Cariogenicidade do Leite Materno: Mito ou Evidência Científica

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Introdução:
A amamentação materna tem sido destacada como medida de promoção de saúde, fazendo parte da Política Nacional de Saúde, envolvendo o profissional da Odontologia, porém o leite materno tem sido sugerido como um fator de risco para o  desenvolvimento da cárie precoce da infância.
 
Objetivo:
Buscar evidências científicas na literatura que comprovem ou refutem a afirmação de que o aleitamento materno está associado com a Cárie Precoce da Infância.
 
Método:
A partir da consulta das bases de dados Medline e SciELO, foram incluídos desde estudos laboratoriais a levantamentos epidemiológicos que relacionam o aleitamento materno com a presença da doença cárie. Os descritores utilizados para esta busca foram: “breast feeding” e “dental caries”. Constatou-se que não existem evidências científicas adequadas que demonstrem relação clara sobre a cariogenicidade do leite materno, em virtude da doença cárie ser multifatorial, o que a torna susceptível a presença de fatores confundidores, como por exemplo, a introdução precoce da sacarose a dieta do lactente e o início tardio de hábitos de higiene bucal. O aleitamento materno exclusivo deve ser estimulado pelo cirurgião dentista, uma vez que, além dos inegáveis benefícios para a saúde física e psicológica da criança, favorece um crescimento facial harmônico e previne o desenvolvimento de deglutição atípica e de maloclusões, em conjunto com a inserção precoce de hábitos de higiene e dieta não cariogênica.
 
Conclusão:
Não existem evidências científicas que suportem a afirmação de que o aleitamento materno está associado com a Cárie Precoce da Infância.
 
 
por: Lemos et al
Publicado em: Pesq Bras Odontoped Clin Integr, João Pessoa, 12(2):273-78, abr./jun., 2012
 
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Artigo Científico: A amamentação na primeira hora de vida e mortalidade neonatal.

Em: Jornal de Pediatria: 2013;89:131-6.

Objetivo: Analisar a correlação entre o percentual de amamentação na primeira hora de vida e as taxas de mortalidade neonatal.

Métodos: Foram utilizados dados secundários de 67 países obtidos das pesquisas realizadas com a metodologia do Demographic and Health Surveys. Inicialmente, para a análise dos dados, foram empregadas a Correlação de Spearman (IC 95%) e a análise gráfica com modificação de Kernel, seguidas de regressão de Poisson Binomial Negativa, ajustando para possíveis fatores de confundimento.

Resultados: O percentual de aleitamento materno na primeira hora de vida esteve negativamente associado com as taxas de mortalidade neonatal (Rho = -0,245, p = 0,046), e esta correlação foi mais forte entre os países com mortalidade neonatal superior a 29 mortes/1.000 nascidos vivos (Rho = -0,327, p = 0,048). Os países com os menores tercis de aleitamento materno na primeira hora de vida tiveram uma taxa 24% maior de mortalidade neonatal (razão de taxa = 1,24, IC 95% = 1,07-1,44), mesmo ajustando para fatores de confundimento.

Conclusão: O efeito protetor da amamentação na primeira hora de vida sobre a mortalidade neonatal encontrado nesse estudo ecológico é consistente com o de estudos observacionais, e aponta para a importância de se adotar a amamentação na primeira hora de vida como prática de atenção neonatal.

Boccolini CS, de Carvalho ML, de Oliveira MI, Pérez-Escamilla R. Breastfeeding during the first hour of life and neonatal mortality. J Pediatr (Rio J). 2013;89:131-6.

* Autor para correspondência.
E-mail: cristianoboccolini@yahoo.com.br (C.S. Boccolini).

Leia na íntegra aqui: texto em pdf

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