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Efeitos (negativos) da fortificação do Leite Humano em prematuros.

O conteúdo protéico e a fortificação do leite humano influenciam no refluxo gastroesofágico em recém-nascidos prematuros.

Aceti A, Corvaglia L, Paoletti V, Mariani E, Ancora G, Galletti S, Faldella G.

JPGN 49:613–618, 2009

OBJETIVOS: Afirma-se que o leite humano (LH) pode não fornecer energia suficiente e nutrientes para os prematuros, e que precisa de ser fortificado para isso. Nosso objetivo foi determinar se o teor de gordura, teor de proteína, e a osmolaridade do LH antes e após da fortificação pode afetar o refluxo gastroesofágico (RGE) em prematuros sintomáticos.

MÉTODOS: O refluxo gastroesofágico foi avaliado com impedância intraluminal (pH-MII) em 17 prematuros sintomáticos alimentados somente com LH e com LH fortificado. A gordura do leite materno e o teor de proteína foram analisados por near-infrared reflectance. A osmolaridade do leite materno foi testada antes e depois da fortificação. Os índices de refluxo gastroesofágico foram comparados antes e após a fortificação e foram relacionadas com o teor de gordura, proteína e osmolaridade antes e após a fortificação.

RESULTADOS: Uma correlação inversa foi encontrada entre o conteúdo de proteína do LH e o índice de refluxo ácido (RIpH: P = 0,041, rho =- 0,501). Depois da fortificação a osmolalidade ultrapassou muitas vezes os valores recomendados para a alimentação infantil, além disso, aumentaram os índices de refluxo não ácido (p<0,05).

CONCLUSÕES: O conteúdo protéico do LH pode influenciar no RGE em prematuros. A fortificação padrão do LH pode piorar os índices de RGE e, devido à extrema variabilidade na composição do LH, pode-se superar a ingestão recomendada de proteínas e ultrapassar a osmolalidade recomendada. Assim, uma fortificação individualizada, com base na análise da composição do LH, poderia otimizar tanto o consumo de nutrientes quanto a tolerância a alimentação.