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Mitos sobre o parto em casa: 2ª parte.

Parteiras são profissionais capacitadas?

Mito nº2 — Você tem mais atenção dos profissionais nos hospitais do que em casa.
No hospital, os obstetras geralmente não sentam ao lado da parturiente em trabalho de parto, mas se apóiam em máquinas e nos outros para obter informações e então aparecem no ultimo momento, na sala de parto. A maioria dos médicos não tem uma relação próxima com cada gestante e não as incentivam a ter um parto natural.
As enfermeiras da sala de parto dão um apoio muito maior à mulher durante todo o trabalho de parto. A rotina hospitalar, no entanto, envolve uma certa burocracia, mudança de profissionais, plantões de acordo com horários, e uma flutuação de quantas mulheres cada enfermeira deve ficar responsável. E enfermeiras não têm autoridade para evitar que um médico impaciente tente acelerar o trabalho de parto normal.
Nas últimas décadas, as mulheres têm reclamado do ambiente frio e clinico dos hospitais onde dão à luz, assim muitas instituições têm se rendido a essa pressão da sociedade para modificar esses ambientes esterilizados para um ambiente mais parecido com um lar. [1] Muitos estão permitindo que os acompanhantes entrem nas salas de parto, e alguns até incentivam a participação da doula no parto. Mas, para muitas mulheres, o ato fisiológico de dar à luz não combina com esse ambiente clinico e hospitalar, por mais que tudo corra bem.
Os partos domiciliares planejados, assistidos por um profissional experiente, têm gerado ótimos resultados.
Enquanto estatísticas indicam que partos não-planejados ou sem assistência em casa têm causado resultados piores do que os partos hospitalares, os partos domiciliares planejados e assistidos por um profissional experiente, têm gerado ótimos resultados. [2]
Existe uma variedade enorme de profissionais, à sua escolha, que atendem partos domiciliares — médicos obstetras, enfermeiras obstétricas, parteiras certificadas ou não. Um pequeno número de médicos, alguns membros do American College of Home Obstetrics, atendem partos domiciliares ou nas clínicas. Muitas maternidades nos EUA são administradas por médicos dessa especialidade.
Parteiras especializadas são enfermeiras formadas que deram continuidade à sua formação especializando-se em obstetrícia. A maioria desses profissionais trabalha sob supervisão médica e com o apoio de um hospital, mas poucos têm experiência em parto domiciliar.
Esta profissão é baseada em um conjunto de procedimentos aplicados por um profissional capacitado à mulher e ao bebê durante o primeiro ano de vida, e, em muitos outros paises, parteiras são responsáveis pelo acompanhamento pré-natal e do parto, e esse sistema tem gerado taxas de mortalidade infantil bem menores que as dos EUA. Parteiras são treinadas para observar algum sinal de problema durante a gestação e o parto, e se for necessário, elas chamam um médico obstetra.
Parteiras são responsáveis pelo atendimento primário no pré-natal e no parto
em países com taxa de mortalidade neonatal bem menor que a dos EUA.
Consultas pré-natal com parteiras costumam ser agradáveis, relaxantes e amigáveis e duram, em média, de trinta minutos a uma hora.
O número de parteiras inscritas nos cursos de formação em obstetrícia tem nos últimos vinte anos, assim como a demanda por este serviço. A maioria das parteiras ainda não formadas tem terminado o curso de capacitação, e vêm sendo treinadas, na prática, com outras parteiras experientes. Esta prática é legalmente permitida apenas em doze estados americanos, e, em alguns desses, é pedida uma licença para exercer o trabalho. Nos estados americanos onde a profissão ainda é ilegal, o trabalho é enquadrado como “prática de Medicina sem diploma”. crescido muito
A prática da profissão de parteira é livre em vinte estados americanos, sendo feita sob regulamentação estatutária ou em estados americanos que ainda não possuem legislação específica. [Ed. — Information about the current midwifery legal situation in individual states or Citizens for Midwifery Grassroots Network.]
Consultas de pré-natal com um médico obstetra em um hospital público ou no consultório geralmente pedem muito tempo de espera por uma consulta rápida. Comparando com as visitas das parteiras, que geralmente são bem relaxadas, mais longas, amigáveis e pode durar até 30 min ou 1 hora. Enfermeiras obstetras normalmente usam este tempo para orientar os benefícios de uma boa alimentação, da prática de atividades físicas, e em como você pode ir se preparando para o parto.
Apesar da formação das enfermeiras obstetras variar um pouco, muitas coletam alguma amostra para laboratório, caso necessário, escutam o coração do bebê, para avaliar se há sinal de sofrimento fetal durante o trabalho de parto, carregam consigo uma bomba de oxigênio portátil, e são treinadas em ressucitação cardio-pulmonar.
Referências:
1. A Good Birth, A Safe Birth, 1990, Korte & Scaer, p. 8-21.
2. Ibid, p. 64-68.
Fonte: Friends of Homebirth por ONG Amigas do Parto
Tradução: Tricia Cavalcante L. Pacheco
Tradução e Revisão: Carla Beatriz Piuma Maise
*Autor: David Stewart, Ph.D., Executive Director, National Association of Parents and Professionals for Safe Alternatives in Childbirth (NAPSAC) International
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Outcomes of planned home birth with registered midwife versus planned hospital birth with midwife or physician

DESFECHOS DO PARTO DOMICILIAR COM PARTEIRA VERSUS PARTO HOSPITALAR PLANEJADO COM PARTEIRA E COM MÉDICO.

Tradução: Drº Leonardo Savassi

Os autores discutem as evidências do parto domiciliar, cuja evidência seria até então limitada, comparada ao parto hospitalar por parteiras e por médicos. O artigo – oppen access – foi publicado no Canadian Medical Association Journal (CMAJ) de 15/09/09.

Métodos: foram coletados dados de todos os partos domiciliares registrados para parteiras (n = 2889) e todos os partos hospitalares que tinham os critérios de elegibilidade similares para partos domiciliares, entre janeiro de 2000 e Dezembro de 2004, em British Columbia, no Canadá.

Resultados: A taxa de morte perinatal por 1000 nascimentos foi 0.35 (95% [CI] 0.00–1.03) no grupo de parto domiciliar versus 0.57 (95% CI 0.00–1.43) entre as mulheres atendidas por uma parteira e 0.64 (95% CI 0.00–1.56) no grupo de partos hospitalares por médicos. Comparadas com o grupo submetido a parto hospitalar por parteiras, as mulheres no grupo de partos domiciliares tiveram menor probabilidade de ser submetidas a intervenções obstétricas [como cardiotocografia ([RR] 0.32, 95% CI 0.29–0.36 e parto vaginal assistido (RR 0.41, 95% 0.33–0.52)] ou desfechos maternos adversos [laceração perineal de 4o grau (RR 0.41, 95% CI 0.28–0.59) ou hemorragia pós-parto (RR 0.62, 95% CI 0.49–0.77)].
Os achados foram similares na comparação com nascimentos hospitalares assistidos por médicos. Neonatos no grupo domiciliar tiveram menor probabilidade de necessidade de ressucitação no nascimento que aqueles do grupo hospitalar por parteiras, (RR 0.23, 95% CI 0.14–0.37) ou oxigenioterapia nas primeiras 24 horas de vida(RR 0.37, 95% CI 0.24–0.59). Novamente, os achados em relação a parto médico hospitalar foram similares. Além disto, neonatos do grupo domiciliar tiveram menor probabilidade de ter aspiração meconial (RR 0.45, 95% CI 0.21–0.93) mas maior probabilidade de serem admitidos/readmitidos em hospital (RR 1.39, 95% CI 1.09–1.85).
Os autores ponderam que Planned home birth attended by a registered midwife was associated with very low and comparable rates of perinatal death and reduced rates of obstetric interventions and other adverse perinatal outcomes compared with planned hospital birth attended by a midwife or physician.

Leia o estudo na íntegra:

Parto domiciliarXparto hospitalar