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Incentivo ao Aleitamento Materno em UTI neonatal.

Alimentar o recém-nascido pré-termo (RNPT) com leite da própria mãe proporciona benefícios que geralmente estão relacionados às melhorias da imunidade, digestão e absorção de nutrientes. A grande maioria dos recém-nascidos prematuros levam algum tempo para serem levados ao seio materno (SM), levando em consideração que a grande parte apresenta complicações que impedem a sucção logo ao nascer. Nesse momento faz-se necessário incentivar a ordenha (retirada de leite) periódica, a fim de manter uma produção láctea adequada para o momento que haja o aleitamento natural. Essa conduta é primordial para que a mulher se sinta capaz de amamentar ao longo do percurso de internação do seu bebê, manter a produção de leite elevada faz um feedback de potência para a mulher. O ideal é que a mulher retire o leite de 3/3horas e quando ela perceber o peito cheio demais, mesmo antes das 3 horas. Caso não tenha um lactário no hospital, orientar a doação de leite é mais uma das etapas do empoderamento e do favorecimento do vínculo.

Outro aspecto a ser enfatizado é o fortalecimento do vínculo através do contato precoce pele a pele entre mãe e bebê durante a internação. O método mãe-canguru estimula um forte apego entre a mãe e o bebê, aumenta a produção de leite materno e beneficia a lactação e amamentação.

Para preparar o prematuro para a amamentação no seio materno (SM) de modo eficaz e exclusivo, coordenando sucção/deglutição e respiração (S/D/R), o ideal é utilizar o desmame direto da sonda para o seio materno, sem oferta de formas alternativas de alimentação como o copo ou mamadeira. Inicialmente é realizada a técnica de relactação, para que o RN associe a ingestão do leite recebido pela sonda com a sucção que ele realiza em “mama vazia”. A sucção em “mama vazia” evita que o lactente, pela falta de coordenação e inabilidade, engasgue com o leite e induz a produção do leite pela mãe devido à estimulação dos hormônios prolactina e ocitocina.

Indica-se que o RN seja estimulado na “mama vazia” com sonda nasogástrica, com a cavidade oral livre, o que facilita a pega adequada e promove melhor propriocepção e estimulação intra-oral, proporcionando uma sensação mais prazerosa no mo­mento da sucção. É importante que a técnica seja realizada em pelo menos quatro mamadas, desde que o recém nascido não apresente desconforto respiratório ou qualquer outro sinal de estresse, durante a intervenção.

Quando o bebê inicia a coordenação S/D/R, o treino de sucção/deglutição é realizado com “mama parcialmente cheia” concomitante à oferta de dieta por sonda. Devem ser observadas as necessidades nutricionais do bebê em função do seu peso e deduzir a quantidade de complemento a ser ofertado pela sonda.

Após uma semana, se o ganho ponderal chegar a 125 gramas ou mais, a quantidade de complemento pode ser diminuída na mesma proporção, até que o RN esteja exclusivamente em SM. A dieta por sonda será feita apenas nos horários de ausência da mãe na Unidade Neonatal. Estando o RN clinicamente bem e em pelo menos quatro mamadas no SM, a sonda para alimentação é retirada e o recém-nascido recebe alta fonoaudiológica.

Obrigada Marcelly e Bernardo por me ceder as imagens, foi um prazer enorme acompanhar vocês!

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Vamos refletir?

 

Por mais que se façam campanhas incentivando o aleitamento materno, algumas questões que dificultam o sucesso nessa empreitada devem ser discutidas para que possamos entender porque ainda hoje tantos fracassos rondam a amamentação. Qualquer mãe falará, sem sombra de dúvida, sobre a importância desse tema. Não há quem questione a obviedade da preferência pela forma natural de alimentação do bebê até, pelo menos, seis meses de idade. Também sabemos que as maternidades estão muito voltadas para o apoio à parturiente e costumam ser enfáticos no apoio neste momento. Por que ainda vemos tantos problemas com a amamentação: Podemos elencar alguns empecilhos e soluções.

Insistir com a gestante que a amamentação é um ato amoroso de extrema importância é uma faca de dois gumes. Se, por um lado, incentiva e valoriza os atributos da mãe, por outro, cria uma pressão na forma de expectativa, dando a entender que a mãe que não conseguiu amamentar teve dificuldades em amar seu bebê, sendo uma mãe “menos generosa”, menos mãe etc. Este tipo de enfoque também parte do pressuposto de que a amamentação não requer aprendizado e que basta querê-lo. Assim, a mãe que não supera as dificuldades deste tipo de alimentação, “não quis o bastante”. Pressupõe, esta abordagem puramente romântica, que não há o que ensinar, é tudo natural.

Primeiro, precisamos pensar que o homem sempre viveu em comunidade, desde os tempos primitivos e que a tradição oral dava conta de transmitir o aprendizado de geração em geração sendo a cultura inteiramente interativa, ou seja, mães e bebês não estavam isolados e uma mulher muito antes de dar à luz conhecia todo o desenrolar da procriação, pois participava do parto e puerpério das outras mães da comunidade. Havia uma tecnologia sim, da amamentação, e ela era passada entre as mulheres no convívio social. Hoje em dia, nem os cuidados básicos consigo mesmo são transmitidos dentro da família que, por si só, é isolada dos demais. Quantas pessoas (para não dizer mulheres) aprenderam a cozinhar com seus pais? A transmissão do conhecimento costuma ser acadêmica e o espaço de troca desapareceu. Cada casal tem o seu bebê sem contar com a ajuda da comunidade: temos babás, enfermeiras, psicólogas, médicas etc. Não é incomum que o primeiro bebê a ser cuidado por um casal seja o seu próprio. Muitos homens carregaram pela primeira vez um bebê quando nasceu o seu! Incentivar a amamentação sem ensinar “macetes” é uma forma de abandono à própria sorte e pode gerar ansiedade, o que, por sua vez, tende a atrapalhar o processo. Amamentação deve ser ensinada e facilitada.

Outra questão refere-se à transição entre a gestação e o puerpério. O primeiro modelo de cuidado que a mãe tem é gestacional, quer dizer, para a parturiente nada do que ela fizer se compara à plenitude da gravidez. Isso tem dois aspectos: num ela não se dá conta de que foi capaz de gerar outro ser humano com seus próprios recursos corporais e, portanto, não atribui a si a potência suficiente para cuidar do bebê fora da barriga. Num caso extremo, a mãe se vê impotente diante da tarefa, pois está alienada do seu papel fundamental até então.

Noutro lado, ela pode reconhecer a magnitude de seu desempenho e tem como modelo nada menos do que a satisfação plena que era capaz de proporcionar ao bebê. Neste caso, existe uma dificuldade de sair do modelo onipotente da gestação. Em ambos os casos, o que se procura é reafirmar a potência da gestação e valorizar o puerpério, ajudando a gestante a abandonar o primeiro modelo de cuidado onipresente, ou seja, fazer a completa transição para cuidado fora do útero.

Outra questão que atravessa tudo que diz respeito ao humano é a cultura. Não podemos pensar em amamentação como algo “natural”, porque não somos seres simplesmente regidos pelo biológico. Como nos aponta ALMEIDA (1999): “A amamentação, além de ser biologicamente determinada, é socioculturalmente condicionada, tratando-se, portanto, de um ato impregnado de ideologias e determinantes que resultam das condições concretas da vida”. Assim, cada grupo social ira incentivar ou não a lactação em função de questões históricas e sociais. Quando nos vemos frente a dificuldades no aleitamento, temos que nos ocupar com uma anamnese que pesquise fatores culturais e familiares daquela dupla de mãe e bebê. Expectativas, fantasias, ideário familiar (desempenho das outras mulheres da família ou meio social). Algumas mulheres se vêem diante da desconcertante tarefa de superar suas próprias mães que, muitas vezes, fracassaram e tendem a desestimulá-las evitando que se frustrem como elas mesmas.

Devemos ter em mente que tudo o que acontece à dupla mãe/bebê envolve os aspectos da subjetividade e da díade, sua intersubjetividade, o corpo de ambos e o contexto sociocultural e histórico. Falar de amamentação é falar de relacionamento humano e deve ser encarado em suas múltiplas facetas.

Muitas são as questões que atravessam os cuidados com a amamentação e não podemos nos eximir de nossas responsabilidades no apoio efetivo para o bom desempenho dessa importantíssima tarefa.

 

Por: Vera Iaconelli – Psicóloga, Mestre em Psicologia pela USP, Psicanalista pelo Instituto Sedes Sapientiae, Professora do curso de formação em Psicologia Biodinâmica do IBPB

http://www.institutogerar.com.br/index.html

 

Referência bibliográfica

ALMEIDA, João Aprígio Guerra de. Amamentação: um híbrido natureza-cultura. Ed. Fiocruz, Rio de Janeiro, 1999.

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MÉTODO CANGURU – Manual Técnico de Humanização ao Recém Nascido de Baixo Peso.

imagem capa da apostila

Este manual integra o conjunto de medidas adotadas pelo Ministério da Saúde com o objetivo de promover a humanização do atendimento perinatal e apoiar a expansão do Método Canguru no País.
A base do manual é a Norma de Orientação para a Implantação da Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso – Método Canguru (Portaria 1.683 de 12 de julho de 2007, MS), que é parte importante dos esforços dirigidos a propiciar uma atenção de qualidade, humanizada e individualizada às gestantes, aos recém-nascidos e às suas famílias.
Um dos pilares desses esforços é o Programa de Humanização do Pré-Natal e Nascimento (PHPN), instituído pelo Ministério da Saúde em junho de 2000, que tem como principal estratégia garantir a melhoria do acesso, da cobertura e da qualidade do pré-natal e da assistência ao parto e ao puerpério. Esse programa amplia as ações já adotadas na área pelo Ministério da Saúde, como os investimentos nas redes estaduais de assistência à gestação de alto risco e o incremento do custeio de procedimentos específicos.
Outra estratégia adotada pelo Ministério da Saúde é a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), a qual vem contribuindo para a qualificação da atenção ao recém-nascido desde 1992, época de seu lançamento no Brasil.
Complementando essas providências, a Norma de Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso, já referida, reúne conhecimentos acerca das particularidades físicas e biológicas e das necessidades especiais de cuidados técnicos e psicológicos do casal grávido, da gestante, da mãe, do pai, do recém-nascido de baixo peso e de toda a sua família. Abrange também a equipe de profissionais responsável por esse atendimento, buscando motivá-la para mudanças importantes em suas ações como cuidadores.
Resultado de trabalho intenso realizado pelo Ministério da Saúde, com o apoio de consultores, este manual demonstra que é possível prestar uma atenção perinatal segura, de elevada qualidade e, ao mesmo tempo, solidária e humanizada.

faça download do manual completo:  apostila método mãe canguru

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NÓS APOIAMOS: Novo blog no ar!

Está 20 dias no ar,  o blog Uma Declaração Universal de Direitos do Prematuro, uma bela iniciativa do Dr. André e do queridíssimo Dr. Luís Alberto Tavares Mussa.

O blog objetiva ” reforçar a necessidade de direitos de bebê prematuro e conclamar a sociedade brasileira a abraçá-la e aos profissionais a considerá-la essencial para o exercício do seu trabalho.”

SEGUE ABAIXO O CONVITE PARA PARTICIPAR DO BLOG:


Como dito no Blog do Pediatra, quero convocar todos vocês para que participipem deste novo exercício. Este artigo admite comentários. Mas este blog admite principalmente adesões. Portanto, existem três convites:
Primeiro para experiências. Se você teve seu coração apertado porque alguém nasceu antes do tempo e precisou de esforço, abrigo e empenho de uma equipe médica especializada, da família e de uma instituição de saúde, escreva seu depoimento. Escreva esta história da sua vida. Queremos compartilhar as experiências da prematuridade. Escreva para o meu e-mail , e coloque no assunto “história de um prematuro“. Não se esqueça de colocar seu nome (pode inventar um), o nome da criança (ou qual ele seria, se o desfecho não foi como você esperava) e de onde você escreve. Eu publicarei as histórias, na medida que elas chegarem. Isto pode ser de tremendo conforto para alguma outra família. Só não publicarei críticas pessoais ou profissionais nominais. Queremos focar na grande vida que se manifesta naquele pequeno ser humano e no esforço empenhado pelas pessoas à sua volta.
O segundo convite é para adesões profissionais. PODERÃO PARTICIPAR  PROFISSIONAIS DE SAÚDE, REPRESENTANTES DE EMPRESAS,  DE ORGANIZAÇÕES SOCIAIS E DE ÓRGÃOS PÚBLICOS E PRIVADOS. Então, pediatras, obstetras, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, motoristas de ambulância, maqueiros, engenheiros clínicos, administradores de maternidades, profissionais e empresas de higienização e assistência técnica hospitalares, empresas de remoção terrestre e aérea, industrias de equipamento médico, industrias de suprimentos para pré-termos, ministros religiosos, voluntários, empresas de produtos para recém-nascidos pretermos (fraldas, roupas, acessórios), planos de saúde, conselhos e sociedades profissionais e qualquer outra pessoa cujo exercício de sua atividade profissional seja vinculado ao cuidado do recém-nascido pré-termo estão convidados para assinar. Escreva para meu e-mail, com o assunto “eu assino embaixo“, e eu colocarei seu nome, seu registro, sua cidade, e o logo da sua empresa (ou sua foto), como signatária da declaração. Assim, pais e mães que estiverem procurando uma maternidade ou profissional para que participem da vinda de seus filhos para a vida, caso sejam prematuros, saberão que serão tratados com humanidade e respeito.
Agora, se você leitor se deixou seduzir e inspirar pela Declaração Universal dos Direitos do Prematuro, como eu,  mas não se encaixa nos profissionais ou empresas que podem assiná-la, nem em quem teve uma experiência prematura, deixe um comentário ao final, e isso nos dará força.
Peço que você também copie e divulgue livremente este artigo, para convidar empresas, entidades, profissionais, órgãos públicos e a mídia a se comprometerem publicamente com os termos desta Declaração (não precisa pagar nada por isso!). Vamos encher este post de comentários e tornar a vida dos prematuros mais digna e respeitada.
Um abraço, emocionado e esperançoso.
Andre Bressan
Médico pediatra, pais de três filhos, e signatário da Declaração Universal dos Direitos do Prematuro
Maiores informações:
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Programa Sala de Convidados: Política de atenção ao parto e nascimento

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Dor ao amamentar, não é mito, nem fraqueza, é verdade!

Eu e meu lindo Dudu em um momento mamá!

Dizem que amamentar não dói, porém nem tudo o que dizem é verdade. Vamos esclarecer alguns ditos.

Se o bico do peito estiver saudável, a pega do bebê no peito não deve doer. A dor nesse caso é sinal de pega errada.

Para algumas mulheres mais sensíveis, pode ocorrer um desconforto assim que o neném começa a sugar, passando logo em seguida.

Para aquelas que estão com o bico machucado, DÓI e DÓI mesmo, é uma dor danada. É importante tratar o machucado, para continuar amamentando.

Em alguns momentos, quando o bebê está mamando em um peito o outro dói, algumas sentem umas pontadas, outras umas fisgadas no bico, outras ainda formigamento, teve uma até que me relatou sentir o braço dormente. TODAS ESSAS DORES, SÃO DE DESCIDA DE LEITE. Quando o bebê mama em um, estimula a descida do outro peito.

Tem também as dores dos primeiros dias, aquelas em que o bico está calejando e fica um raladinho  igual a machucado de joelho, em uma semana, dez dias no máximo, passa. Essa também dói.

E a dor do peito cheio, ufa! Latejando, querendo explodir. É importante retirar ou colocar o bebê para mamar, para aliviar a dor.

Cabe dizer aqui, que essas são dores comuns a amamentação. Porém cada mulher representa de forma diferente seu sentimento por essa dor. Para umas é uma dor suportável, pois o prazer de amamentar é maior. Para outras é insuportável, mas com ajuda elas conseguem. E assim acontece a amamentação entre dores e prazeres esse encontro vai acontecendo naturalmente, tal qual um romance.

Para a amamentação nada é inato, tudo é aprendido, inato apenas o amor incondicional que sentimos por esses que nos sugam. E dói como dói. Mas vale a pena!