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A relação entre a mãe e o bebê prematuro internado em UTI neonatal

The relationship of the mother and the premature baby in Neonatal Intensive Care Units

Por: Elisa Motta Iungano

Resumo
A psicologia e a psicanálise atribuem inestimável importância à relação primária entre mãe e bebê, importante para a construção psíquica, afetiva e social deste. Para a mulher o processo de tornar-se mãe provoca transformações profundas e abrangentes. A gestação e maternidade despertam conflitos e conteúdos inconscientes, que influenciam na qualidade da ligação que estabelecerá com o filho. É uma relação permeada de sentimentos intensos e ambivalentes. O período de gestação e os primeiros tempos após o nascimento são essenciais para a construção do vínculo e têm repercussões duradouras. A prematuridade representa uma interrupção brusca nesta interação, afetando a dinâmica familiar, gerando um afastamento precoce e diversas rupturas no estabelecimento de relação entre mãe e filho. A hospitalização prolongada pode acarretar riscos para o desenvolvimento físico e psíquico do recém-nascido. Alguns procedimentos têm sido adotados como forma de preservar a humanidade do prematuro e o contato com a mãe. O trabalho de psicologia se insere nesta área através de estratégias de avaliação, prevenção e promoção de saúde psíquica. Espera-se oferecer à população envolvida a possibilidade de conscientização e mobilização de recursos para enfrentamento da situação, a fim de alcançar a integração entre a maternidade e o contexto adverso em que ela se iniciou.

Introdução
A importância do investimento na maternidade quando ameaçada pela prematuridade é proporcional à importância atribuída à relação mãe-filho pela psicologia. Autores como Winnicott e Spitz fazem alusão ao ambiente neonatal propício ao desenvolvimento psíquico, centralizando-se na interação mãe-bebê. Teóricos como Bowlby consideram o período neonatal essencial para o estabelecimento do vínculo e desenvolvimento psíquico e emocional da criança.
Questiona-se como se estabelece esta relação quando o período perinatal é tumultuado pelo nascimento prematuro. No plano fisiológico este evento é hoje contornado com altos índices de sucesso. A vida do bebê é salva, mas o que se pode dizer dos vestígios corporais e psíquicos ao final da internação? E sobre a experiência do bebê, que teve sua vida “suspensa”, indefinida? Os investimentos afetivos sobre ele teriam também ficado em suspenso? Que transformações teriam sofrido?
Este trabalho não se propõe a descrever formas de enfrentamento padronizadas de mães e bebês prematuros, mas utilizar a experiência com esta população para buscar uma compreensão mais ampliada sobre a maternidade no contexto da prematuridade, contribuindo também para a atuação dos profissionais envolvidos.

Maternidade
O termo maternidade abrange diversas dimensões de significado. Uma das definições seria a condição de ser mãe ou a relação com o filho. Esta relação tem início antes da gestação e remete a conteúdos inconscientes arcaicos que envolvem elementos filogenéticos, culturais, familiares e ontogenéticos.
É consensual para a Psicologia a importância das primeiras relações. A mãe é considerada a principal referência emocional no início da vida. Em grande parte, todas as relações interpessoais remontam à relação primária com a figura materna*. Daí se conclui a importância do investimento nesta área.
É fundamental mencionar as transformações psíquicas que acontecem no processo de tornar-se mãe. Dentre os autores que abordaram o tema se destaca Winnicott, que descreveu o estado de preocupação primária (1956), típico do final da gravidez e pós-parto, quando a mulher dirige seu foco de atenção e investimentos para o bebê. Caracteriza este estado a regressão emocional da mãe à sua infância, que propicia a identificação com o bebê, tornando-a mais apta a compreender e atender às suas necessidades. Bydlowski (2002) e Bertrand e Palacio-Espasa (1993) abordam o funcionamento psíquico perinatal, que pode variar de uma sensibilidade contextualizada às transformações vividas até estados psicopatológicos. Para Stern (1999), a mãe entra em uma nova organização psíquica.
A dimensão sociocultural da maternidade vem sendo discutida por diferentes áreas. Confunde-se com atributos a ela associados, tais como amor, dedicação e abnegação. Frequentemente idealizados e entendidos como instintivos, intrínsecos à feminilidade, foram relativizados por estudos recentes. Maldonado (1999) faz uma revisão sócio-histórica sobre maternidade e amor materno, mostrando que tais conceitos são em parte construídos culturalmente.
A maternidade é um espaço de idealizações, expectativas e ambivalências, mas este último atributo não tem visibilidade. A gravidez é retratada como um estado de completude. Acompanhar de perto esta realidade é constatar que ela não é tão idílica, ainda que não haja imprevistos. Szejer e Stewart (1997) tratam sobre a dificuldade da separação entre mãe e bebê, mesmo em partos a termo. Mathelin (2005) ressalta que desde o nascimento o bebê não está mais no ventre da mãe e, portanto, já existe falta. Esta perda de completude é em geral parcialmente compensada pela presença do bebê ao lado da mãe.
O amor materno tem caráter narcísico. A identificação é tão forte que o despreparo do bebê para a vida pode criar uma condição insegura para que a mulher se construa como mãe. Sua estrutura psíquica contribui para que esta crise seja vivida com sucesso. Isso depende de fatores inconscientes, que podem emergir fortemente. A contextualização familiar e social e o suporte recebido podem desempenhar papel protetor.

Desenvolvimento psíquico
A compreensão dos processos psíquicos passou a abranger estudos sobre o feto. A formação do psiquismo é entendida como uma interação entre influências genéticas e ambientais. Tem sido explorada por autores como Wilheim (2003) a psicologia pré e perinatal, que aborda a possibilidade de esta interação ocorrer antes do nascimento. Considera-se que quanto mais primitivas, mais determinantes são as experiências. Cunha (2001), que defende que o cérebro é moldado pelas experiências e emoções vividas durante os primeiros anos, discute as consequências deletérias da privação do contato com a mãe para bebês pré-termo.
Grande parte dos estudos diz respeito ao recém-nascido a termo ou ao desenvolvimento pré-natal. A contradição existe quando o desenvolvimento que costuma se dar no útero é finalizado fora dele. As competências do recém-nascido não se aplicam ao prematuro, portanto, torna-se importante pensar em potencialidades, que serão ou não desenvolvidas em função dos cuidados ambientais.
Maury (1999) descreve o desenvolvimento de quatro subsistemas no feto: autônomo motor organização de sono e atenção-interação social. O último funciona somente após o estabelecimento dos outros três e alcança o amadurecimento na 36ª semana. Silva (2005) acrescenta mais um subsistema, o regulador, que engloba as estratégias usadas pelo bebê para se manter no estado de equilíbrio em meio a estímulos corporais e ambientais. Conclui-se que a relação entre mãe e bebê prematuro não pode acontecer como com um bebê a termo, com mais potencialidades desenvolvidas.
A separação entre psique e corpo é, no prematuro, bastante abstrata, já que seu aparato em desenvolvimento não tem a complexidade que permite fazer tal distinção. O estudo do seu psiquismo não pode ser dissociado da fisiologia, até porque o corpo e suas manifestações são os meios disponíveis para conhecê-lo. Quando um bebê está comprometido por sua fragilidade física, ficam prejudicadas as percepções de suas manifestações. A espontaneidade e interação limitadas restringem as comunicações com o bebê. Não é correto afirmar que a subjetividade não pode se construir neste contexto – a questão é como se dá este processo.
Golse (2003) ressalta que ao considerar o bebê como portador de psiquismo e subjetividade, é necessário admitir a possibilidade de sofrimento. A saúde neste âmbito tem características sutis. O bebê, como todo humano, tem sua história, que, aliada a suas potencialidades, o constrói como sujeito. O desenvolvimento psíquico depende de investimento afetivo, que se traduz como cuidado, maternagem ou amor parental. Para o recém-nascido não há diferenciação entre corpo e ambiente – e este em geral se concentra nos cuidados providos pela mãe (Spitz, 1979, Winnicott, 2006). A simbiose é mais importante nesta fase do que em qualquer outra da vida da criança.

Prematuridade e UTI neonatal
A neonatologia é uma ciência recente e, apesar do conhecimento sobre o processo gestacional, o nascimento pré-termo nem sempre tem causas definidas. Para Maldonado, o parto pode ser considerado um evento psicossomático, determinado “por inúmeras facetas do contexto sociocultural, da individualidade físico-psicológica da parturiente e do contexto assistencial” (1999, p.71). Mathelin (1999) aborda a prematuridade como um possível sintoma, fazendo sentido em relação à história e ao psiquismo da mulher ou família.
Assim como Winnicott enunciou que um bebê deve ser considerado como parte de seu ambiente, não é possível falar sobre prematuridade sem considerar as condições de tratamento. A UTI neonatal é um termo que carrega uma contradição, ao referir-se ao início da vida e ao risco de morte. Sobrevivência e desenvolvimento dependem do maquinário, de medicamentos e profissionais atuantes neste contexto e que se tornam o mundo do prematuro. Diferente do que acontece com bebês a termo, eles têm seus ciclos regulados por contingências diferentes de suas necessidades. Dificilmente dormem sem ser acordados, a alimentação segue horários determinados e há interferências e estímulos constantes.
Enquanto é providenciada a sobrevivência, sua vida fica incerta, com a característica fronteiriça de um ser que pode morrer, mas carrega a esperança de um “bebê em potencial”. Quando vive, alguns fantasmas resistem. As sequelas da prematuridade, os possíveis efeitos da hospitalização e o estigma de fragilidade podem ser os principais. Assim como o corpo pode ficar marcado por essa experiência primitiva, há o risco, menos observável e mensurável, de consequências psíquicas. Neste âmbito as preocupações se voltam para os cuidados contingentes (Silva, 2005), que consideram e buscam adaptar-se às características e necessidades especiais do prematuro.

A relação mãe-bebê no contexto da prematuridade
Considerando a singularidade das relações entre mãe e filho, as transformações e conflitos vividos na fase perinatal, conclui-se a importância do cuidado nas ocasiões de risco. A situação de UTI neonatal, bem como as intervenções psicológicas a serem feitas, encontra-se no limiar do profilático, pois a prematuridade e sua complexidade já estão expostas. Em vez de prevenir o sofrimento, trabalhar através dele pode trazer consciência e mobilizar recursos.
Entre mãe e bebê há um estilo próprio de interação. Quando se introduz cortes na relação, novos elementos entram em sua constituição. A mãe, que em geral atua em função da identificação com o bebê e da percepção intuitiva de suas necessidades, pode ser impedida de proporcionar e viver sensações para as quais se preparou. É possível que o prematuro não esteja pronto para viver essa interação sem se desorganizar. Suas necessidades ultrapassam as possibilidades da maternagem e seu ambiente familiar não pode se adaptar a elas.
É possível que a mãe, também prematura, não esteja preparada. Em um estado de regressão, revivendo sua posição de filha e fazendo a transição para a de mãe, passa por uma espécie de limbo. É uma realidade descrita como um intervalo, em que ela deu à luz, mas não pode “atingir a completude da função materna” (Brito e Pessoa, 2006). Não há lugar psíquico ou social para esta experiência. Existem, frequentemente, expectativas para que ela se adapte logo à situação e se aproprie deste papel, o que é impossível em muitos casos.
Como apontam Guedeney e Lebovici (1999), a hospitalização do bebê rompe uma interação de intensa afetividade. Esta interatividade se dá entre a mãe e dois bebês: o que existe em seu útero e o do seu imaginário. O nascimento prematuro corta as duas relações, instaurando outra realidade. O bebê real provoca reações intensas e ambivalentes. Diferente se atuar como receptáculo, tem características próprias e, mesmo fragilizado, comporta-se, reage e se relaciona de maneira própria, o que pode encantar e assustar. É necessário conhecer este filho e aos poucos desfazer o vínculo com o bebê idealizado, em um trabalho de luto (Camarotti, 2000).
Não somente a imagem do bebê está implicada, mas a da própria mãe. Identificada com o filho, ela pode se ver como insuficiente, produtora de um bebê falho. O investimento afetivo, necessário para a construção psíquica, é prejudicado quando o objeto no qual a mãe deve investir remete à sua imperfeição. As fantasias e significações atribuídas pela mãe aos acontecimentos perinatais podem ter influência nas representações psíquicas do bebê, da maternidade e de si mesma. A ambivalência comum a todas as gestações pode, aliada ao parto prematuro, produzir culpa.
O ambiente acolhedor exerce grande importância na proteção da mãe diante das exigências da realidade, para que ela possa ocupar-se do bebê. Porém, a falta de representação social, a necessidade de presença constante junto ao bebê e fatores emocionais podem causar o afastamento da puérpera de sua rede social, ocasionando sentimento de desamparo. A equipe médica e de apoio ocupa um lugar ambivalente em muitos casos é glorificada e vista como salvadora é frequente, porém, que apareça nas fantasias maternas como agente de separação entre ela e o bebê, substituta competente para sua função ou juiz de sua incapacidade (Druon, 1999). As necessidades do bebê podem fazer com que a mãe ocupe uma posição mais de suporte à equipe que de maternagem, acentuando esta percepção.
A tendência atual em UTIs neonatais é promover a participação das famílias e o contato precoce com a mãe, uma provável consequência do conhecimento sobre a importância do vínculo. Este tipo de medida, ainda que aconteça sob algumas limitações, tem efeitos benéficos sobre o bebê e seus pais. É possível observar a influência do investimento dos pais no desenvolvimento do prematuro. Isto não significa que haja relação direta entre tempo ou afeto dispensado ao bebê e sua recuperação. Existem fatores menos objetivos a serem observados.
Espera-se preservar mais que as funções orgânicas do bebê. A permissão e estímulo ao contato são avanços fundamentais para atribuir humanidade ao prematuro e oferecer tratamento condizente com esta condição. Não se trata de negar a prematuridade e hospitalização ou promover os procedimentos citados como solução para todos os problemas decorrentes da internação. Pensar em seus benefícios implica considerar as faltas e privações e integrá-las à história do bebê. A partir disso se pode administrar a nova realidade, fazendo uso dos recursos disponíveis e, na medida do possível, resgatando a pessoalidade. Nesta acepção, faz sentido o termo humanização.
Cuidado análogo deve ser tomado pelo profissional de psicologia nesta área. Muitas vezes a demanda é de fortalecimento da parentalidade, promoção do vínculo e alívio do sofrimento, nem sempre acompanhada do questionamento sobre as condições para que isso aconteça. Ao psicólogo que adentra na complexidade da maternidade em contexto de risco cabe não agir impulsionado pelas mesmas ansiedades e manter a postura de observação e reflexão.

Considerações finais
Foram discutidos alguns fatores da relação mãe-bebê, desencontros relacionados à prematuridade e elaborações teóricas. Podem ser interessantes interlocuções com a prática em um serviço de psicologia de uma UTI neonatal. O contato com a população retratada torna vívida a sensação da confluência primária entre mãe e filho. Realidades como a da prematuridade causam estranhamento e parecem não ter visibilidade social. É provável que não haja interesse em entrar em contato com esta problemática, por representar uma ameaça. A maioria das mães de prematuros chega a esta realidade sem qualquer conhecimento prévio, o que contribui para a mistificação e vergonha.
O abismo entre a maternidade idealizada e a prematuridade dificulta a adaptação da mãe à nova realidade. Ao mesmo tempo em que se despediu do feto em seu ventre, não teve acesso ao bebê como imaginava. Não apenas o bebê, mas tudo que é associado à maternidade é temporariamente interditado. O período pós-natal, marcado por referências desconhecidas, dificulta a apropriação do papel de mãe.
A forma como cada pessoa lida com esta situação é variável e imprevisível. Algumas mães assumem postura resignada, transferindo à equipe o cuidado com o bebê e confiando mais em referenciais científicos do que em sua percepção e saber. Frequentemente inseguras têm dificuldade em buscar seu lugar e o acesso ao filho. No extremo oposto há mães que procuram assumir todosos cuidados com o filho, rejeitando quem se interpõe entre eles. Outras parecem dominadas pelos medos de si própria, de sua destrutividade e do bebê que a lembra de sua falha.
A ambivalência presente em todas as gestações pode ter sua polaridade negativa confirmada pela prematuridade. Desejos e sentimentos destrutivos em relação ao bebê são raramente verbalizados, mas presentes nas entrelinhas do discurso de puérperas. São frequentes fantasias de que a falta de amor e desejo pelo bebê provocaram acontecimentos dramáticos. Sentindo-se culpada e impotente, a mãe pode se ver incapaz de investimentos no filho. Algumas intervenções podem mobilizar recursos psíquicos. O reconhecimento e conscientização das imagens criadas podem reconduzi-la ao real, possibilitando a interrupção deste ciclo. O trauma, então, pode ser enxergado e falado, perdendo potência. Trazer à tona o bebê do inconsciente dos pais permite que ele seja elaborado. Inscrever o bebê real no seu discurso é, por sua vez, importante para criar um lugar que permita sua existência em todas as dimensões.
A angústia não deve ser eliminada, mas acolhida, em busca de elaboração. A escuta tem grande valor, possibilitando a expressão e conscientização de medos e expectativas. Ao psicólogo não cabe introduzir na mãe os desejos da equipe, mas proporcionar espaço para que ela possa perceber e expressar os seus. Auxiliar no estabelecimento do vínculo se trata, mais que promover contato, de oferecer tempo, espaço e receptividade. O trabalho de psicologia nesta área busca a possibilidade de integração entre a maternidade e o contexto adverso em que ela se iniciou. A qualidade das relações entre mãe, bebê e o ambiente dependem desta integração.


Bibliografia
1. Bertrand, Cramer e Palacio Espasa, Francisco. Técnicas Psicoterápicas mãe/bebê. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
2. Bydlowski, M., (2002) O Olhar interior da Mulher Grávida In: Filho, C.L. Corrêa, M.C. França, P.S. (orgs.). Novos Olhares sobre a Gestação e a Criança até os 3 anos. Brasília: Ed LGE Editora Limitada. 2002. Pp. 205-214.
3. Brito, Maria Haydée Pessoa, Vera Lúcia Mendes de Paula. Um perfil da mãe prematura. In: Melgaço, Rosely Gazire (org.). A ética na atenção ao bebê: Psicanálise-Saúde-Educação. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006. Pp. 115-123.
4. Camarotti, Maria do Carmo. De braços vazios: uma separação precoce. In: Rohenkohl, Cláudia Mascarenhas Fernandes. A clínica com o bebê. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.
5. Cunha, Iole da. A revolução dos bebês: Aspectos de como as emoções esculpem o cérebro e geram os comportamentos no período pré e perinatal. In: Psicanalítica – a revista da SPRJ. Vol II. Nº 1. Pp. 102-128. 2001.
6. Druon, Catherine. Ajuda ao bebê e aos seus pais em terapia intensiva neonatal. In: Wanderley, Daniele de Brito (org.). Agora eu era o rei: os entraves da prematuridade. Salvador: Ágalma, 1999.
7. Golse, Bernard. Sobre a psicoterapia pais bebê: narratividade, filiação e transmissão. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003
8. Guedeney, A. e Lebovici, S. Intervenções psicoterápicas pais/bebê. Porto Alegre: Artmed, 1999.
9. Maldonado, Maria Tereza. Psicologia da gravidez: parto e puerpério. São Paulo: Saraiva, 1999.
10. Mathelin, Catherine. O sorriso da Gioconda: clínica psicanalítica com os bebês prematuros. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 1999.
11. Maury, Michele. Intervenções Psicoterápicas nos bebês e seus pais no hospital. In: Guedeney, A. e Lebovici, S. Intervenções psicoterápicas pais/bebê. Porto Alegre: Artmed, 1999. Pp119-133.
12. Silva, Ricardo Nunes Moreira da. Cuidados Voltados para o desenvolvimento do pré-termo na UTI Neonatal. In: Alves Filho & Trindade, Manoel de Carvalho e José Maria de Andrade Lopes editores. Avanços em Perinatologia. Rio de Janeiro: MEDSI/Guanabara Koogan, 2005. Pp.35-50.
13. Spitz, René A. O primeiro ano de vida. São Paulo: Martins Fontes, 1979.
14. Stern, Daniel N. A constelação da maternidade: o panorama da psicoterapia pais/bebê. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.
15. Szejer, Myriam e Stewart, Richard. Nove meses na vida da mulher – Uma abordagem psicanalítica da gravidez e nascimento. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997.
16. Wilheim, Joanna. O que é psicologia pré-natal. 3 ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.
17. Winnicott, Donald Woods (1956). A preocupação materna primária. In: Winnicott, D. W. Da pediatria à psicanálise: Obras escolhidas. Rio de Janeiro: Editora Imago, 2000, p. 399-405.
18. Winnicott, D.W. Os bebês e suas mães. São Paulo: Martins Fontes, 2006

Elisa Motta Iungano Psicóloga e psicoterapeuta. Aprimoramento clínico institucional na Clínica Psicológica Ana Maria Poppovic da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) na modalidade Psicossomática do bebê e da criança: abordagem winnicottiana. Aprimoramento na área de Maternidade e UTI Neonatal no Hospital e Maternidade São Luiz Endereço para correspondência:
Rua André Dreyfus, 209.
CEP 01252-010 – São Paulo – SP
Fones: (11) 8124-4693 / (11)38727521
E-mail: e_iungano@hotmail.com
Recebido para publicação em 10/2008.
Aceito em 02/2009.
© Copyright Moreira Jr. Editora.
Todos os direitos reservados.
Indexado na Lilacs Virtual sob nº LLXP: S0031-39202009002200012

 

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Amanhã em Niterói: Ciclo de debate para profissionais…

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Mais um, exemplo que vale a pena!

Na foto Ana Lúcia Toledo, com a filha mais velha Pietra (2 anos) e Luna, a menina, do seu casal de gêmeos.

Ana Lúcia Toledo, conhecida como AnaLú é organizadora do Ishtar Espaço para Gestantes-Recife, que é um grupo de apoio à gestante e ao parto ativo – pelo respeito ao tempo de gestar, parir e amamentar. O grupo está espalhado por todo Brasil, faz encontros gratuitos e periódicos.

Abaixo seguem os sites dos grupos espalhados pelo Brasil:

Belém: http://espacoishtarbelem.blogspot.com/

Brasília: http://ishtarbrasilia.blogspot.com/

Campina Grande: http://ishtarcampinagrande.blogspot.com/

Divinópolis: http://ishtardivinopolis.blogspot.com/

Fortaleza: http://ishtarfortaleza.blogspot.com/

João Pessoa: http://ishtarjoaopessoa.blogspot.com/

Rio de Janeiro: http://ishtar-rio.blogspot.com/

Recife: http://espacoishtar.blogspot.com/

Sorocaba: http://ishtarsorocaba.blogspot.com/

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Programa Sala de Convidados: Política de atenção ao parto e nascimento

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“A Música do bebê” – Musicoterapia na pré-concepção e gestação

Existe uma tribo na África onde a data de nascimento da criança não é contada nem a partir do dia em que ela nasceu nem a partir da concepção, porém a partir do dia em que a mãe pensou pela primeira vez na criança.

Assim, quando a mãe decide ter a criança, ela deixa a aldeia onde mora e vai sentar-se sozinha sob uma árvore. Ali ela permanece até que consiga ouvir a música da criança que deseja conceber.

Depois disso, retorna à aldeia e ensina a canção ao pai. Enquanto fazem amor para conceber a criança, eles cantam a sua canção como um convite para que se junte a eles.

Quando a mãe está grávida, ela ensina a canção da criança para as parteiras e anciãs da aldeia para que, durante o parto e no momento do nascimento, o bebê seja saudado com a sua canção.

Depois do nascimento, todos os moradores da aldeia aprendem a música e, à medida em que a criança cresce, eles a cantam quando ela cai ou se machuca.

A música é cantada também em situações de triunfo, em rituais ou iniciações. Essa canção torna-se parte da cerimônia de casamento quando a criança cresce.

E, no final da sua vida, os entes queridos se reúnem em volta do seu leito de morte e a entoam enquanto sua alma deixa o corpo, gradativamente. (PROPHET, 2001)

A música faz parte de toda a nossa vida, toda nossa história, toda a nossa formação física, mental e espiritual. Mas como explicar o porquê a música nos afeta tão profundamente?

Música é vibração e de acordo com a física quântica, tudo o que é matéria possui uma vibração, uma energia; ou seja, tudo é vibração e energia e tudo possui um som. Mesmo que inaudível ao nossos pequenos aparatos auditivos, esse som pode ser ouvido por aquele cuja a intuição e a mente se coloca além dos sentidos apenas físicos e se deixa ouvir os sons mais sutis presentes no Universo e dentro dele.

Com isso chegamos à grande questão da criação do Universo palpável, matéria. Relembrando o trecho da Bílblia: E o Verbo (palavra, Som) se fez carne (matéria, físico).  Do sOM, o Universo foi criado. Como somos um pedaço desse Universo, também fomos criados pelo sOM, também somos o Som, somos Música.

Por isso a grande importância da Música no restabelecimento da saúde. Concluímos então, que Música é saúde e a doença é uma dissonância. Um problema ‘musical’, pela falta de ‘harmonia’ no aspecto geral do ser humano.

“E se eu estou em plena desarmonia comigo, como será a ‘gestação’ de outro ser humano dentro de mim?”

Por essas e outras questões percebemos o quão importante é o tratamento na pré-concepção, concepção, gestação e nascimento da criança. Como nos fala Eleanor, do Projeto Luzes, da Ciência do início da vida, sitando Aivanhov, 1999:

Ao invés de o Estado continuar a gastar milhões com segurança, tribunais, saúde e escolas reformatórias; ao invés de continuar a criar reformas seculares que resultam em mudanças pouco significativas no padrão de problemas que a sociedade de todo o mundo enfrenta, seria mais eficiente, e infinitamente menos dispendioso, que o Estado se ocupasse em auxiliar a mulher grávida, concedendo-lhe todo o suporte de que precisaria para, unicamente, gestar. Criar centros gestacionais onde haja jardins, onde haja várias expressões de arte, e uma especialmente boa qualidade de alimento; lugares onde as grávidas possam participar de conferências e realizar práticas de meditação, tendo como foco unicamente uma esmerada educação deste ser que vai nascer, com um código genético muito aprimorado e com uma habilidade emocional e espiritual bem superior. Quantas são hoje as mulheres grávidas que vivem em condições de recursos mínimos, vítimas de violência? Que ser poderá vir a nascer, gerado por tais condições de estresse da mãe e tais condições de espírito dela? (AÏVANHOV, 1999)


A autora fala ainda da música como uma poderosa amplificadora da experiência da vida, hoje cientificamente comprovado; acrescentando que a musica é vista como a mais espiritual das artes, o que é essencial para a concepção consciente: “É questão de um casal dar-se conta de que freqüência ele está, até mesmo de que música ouve neste momento, assim como é importante que a grávida leve em conta a música que ouvirá durante a gravidez”. (Luzes, 2007)

Por essas e várias outras razões acreditamos na importância desse cuidado, acolhimento e expressão da mulher mesmo antes de se pensar ter o filho, quando se planeja ter um, ou mesmo durante a gestação. Porque, como diz Luzes, a educação da criança começa antes mesmo da concepção, com a boa preparação dos pais tanto física, mental, emocional e espiritual, para que o mesmo possa nascer com o primeiro direito de todo ser humano: Nascer em Plenitude.

E a Musicoterapia vem consideravelmente contribuir para esse conceber, gerar e nascer em plenitude do ser humano. Por isso, a importância de se ter um acompanhamento do médico, doula (profissinais que acompanham a gestante durante o pré-natal e o parto), atividades físicas direcionadas, hatha yoga e meditação e o acompanhamento de um psicoterapeuta e musicoterapeuta.

A Musicoterapia com as gestantes e aquelas que se preparam para esse sagrado momento é um grande começo para o restabelecimento da saúde da mãe, do bebê e do pai (se este for presente), na busca da saúde e harmonia plena; na busca do seu som e o som da criança.

Pois se tudo é som, nada melhor do que gerá-lo e acalentá-lo por sua tão esperada chegada ao útero e ao mundo. E se não foi esperado; buscar respostas, compreensão, perdão, aceitação e busca por um amor ainda em estado embrionário e que poderá, sem dúvidas, florescer; para o bem geral da mãe e do bebê.

Por:  Mt. Adriana Silvestre

Veja mais em:  http://www.adrianasilvestre.com.br/index.php

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DEZ PASSOS – Iniciativa Hospital Amigo da Criança.

Maternity by Picasso
Passo 1:
Ter uma norma escrita sobre aleitamento materno, que deve ser rotineiramente transmitida a toda a equipe de saúde.
Passo 2:

Treinar toda a equipe de saúde, capacitando-a para implementar esta norma.
Passo 3:

Orientar todas as gestantes sobre as vantagens e o manejo do aleitamento materno.
Passo4:

Ajudar as mães a iniciar o aleitamento materno na primeira meia hora após o nascimento do bebê.
Passo 5:

Mostrar às mães como amamentar e como manter a lactação, mesmo se vierem a ser separadas de seus filhos.
Passo 6:

Não dar ao recém-nascido nenhum outro alimento ou bebida além do leite materno, a não ser que tal procedimento tenha uma indicação médica.
Passo 7:

Praticar o alojamento conjunto – permitir que mãe e bebê permaneçam juntos – 24 horas por dia.
Passo 8:
Encorajar o aleitamento materno sob livre demanda.
Passo 9:

Não dar bicos artificiais ou chupetas a crianças amamentadas ao seio.
Passo 10:

Encaminhar as mães, por ocasião da alta hospitalar, para grupos de apoio ao aleitamento materno na comunidade ou em serviços de saúde.