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Mitos sobre o parto em casa: última parte.

Não há lugar melhor do que o lar para o nascimento de uma criança
Mito nº. 5 – Um hospital é o lugar mais confortável para ter um bebê
A idéia de estar confortável durante o parto de um bebê pode parecer impossível e impressionar muitas mães que tiveram seus bebês no hospital. Elas se lembram de estarem confinadas a uma cama de hospital, de não receberem água nem alimento, de serem separadas de seus outros filhos e membros da família e amigos que poderiam estar lhe dando apoio nessa hora, tolerando freqüentes exames de toques e verificação dos sinais vitais, sendo transferidas de uma sala para outra numa cama no auge das contrações mais intensas e tendo suas pernas levantadas e colocadas em um estribo para dar à luz.
As salas de parto e suas mobílias agradáveis são um esforço para eliminar um dos estresses e desconfortos que vêm de estar no ambiente estranho de um hospital.
Estudos mostram que o trabalho de parto pode ser comprometido por um ambiente não familiar.
Desconforto e medo podem, na verdade, aumentar a dor experimentada durante o parto, enquanto
que relaxamento pode diminuir o stress materno, aumentando o fluxo de oxigênio para o bebê e facilitando o trabalho de parto.
Em sua própria casa, uma mulher em trabalho de parto tem a vantagem do ambiente familiar. Ela pode se mover com liberdade, usar a roupa que desejar, tomar sucos ou chás estimulantes, continuar a cuidar de seus outros filhos, se ela estiver em condições para tal, relaxar numa banheira de água morna, ter seus pés massageados por amigos queridos e tentar diferentes posições para o parto. Um trabalho de parto normal é um estresse saudável para o bebê, limpando seus pulmões dos fluídos e preparando-o para sua primeira respiração fora do útero.
Após o parto, o bebê nunca é tirado de perto da mãe. A família inteira pode subir numa cama limpa para o muito necessário abraço e soneca. O vínculo emocional que toma lugar nos momentos após o parto entre a mãe e o bebê e entre o bebê e o resto da família promovem um melhor ser humano, encorajam a amamentação e a rápida recuperação da mãe.
Profissionais capacitados que atendem partos domiciliares existem, e estão disponíveis.
Mito nº 6 — É impossível achar um profissional qualificado para assistir meu parto em casa.
Enquanto discussões a respeito dos ‘prós e contras’ de partos não-hospitalares e a quem cabe a responsabilidade de assistí-los, continuam sendo feitas na comunidade médica e de especialistas, milhares de bebês saudáveis estão nascendo em seus próprios lares a cada ano.
No entanto, o parto domiciliar não é para todas as mulheres. É necessário que haja um alto grau de confiança no seu corpo, na sua saúde, e no conhecimento adquirido, além de um alto nível de auto-responsabilidade para ir contra a maioria que acredita que partos hospitalares são mais saudáveis e melhor.
Quando você estiver analisando o melhor local para o seu parto, leia livros indicados no Guia de Pesquisa deste site. Converse com mulheres que deram à luz em casa, em casas de parto, em clinicas, maternidades e em grandes hospitais. Discuta sobre isso e tire suas dúvidas com seu médico, ou parteira.
Converse com muitos profissionais adeptos ao parto humanizado que estiverem próximo à sua cidade. Avalie o nível de conhecimento, experiência prática, formação, filosofia e a cada descoberta, verifique se o trabalho dele é compatível com as suas expectativas. Apesar de a maioria dos obstetras realizar partos nos hospitais, alguns aceitam assistir partos em outros locais. Médicos especializados em clínica-geral que atendem gestantes, podem ser contatados, no entanto, ultimamente, nessa área, os riscos de erro médico é um pouco maior, e eles cobram mais caro.
Enfermeiras-obstétricas certificadas atendem em várias capitais, e em alguns hospitais realizam acompanhamento pré-natal, assim como nas clínicas e nas casas de parto. Parteiras bem treinadas e capacitadas são especialistas em partos normais. Algumas são diretoras de maternidades, e outras têm atendido gestantes de várias partes do país.
Nos EUA, em 1989, o custo médio que uma família costumava pagar por um parto hospitalar tradicional sem complicações, era de $4.334, segundo pesquisa do Seguro Americano de Saúde, realizada envolvendo 173 hospitais comunitários, 70 maternidades e 153 parteiras. [1]
Em 1989, a grande maioria das famílias americanas pagava cerca de $4.334 por um parto sem complicações no hospital.
O colapso dos custos por um parto hospitalar incluir uma taxa padrão do médico no valor de US$ 1.492,00 (R$ 3.500,00) para um parto normal e US$ 2.053,00 (R$ 4.800,00) para uma cesárea, e custos hospitalares (que não incluem outras taxas como os serviços por um anestesista) em torno de US$ 2.842,00 (R$ 6536,60).
Em vinte outros paises, mais crianças sobrevivem ao seu primeiro mês de vida, do que nos E.U.A.
Em 1989 a taxa média cobrada por uma parteira era $994.
Em 1989 a taxa média cobrada por uma parteira era de US$ 994,00 (cerca de R$ 2.300,00), um valor que normalmente inclui o cuidado pré-natal, aulas de parto e o material para o parto, enquanto que a taxa de um médico não inclui nada disso.
Qual tipo de atendimento de parto é o certo para você? Em alguns estados americanos, as escolhas são limitadas e baseadas nas leis que restringem a prática das parteiras. A ONG “Friends of Homebirth” (Amigas do Parto Domiciliar) foi fundada em 1989 com o alvo de trabalhar para garantir o direito das mulheres americanas para poder escolher um parto domiciliar com uma atendente treinada. O parto domiciliar é uma escolha razoável para muitas famílias e a legislação restritiva americana deve ceder ao direito Constitucional (americano) da escolha paterno-materna responsável.
Para encontrar alternativas de atendentes de parto, as americanas têm a opção de entrar em contato com educadoras perinatais e o grupo local da “La Leche League ”.
Referências:
1. Health Insurance Association of America, 1989, 1025 Connecticut Ave. NW, Washington D.C., 20036-3998.

Fonte: Friends of Homebirth por ONG Amigas do Parto

Tradução: Tricia Cavalcante L. Pacheco
Tradução e Revisão: Carla Beatriz Piuma Maise
*Autor: David Stewart, Ph.D., Executive Director, National Association of Parents and Professionals for Safe Alternatives in Childbirth (NAPSAC) International
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Mitos sobre o parto em casa: 3ª parte

A Tecnologia pode complicar um parto normal

Mito nº 3 — De quanta mais tecnologia você dispõe, mais fácil será o parto.
No esforço de evitar complicações cada vez mais cedo, e aumentar o nascimento de bebês saudáveis, a Medicina tem modificado o ambiente que envolve o parto de uma atmosfera de atenção, carinho e apoio à parturiente para uma atmosfera de Tecnologia, clínica, fria e moderna.
Apesar de a Tecnologia salvar vidas quando necessário, o uso rotineiro dela pode interferir no processo normal do parto e nascimento.
Cada intervenção médica em um trabalho de parto normal tem seus efeitos colaterais.
O modelo de parto hospitalar dos EUA tem a maior taxa de intervenções médicas
como também, uma grande quantidade de processos por erros médicos.
É comum nos hospitais o uso de soro e monitoramento eletrônico do feto para assegurar que a mãe permaneça hidratada e que as contrações e os batimentos cardíacos do bebê sejam gravados. No entanto, muitas mulheres não gostam de permanecer confinadas numa cama, com agulhas em seus braços e cintos presos à barriga.
Mulheres que são orientadas a permanecer ativas e livres durante o trabalho de parto, reclamam menos de dor nos quadris, e muitos especialistas em parto defendem a tese de que os movimentos e caminhadas durante esse período tornam as contrações mais eficazes.
Alguns hospitais ainda requerem que as mulheres permaneçam deitadas em decúbito dorsal, e que mantenham suas pernas levantadas nos estribos. Como essa posição coloca trabalho do útero contra a gravidade, e faz com que cada contração seja menos eficiente, algumas vezes é necessário se usar o fórceps de alivio para puxar o bebê pela vagina. Evidências cientificas mostram que o fórceps é raramente utilizado quando a mulher tem liberdade de assumir posições mais confortáveis durante o período expulsivo.
Obstetras freqüentemente rompem a bolsa das águas com um instrumento como forma de acelerar o processo do parto. Este procedimento automaticamente dá ao parto um tempo limite, já que a possibilidade de infecção hospitalar aumenta com cada hora que passa, após a bolsa ter sido rompida.
Uma vez que a bolsa que protege o bebê é eliminada, o cinto de monitoramento, usado para acompanhar as variações nos batimentos cardíacos do bebê, pode dar lugar ao monitoramento eletrônico fetal (ou eletrodo de escalpo) — uma ponta de eletrodo minúscula é presa ao couro cabeludo do bebê para continuar monitorando o coração e para coletar a informação sobre o sangue do bebê.
Cada uma dessas intervenções usadas em um trabalho de parto normal envolve um grau de risco, e ainda não foi comprovado que o uso desses procedimentos proporciona mais vantagens, elimina complicações ou torna o bebê mais sadio.
Um estudo recente publicado em um jornal médico prova que o uso rotineiro de monitoramento eletrônico fetal, comparado com o antigo modo de ouvir o coração do bebê após as contrações com fetoscópio, pode causar mais problemas de saúde do que prevenir [1]. Em oito experimentos clínicos randomizados, a mortalidade materna e neonatal não foi reduzida com o uso do monitoramento eletrônico fetal. E talvez, por causa do monitoramento eletrônico, cesáreas desnecessárias foram realizadas, além disso o resultado dos partos monitorados com fetoscópio foram bem melhores e mais positivos. [2]
Atualmente, pelo menos 25% das mulheres tem filho através de cirurgia. Compare esse dado com a taxa de 10% de cesárea em outros paises cuja mortalidade neonatal e materna é bem menor [3] .
Esses números indicam que nós não estamos conseguindo bons resultados praticando mais cesáreas.
Há várias décadas atrás, em um esforço para diminuir a dor do parto, médicos ofereciam rotineiramente drogas anestésicas às suas parturientes. Ao longo dos anos, o uso discriminado de muitos desses medicamentos, serviram de subsídios a estudos que revelaram que a droga usada como anestesia durante o trabalho de parto à mãe causa efeitos colaterais no bebê, incluindo asfixia, hipoxia, e danos ao cérebro e ao sistema nervoso [4].
As drogas ainda estão disponíveis para eliminar a dor do parto nos hospitais, apesar de que ainda não foi comprovado que essas drogas usadas como anestesia são realmente seguras para o bebê. [5]
Mulheres que utilizaram drogas anestésicas no trabalho de parto relataram diminuição no sentimento da relação mãe-filho e aumentaram a duração e a severidade da depressão pós-parto. [6]
O hormônio artificial ocitocina, uma droga ministrada para intensificar o trabalho de parto e aumentar as contrações uterinas após o parto também tem efeitos colaterais potenciais, incluindo casos raros de ruptura uterina e um leve aumento na icterícia do recém-nascido. [7]
Interferir no andamento natural do parto com uso indiscriminado de Tecnologia pode causar mais males do que benefícios.
Referências:
1. New England Journal of Medicine, March 1, 1990.
2. The Cutting Edge, Feb. 1990, p. 4, P.O. Box 1568, Clayton, GA 30525.
3. Birth Without Surgery, Carl Jones, 1987, p. xii.
4. The Five Standards of Safe Childbirth, 1981, Stewart, p. 185.
5. Ibid, p. 175
6. A Good Birth, A Safe Birth, 1990, Korte & Scaer, p. 18, 201-209.
7. The Five Standards of Safe Childbirth, 1981, Stewart, p. 300.
Germes normais domésticos não afetam a mãe ou o bebê

Mito Nº. 4 – O hospital é um lugar mais salutar para ter um bebê do que em casa.
A febre puerperal matou milhares de mulheres no século 19. Na época, os médicos, que também cuidavam dos doentes e moribundos, começaram a atender os partos nas clínicas. Como os hospitais se tornaram lugares para nascimentos e mortes, as infecções se tornaram uma praga para as gestantes e outros pacientes dos hospitais.
Cerca de 100 anos atrás, na Áustria, um médico chamado Ignaz Semmelweis tentou diminuir o número de mortes maternas por infecções, que eram altas, na taxa de 40% entre as mulheres que tinham seus bebês na maternidade do hospital de Viena. [1] Semmelweis descobriu que, simplesmente ao lavar as mãos entre a realização de autópsias e o atendimento a partos, a taxa de infecções causada por médicos diminuía drasticamente. Semmelweis foi ridicularizado pelos seus colegas e não foi senão até cinco anos após sua morte, que seus descobrimentos começaram a receber aceitação. Com o advento da técnica asséptica no final do século XIX e o desenvolvimento de antibióticos na década de 1940, uma gradual melhora foi vista. [Ed. Assim como bactérias resistentes têm se desenvolvido de maneira que estas não são afetadas pelos antibióticos, pode se esperar que essa tendência seja revertida, e podemos esperar ver um crescimento nas mortes por infecções adquiridas em hospitais.].
Na década de 30, estudos na cidade de New York e em Memphis, Tennessee, mostraram que menos mulheres morreram por infecções e hemorragias nos partos domiciliares do que as que morreram pelas mesmas complicações nos hospitais. [2]
Os procedimentos de controle de infecção altamente modernos e caros
não conseguem eliminar a causa das infecções nos hospitais.
Hoje em dia, os rigorosos e caros procedimentos de controle de infecção ainda não eliminaram as infecções nosocomiais, ou hospitalares, causadas por organismos comuns e perigosos, como certos grupos de estafilococos.
De acordo com uma reportagem no Wall Street Journal, a agência de regulação hospitalar dos EUA, A Comissão da Junta de Autorizações em Organizações de Cuidados com a Saúde (The Joint Commission on Accreditation of Health Care Organizations), está falhando ao obrigar padrões de controle de infecções, comprometendo a saúde dos pacientes de hospitais: “A Comissão da Junta está permitindo perigos à saúde e à segurança por deixarem hospitais sem inspeções por semanas, meses e mesmo por anos. Dessa maneira, com uma inspeção mal feita faz com que hospitais irresponsáveis tenham pouco temor à Comissão, já que as punições, nos anos mais recentes, quase inexistiram”. [3]
Cada família se habitua aos seus próprios germes domésticos e desenvolve uma resistência a eles.
Uma vez que menos pessoas estranhas costumam estar presentes no momento do parto domiciliar do que num parto hospitalar, as chances de adquirir germes estranhos são menos comuns em uma situação de parto domiciliar.
Todo o esforço é feito para prover um ambiente limpo nos partos domiciliares. As parteiras e os obstetras que atendem os partos domiciliares usam luvas estéreis, assim como instrumentos esterilizados para cortar o cordão umbilical.
Estudos a respeito de pesquisas sobre partos domiciliares indicam taxas muito menores de infecções na mãe e no bebê do que as taxas comuns dos hospitais. Em um estudo de 10 anos (1970-1980) de 1.200 nascimentos na Fazenda (The Farm, uma comunidade Hippie americana) em Summertown, Tennessee, EUA, 39 mães sofreram de infecções pós-parto, e apenas um bebê desenvolveu septicemia. [4]
Ao chamar a maternidade de um hospital de “berço de germes”, o Dr. Marsden Wagner, Diretor Europeu da Organização Mundial da Saúde (OMS), alertou os médicos em uma conferência médica internacional em Jerusalém, no outono de 1989, que partos hospitalares põem em perigo mães e bebês primariamente, por causa dos procedimentos impessoais e o abuso de drogas e Tecnologia. [5]
Referências:
1. The Birth Gazette, Fall, 1987, review of The Cry and The Covenant, p. 32-33.
2. The Five Standards of Safe Childbearing, 1981, Stewart, p. 240-241.
3. The Wall Street Journal, Oct. 12, 1988.
4. The Five Standards of Safe Childbearing, 1981, Stewart, p. 127.
5. Mothering, Out/Nov/Dez, 1989.

Fonte: Friends of Homebirth por ONG Amigas do Parto

Tradução: Tricia Cavalcante L. Pacheco
Tradução e Revisão: Carla Beatriz Piuma Maise
*Autor: David Stewart, Ph.D., Executive Director, National Association of Parents and Professionals for Safe Alternatives in Childbirth (NAPSAC) International
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Mitos sobre o parto em casa: 1ª parte

Estudos indicam que partos domiciliares são seguros. 

Mito nº1 — Parto hospitalar é estatisticamente mais seguro que parto em casa.
A segurança, em se tratando de parto, é medida por quantas mães e bebês morreram e quantos sobreviveram, pelo menos com um pouco de saúde.
Estudos realizados comparando partos hospitalares e não-hospitalares indicaram que poucas mortes, ferimentos e infecções ocorreram em partos domiciliares atendidos por parteiras. Nenhum estudo comprova que hospitais são mais seguros do que parto em casa.
Foi constatado que, o risco de problemas respiratórios em bebês recém-nascidos é 17 vezes mais alto nos partos hospitalares do que nos partos em casa.
Os EUA têm a maior taxa de intervenção obstétricas durante o trabalho de parto, assim como têm enfrentado sérios problemas com o crescimento de erros médicos.
Enquanto a taxa de mortalidade neonatal e materna tem diminuído drasticamente desde a virada do século, fatores como nutrição e higiene têm influenciado bastante nesse resultado.
No geral, a mortalidade infantil tem crescido desde os anos 30, mesmo assim, os partos domiciliares demonstraram ser mais seguros. Em 1939, Baylor Hospital Charity Service em Dallas, Texas, publicou um estudo que revelou uma taxa de mortalidade neonatal de 26.6 por 1.000 nascidos vivos em casa comparando com a taxa de mortalidade no hospital, que chegou a 50.4 por 1.000.[1]
Desde meados dos anos 1970, pesquisas realizadas no nordeste da Califórnia, Arizona, England e no Tennessee apontaram para a maior segurança dos partos em [2] O único estudo populacional randomizado, que comparou 1,046 partos domiciliares contra 1,046 partos no hospital, foi publicado em 1977 por Dr. Lewis Mehl, médico de família e estatistico. [3]
Enquanto as taxas de mortalidade neonatal e materna são estatisticamente as mesmas em ambos os grupos, segundo a pesquisa, a taxa de problemas de saúde foi maior no grupo hospitalar: 3.7 vezes mais bebês que nasceram no hospital necessitaram de ressucitação. Foi constatado ainda que as taxas de infecção nos recém-nascidos foram 4 vezes maiores no grupo do parto hospitalar, e a incidência de problemas respiratórios nos bebês nascidos no hospital foi 17 vezes maior do que os bebês que nasceram em casa.
Uma outra pesquisa realizada ao longo de seis anos, pelo Texas Department of Health, de 1983 a 1989, revelou que a taxa de mortalidade infantil nos partos assistidos por parteiras não certificadas, em casa, foi de 1.9 a cada 1.000 comparada com a taxa dos partos realizados por médicos de 5.7 a cada 1.000.[4] A taxa nos partos assistidos por parteiras treinadas e certificadas foi de 1 a cada 1,000 e por outros tipos de assistentes foi de 10.2 mortes por 1,000 nascidos vivos.[5]
Um estudo envolvendo 3.257 partos fora do ambiente hospitalar, no estado do Arizona assistidos por parteiras licenciadas entre 1978 a 1985 mostrou que a mortalidade materna atingiu 2.2 a cada 1,000 e a mortalidade neonatal atingiu 1.1 a cada 1,000 nascidos vivos.
Em depoimento na reunião da Comissão Americana de Prevenção à Mortalidade Infantil, Marsden Wagner, Enfermeiro Parteiro e Diretor da Organização Européia de Saúde Mundial, sugeriu a necessidade dos EUA, de uma formação acadêmica de enfermeiras obstétricas como forma de contrabalancear a quantidade de médicos obstetras, fomentando assim a prevenção ao excesso de intervenções no processo normal de nascimento. [6]
Wagner afirma ainda que na Europa, as parteiras são bem mais numerosas que os obstetras: “Em nenhum país europeu os médicos realizam atendimento primário às gestantes de baixo risco, nem durante a gestação, nem no parto”. Ele alega que os EUA têm o mais alto índice de intervenções obstétricas, no entanto também tem enfrentado sérios problemas com a grande quantidade de erros médicos, e aconselha dizendo que um serviço bem estruturado e organizado de atendimento à gestante feito por parteiras nos EUA poderia reverter esta situação.
Referências:1. The Five Standards of Safe Childbearing, 1981, Stewart, p. 241.
2. Ibid, p. 115-116, 127, 243-246.
3. Ibid, p. 247-253.
4. Texas Lay Midwifery Program, Six Year Report, 1983-1989, Bernstein & Bryant, Appendix VIIIf, Texas Department of Health, 1100 West 49th St., Austin, TX 78756-3199.
5. Labor Pains: Modern Midwives and Homebirth, Sullivan & Weitz, 1988.
6. Mothering, Jan/Feb, 1990.

Fonte: Friends of Homebirth por ONG Amigas do Parto

Tradução: Tricia Cavalcante L. Pacheco
Tradução e Revisão: Carla Beatriz Piuma Maise
*Autor: David Stewart, Ph.D., Executive Director, National Association of Parents and Professionals for Safe Alternatives in Childbirth (NAPSAC) International
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A arte de nascer em casa.

Este estudo realiza uma etnografia dos ritos domiciliares de parto e nascimento realizados atualmente em Florianópolis. A retomada do ambiente doméstico como lugar ideal para o nascimento insere-se em um contexto mais abrangente no qual os ritos engendrados a partir da medicalização do parto estão sendo debatidos e contestados. Tomando como eixo analítico os aspectos éticos e estéticos dos ritos de parto domiciliar, este estudo evidencia uma revalorização do ambiente doméstico como espaço de sociabilidade. Estes ritos articulam-se com novas formas de espiritualidade e vivência terapêutica e vêm desenhando novas teias de significado em torno da parturição. O material etnográfico privilegiado neste estudo constituiu-se de entrevistas realizadas com seus praticantes.

Dissertação de mestrado de HELOISA REGINA SOUZA.

Leia na íntegra: texto

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O parto normal é possível após uma cesárea.

Para muitas mães ter um parto normal após uma cesárea, significa fazer as pazes consigo mesma.
Diante da mudança de quem imaginou o parto vaginal durante noves meses, muitas mãe se sentem frustradas, acreditando que foram incapazes de parir o próprio filho. É preciso esfriar a cabeça e tentar entender os motivos que justificam o parto cesárea. Muitas vezes, a intervenção cirúrgica se faz necessária para preservar a vida do bebê e da mulher. Mas isso só se justifica quando o risco de fato existe. Neste caso, a relação com o obstetra deve ser de plena confiança e respeito mutuo.
Muitas mulheres se sentem menos mãe após um parto cesárea, o que não é verdade. Caso a cesárea tenha sido inevitável, a mulher perceberá que a maternidade não passa apenas pelo parto que podemos oferecer aos nossos filhos. De qualquer forma, ter um parto cesárea na bagagem, não exclui a possibilidade de ter um parto normal no futuro. Além de estabelecer uma relação de confiança com o médico, a mulher deve participar ativamente de sua gestação. O que significa, ter um dialogo aberto e franco com o obstetra, buscar informações sobre todos os tipos de parto e ter a opinião de outros profissionais.
Desejar um parto normal após uma cesárea, é algo totalmente normal e possível. A mulher não deve se sentir “condenada” à cesárea em seus próximos partos. O que deve ser feito é uma avaliação geral pelo seu médico e por você. De qualquer forma, isso requer vontade interior de ambas as partes e tranqüilidade para aceitar o imprevisível.

 

Leia o texto na íntegra: texto

Por: Krishna Tavares

Fonte: clínica salvatore meira

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PERCEPÇÃO DA DOR PELA MULHER NO PRÉ-PARTO: A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE

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Ao longo dos tempos, foi crescente a medicalização da sociedade brasileira e o parto constitui um marco nesse processo, caracterizando-se como uma forma especial de medicalização. Nesse evento, o medo de sentir dor colaborou para aumentar, em muito, as intervenções invasivas no corpo feminino.

As respostas às dores do parto são variáveis de acordo com as diversificações culturais, as características psicológicas, a individualidade das mulheres e o ambiente em que as clientes são atendidas. Assim, espera-se que tudo o que compõe o espaço social no momento da parturição, como o ambiente, os profissionais, os instrumentos utilizados e as sensações percebidas pelas parturientes, podem contribuir para fechar ou abrir o sistema de transmissão da dor.

Desse modo, selecionou-se por objeto de estudo a influência dos fatores presentes no ambiente do pré-parto na dor, segundo a percepção das puérperas. Para desvelar este objeto, propõese os seguintes objetivos: descrever os fatores que influenciam na exacerbação e no alívio da dor durante o trabalho de parto e analisar a relação entre ambiente e dor do parto.

Entende-se que, ao trazer para reflexão o que a própria mulher percebeu como sendo determinante de sua dor, estar-se-á contribuindo para reforçar a utilização e o desenvolvimento de práticas e tecnologias de cuidado de enfermagem obstétrica que colaborem para seu conforto e bem-estar.

Leia o estudo na íntega aqui: a percepção da dor