamento Materno 2010.

0

Considerações sobre o DESMAME.

Ter a certeza que chegou a hora, suportar o distanciamento necessário desse processo, não saber como reagir aos protestos dos bebês, sentir-se culpada por desejar o desmame, todas essas são questões que giram em torno desse momento. Recebo muitos e-mails, solicitando minha ajuda para o desmame, resolví então escrever meu olhar sobre o desmame.

A hora e o momento certo cada dupla ,mãe/bebê, vai encontrar. A OMS e o MAMAMIA recomendam aleitamento materno exclusivo (ALME) até o 6 mês, entende-se por ALME, uso exclusivo de leite materno, sem introdução de água, chás, sucos ou outros leites. Após os 6 meses, inicia a alimentação complementar e o aleitamento materno deve estender-se até os 2 anos, o leite materno não precisa sair completamente de cena e ser substituído por sopinhas, frutinhas… As duas fontes de alimentação podem ser  conciliadas.

Após o período de 6 meses de aleitamento materno exclusivo, o desmame fica a critério de cada dupla, mas cabe ressaltar que o leite materno ainda tem função imunológica importante até os 2 anos.  O desmame tal qual o nascimento, é um processo de separação entre mãe e bebê.  É muito importante que esse momento de separação aconteça no tempo certo para ambos.  Não sou a favor do desmame traumático, aqueles que as mulheres passam coisas no bico do peito para ficar com gosto ruim, ou que pintam de vermelho para dizer que está machucado… Como tudo que gera crescimento, o desmame também é uma etapa dolorida e deve ser conduzida com muito cuidado.

É muito importante que a mãe solicite ajuda de alguém próximo, o pai, a avó, alguém que possa dar suporte para os momentos de maior dificuldade.  A postura e o desejo da mãe são importantíssimos nesse processo, o sofrimento é intrínseco a toda separação, então sentir-se segura de que a hora do desmame chegou é imprescindível.

Aqui vão algumas dicas, para iniciar o processo:

Nada de excessos, tirar radicalmente o peito será traumático para o bebê e dolorido para você.

Limite as idas ao peito, dizer não em alguns momentos pode ser importante para iniciar a separação.

Ofereça outros atrativos quando não for o momento de mamar.

Mantenha calma, o bebê vai protestar com certeza.

Boa sorte, crescer faz parte da vida, ofereça um crescimento saudável para o seu filho!