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Vômitos frequentes, bebê que reclama muito, bebê que briga com o peito, ganho de peso insuficiente, problemas de sono persistentes e que não respondem às alterações de rotina ou outras dicas sugeridas podem ser devidos a refluxo gastroesofágico (RGE).

Se o seu bebê tem refluxo, aqui vão algumas orientações que podem ajudar no tratamento e nas noites de sono. Não se propõem a substituir, de jeito nenhum, a opinião do médico, mas apenas fornecer algumas informações preliminares.

Com essas informações, a mãe poderá observar melhor o filho e discutir posteriormente com o pediatra. As fontes são mencionadas no fim do texto. Correções, complementações e questionamentos pertinentes são bem vindos.

* O refluxo é NORMAL em bebês bem pequenos e não precisa ser tratado com remédios ou exames invasivos, a não ser que o bebê não esteja ganhando peso adequadamente, ou esteja muito incomodado pelo refluxo e mesmo assim, somente após excluir outras causas e tentar medidas alternativas como mudanças posturais e mudanças na dieta da mãe, por exemplo.

A regurgitação tem um “pico” aos quatro meses de idade e a maioria dos bebês deixa de regurgitar com um ano de idade.

Para saber se o seu bebê está particularmente incomodado e se esse incômodo é causado pelo refluxo, é útil manter um diário (só por alguns dias), anotando as vezes em que o bebê chora, quanto tempo dura o choro, quais os horários dos choros e das mamadas.

É normal um bebê chorar, em média e de forma intermitente, duas horas por dia. Se o bebê ganha peso bem, não está incomodado, apenas vomita, ele é chamado um “golfador feliz”, caso em que não são recomendados exames nem remédios.

Apenas medidas posturais e mudança na forma de alimentar.

* Sintomas de refluxo:

- Vômitos (esse é o principal, mas não o único);

- o bebê se arqueia para trás depois de mamar;

- mama apenas poucos minutos e começa a chorar;

- quer mamar no peito o tempo todo, porque o LM alivia a azia causada pelo refluxo;

- se recusa a comer, ou diz que está com muita fome, daí come só uma colher de comida e pára;

- soluços;

- briga com o peito, parece ter dificuldades para sugar;

- tosse persistente, problemas respiratórios persistentes;

 

O refluxo pode ser oculto, ou seja, a criança não vomita, mas o alimento volta até parte do esôfago, causando azia, dores, falta de apetite. Pode acontecer de parte do líquido ser aspirada, o que causa pneumonias, otites, problemas respiratórios recorrentes.

Sono perturbado, com engasgos e a criança se contorcendo, é um traço comum a muitas crianças com refluxo. Esses sintomas podem aparecer em conjunto ou isoladamente. Apenas o sono ruim, por exemplo, já pode ser um indício de que o refluxo (já diagnosticado) está voltando.

 

*Mudanças de hábito recomendadas

- mudanças na posição da mamada

- Colocar o bebê para arrotar várias vezes durante a mamada, mantê-lo na posição vertical 30 minutos após a mamada, evitar o uso do bebê conforto em casa, evitar usar fraldas apertadas e elásticos que pressionem o estômago, evitar fumaça de cigarro;

-Evite também “superalimentar” a criança, não amamente logo depois dela vomitar, espere o horário aproximado da próxima mamada. Mas não recuse amamentar se ele pedir.

-A livre demanda é recomendada, de maneira geral, e é essencial nos primeiros meses de vida para a mãe estabelecer a produção de leite. A amamentação é extremamente benéfica para o bebê com refluxo, porque o leite materno é digerido mais facilmente. Há evidências de que bebês amamentados têm menos episódios de refluxo durante o sono noturno.

- Mesmo após os 2 meses, a maioria dos bebês, mesmo com refluxo, se beneficiam com a livre demanda.

- Não há nenhum estudo que contra-indique a livre-demanda ou indicando horários rígidos como forma de terapia. Na verdade, é um erro acreditar que a livre demanda atrapalha o refluxo, pois o leite materno é de fácil digestão e portanto rápido esvaziamento gástrico.

- Muitos gastropediatras recomendam a livre demanda para o tratamento do refluxo.

- Não há evidências de que a amamentação de 3 em 3 horas é recomendada para bebês com refluxo. Pelo contrário, a orientação geral é de que a criança coma “pequenas refeições”, em curtos intervalos. E 3 horas é um LONGO intervalo para um bb de 3 meses, que pode acabar enchendo demais o estômago. Assim o bebê em livre demanda tende a mamar pequenas quantidades com menor intervalo.

*Fórmula X LM X engrossante;

o uso de engrossantes diminui os episódios de vômitos, mas não diminui o grau do refluxo, ou seja, o bebê vomita menos, mas o refluxo continua. Experimentos demonstraram que bebês alimentados com LM têm menos episódios de refluxo durante a noite do que bebês alimentados com fórmula.

Ou seja, o leite materno é o melhor alimento para bebês com refluxo. É de fácil digestão e proporciona rápido esvaziamento gástrico, diminuindo a incidência de retorno do conteúdo do estômago para o esôfago.

*Na hora de dormir;

-evite alimentar o bebê duas horas antes da hora de dormir, principalmente com líquidos. Portanto, a mamadeira noturna é péssima para bebês com refluxo. Inclinar o berço (30 graus) também pode ajudar o bebê a dormir melhor;

-Mas continue amamentando seu bebê normalmente e não impedimento de se amamentar a noite.

-Não há ainda impedimento de se amamentar deitada, desde de que o bebê fique em posição reclinada enquanto é amamentado, e não na horizontal.

-A cama compartilhada é bastante salutar, pois dormindo junto ao bebê fica mais fácil observar qualquer sintoma. mas lembre-se que o bebê mesmo na cama compartilhada deve dormir sempre inclinado.

-A sociedade americana de pediatria avaliou os riscos de morte súbita e de sufocação causada pelo refluxo e recomendou que, mesmo em crianças com refluxo não se adote a posição de bruços para dormir.

* Refluxo x hiperlactação

Muitas vezes mulheres que amamentam podem apresentar hiperlactação. Isso, a princípio pode não ser um problema. No entanto, o bebê pode ficar incomodado com a abundância de leite e o reflexo de ejeção forte e ter seus sintomas confundidos com refluxo. Por isso, antes de achar que o bebê tem refluxo e medicar, verifique se seu caso não é de hiperlactação.

Geralmente, a produção de leite de mães com hiperlactação tende a se normalizar por volta dos 3 meses.

Como identificar a hiperlactação:

- Além de o bebê algumas vezes apresentar sintomas bem parecidos com refluxo, conforme listados acima, a mãe apresenta vazamento dos seios entre as mamadas, o outro seio vaza enquanto o bebê está sendo amamentado, os seios ficam cheios e doloridos e às vezes, mesmo após a mamada, não sente alivio. Pode ter mastite com frequencia.

Como melhorar o problema:

- Amamentar um único seio por mamada.

- dar o mesmo seio 2x ou mesmo 3x seguidas (principalmente se o bebê mama com intervalos curtos), de forma que o outro não seja hiper estimulado e após revezar.

- se o outro seio ficar muito cheio, evitar ordenha com bomba, dando preferência à ordenha manual.

- Fazer compressas frias.

- Evitar o uso de conchas coletoras, pois a pressão sobre os mamilos é um estimulo constante. Para algumas mulheres, o próprio sutiã pode estimular a produção.

- Se posicione de maneira mais recostada com o bebe por cima. Nesta posição o leite tem que subir para sair o que reduzira a força do fluxo.

- Se o bebe cuspir ou engasgar, tire-o do peito deixe o excesso de leite cair em uma toalha e recoloque-o no mesmo peito depois que o fluxo diminuir.

*Refluxo e leite de vaca:

Uma parte significativa dos casos de refluxo em bebês tem como causa a alergia à proteína do leite de vaca. Se o caso for de alergia, o tratamento padrão para refluxo não funciona.

Por isso, a Sociedade Americana de Gastroenterologia Pediátrica e Nutrição (NASPGHAN) recomenda que nos casos de refluxo se faça um teste, por duas semanas, de retirada da proteína do leite da dieta.

Se o bebê melhorar do refluxo nesse período, possivelmente o refluxo é causado por sensibilidade ao leite de vaca. Reintroduza o leite em seguida, para verificar se realmente há uma relação entre o consumo de leite e o refluxo.

Se você observar que o refluxo é provocado ou piorado pelo consumo de leite de vaca, converse com o seu pediatra para avaliar o diagnóstico e o tratamento. O período total de desintoxicação do leite é de quatro a oito semanas.

Saiba que exames de alergia em bebês pequenos não são precisos. Além disso, existe um tipo de alergia em que os efeitos só são sentidos bem depois do consumo do alimento e que não é detectável por exames.

A forma mais confiável de se diagnosticar alergia/sensibilidade é a observação das reações da criança ao consumo do alimento.

* Refluxo e leite de vaca II

Se você amamenta exclusivamente, observe se o bebê melhora com a restrição da proteína do leite da sua dieta. A proteína do leite de vaca passa para o leite materno. É preciso cortar leite e derivados da alimentação da mãe.

Crianças que não puderam ser amamentadas, devem usar fórmulas extensamente hidrolisadas (pregomin ou alfaré) e em casos mais graves, fórmulas de aminoácidos (neocate). Vale lembrar que essas fórmulas são caras e de difícil aceitação pelo bebê.

Fórmulas à base de soja só podem ser prescritas para pacientes sem sintomas gastrintestinais e com idade superior a seis meses.

Levar em consideração a possibilidade de relactação, uma vez que o leite materno é o mais indicado.

Informações sobre técnica de relactação(com sonda)

Leite de cabra não é recomendado para este período de teste, porque ele é praticamente idêntico ao leite de vaca.

Se o seu bebê já come sólidos, é muito importante restringir completamente a ingestão de proteína do leite de vaca, o que inclui iogurtes, pão de queijo e qualquer coisa que contenha leite em pó, soro de leite ou caseína em sua composição. Evitar derivados e qualquer produto com derivados. Ler rótulos de tudo.

O teste de exclusão do leite não funciona sem a retirada total.

Sintomas adicionais (além do refluxo) de alergia a leite de vaca incluem: diarréia com ou sem sangue, prisão de ventre crônica, dermatite atópica, urticária e, mais raramente, bronquite e asma.

Pode-se estudar a possibilidade de alergia a outros alimentos.

A alergia a que nos referimos aqui é à proteína do leite, comum em bebês pequenos, que é completamente diferente da intolerância a lactose, que é raríssima em bebês menores de um ano.

* Principais remédios

Normalmente, os médicos receitam um tratamento com um antiácido e um procinético, associados.

Os procinéticos são remédios que tem o objetivo de “segurar” o alimento no estômago. São os esvaziadores gástricos.

Embora esses remédios funcionem muito bem para alguns bebês, são comuns os casos de reações adversas como irritação, sono agitado e cólicas. É uma reação relativamente comum especialmente em bebês menores de 6 meses e amamentados. Se o seu bebê começou a dormir mal ou ter cólicas após o uso de domperidona ou de bromoprida, converse com o pediatra para discutir uma possível substituição de remédio.

A eficácia dos procinéticos para o tratamento do refluxo é um tema um pouco controverso e há quem defenda que eles são desnecessários, porque os efeitos mais dramáticos são sentidos mesmo com o uso de antiácidos.

Além disso, muitos gastropediatras desaconselham o uso de esvaziadores gástricos em bebês amamentados exclusivamente e em livre demanda, pois o leite materno é de fácil digestão e já tem a função de ser eliminado rapidamente do estômago.

*Principais remédios II

Quanto aos antiácidos, remédios como mylanta, que só neutralizam a acidez do estômago, não são usados para tratamento do refluxo. A longo prazo só atrapalham.

Em geral, os remédios receitados (ranitidina – normalmente a primeira opção do pediatra e omeprazol – reservado para casos mais severos), que fazem com que o estômago produza menos ácido.

Esses remédios só fazem efeito depois de duas semanas de uso, não espere melhora imediata. lembrar que esses remédios possuem indicação específica, só podem ser prescritos pelo médico e possuem efeitos colaterais.

*Recomendação final

Se o seu bebê não é um golfador feliz (ou seja ele não tem ganho peso bem e se incomoda com as golfadas e/ou vômitos), experimente primeiro observar se o seu caso não é de hiperlactação.

Observe ainda a possibilidade de alergia ao leite de vaca.

Medidas simples de postura, de ajudar com a hiperlactação e uma dieta de teste para alergia podem ser muito úteis, resolver o problema e evitar medicações e exames desnecessários.

Se o bebê não responder a nenhuma dessas medidas, continuar irritado, com ganho de peso insatisfatório, irritado, com dificuldades para mamar e dormir, é MUITO recomendável que o caso seja acompanhado por um bom gastropediatra, que é o profissional que tem mais condições de tratar o refluxo.

Créditos: Daniela (moderadora Soluções e bebês com refluxo e alergia a leite) e Fernanda (moderadora Soluções, GVA e bebês alergia a leite e bebês com refluxo)

Fonte:  grupo aleitamento solidário  facebook.