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Vamos refletir?

 

Por mais que se façam campanhas incentivando o aleitamento materno, algumas questões que dificultam o sucesso nessa empreitada devem ser discutidas para que possamos entender porque ainda hoje tantos fracassos rondam a amamentação. Qualquer mãe falará, sem sombra de dúvida, sobre a importância desse tema. Não há quem questione a obviedade da preferência pela forma natural de alimentação do bebê até, pelo menos, seis meses de idade. Também sabemos que as maternidades estão muito voltadas para o apoio à parturiente e costumam ser enfáticos no apoio neste momento. Por que ainda vemos tantos problemas com a amamentação: Podemos elencar alguns empecilhos e soluções.

Insistir com a gestante que a amamentação é um ato amoroso de extrema importância é uma faca de dois gumes. Se, por um lado, incentiva e valoriza os atributos da mãe, por outro, cria uma pressão na forma de expectativa, dando a entender que a mãe que não conseguiu amamentar teve dificuldades em amar seu bebê, sendo uma mãe “menos generosa”, menos mãe etc. Este tipo de enfoque também parte do pressuposto de que a amamentação não requer aprendizado e que basta querê-lo. Assim, a mãe que não supera as dificuldades deste tipo de alimentação, “não quis o bastante”. Pressupõe, esta abordagem puramente romântica, que não há o que ensinar, é tudo natural.

Primeiro, precisamos pensar que o homem sempre viveu em comunidade, desde os tempos primitivos e que a tradição oral dava conta de transmitir o aprendizado de geração em geração sendo a cultura inteiramente interativa, ou seja, mães e bebês não estavam isolados e uma mulher muito antes de dar à luz conhecia todo o desenrolar da procriação, pois participava do parto e puerpério das outras mães da comunidade. Havia uma tecnologia sim, da amamentação, e ela era passada entre as mulheres no convívio social. Hoje em dia, nem os cuidados básicos consigo mesmo são transmitidos dentro da família que, por si só, é isolada dos demais. Quantas pessoas (para não dizer mulheres) aprenderam a cozinhar com seus pais? A transmissão do conhecimento costuma ser acadêmica e o espaço de troca desapareceu. Cada casal tem o seu bebê sem contar com a ajuda da comunidade: temos babás, enfermeiras, psicólogas, médicas etc. Não é incomum que o primeiro bebê a ser cuidado por um casal seja o seu próprio. Muitos homens carregaram pela primeira vez um bebê quando nasceu o seu! Incentivar a amamentação sem ensinar “macetes” é uma forma de abandono à própria sorte e pode gerar ansiedade, o que, por sua vez, tende a atrapalhar o processo. Amamentação deve ser ensinada e facilitada.

Outra questão refere-se à transição entre a gestação e o puerpério. O primeiro modelo de cuidado que a mãe tem é gestacional, quer dizer, para a parturiente nada do que ela fizer se compara à plenitude da gravidez. Isso tem dois aspectos: num ela não se dá conta de que foi capaz de gerar outro ser humano com seus próprios recursos corporais e, portanto, não atribui a si a potência suficiente para cuidar do bebê fora da barriga. Num caso extremo, a mãe se vê impotente diante da tarefa, pois está alienada do seu papel fundamental até então.

Noutro lado, ela pode reconhecer a magnitude de seu desempenho e tem como modelo nada menos do que a satisfação plena que era capaz de proporcionar ao bebê. Neste caso, existe uma dificuldade de sair do modelo onipotente da gestação. Em ambos os casos, o que se procura é reafirmar a potência da gestação e valorizar o puerpério, ajudando a gestante a abandonar o primeiro modelo de cuidado onipresente, ou seja, fazer a completa transição para cuidado fora do útero.

Outra questão que atravessa tudo que diz respeito ao humano é a cultura. Não podemos pensar em amamentação como algo “natural”, porque não somos seres simplesmente regidos pelo biológico. Como nos aponta ALMEIDA (1999): “A amamentação, além de ser biologicamente determinada, é socioculturalmente condicionada, tratando-se, portanto, de um ato impregnado de ideologias e determinantes que resultam das condições concretas da vida”. Assim, cada grupo social ira incentivar ou não a lactação em função de questões históricas e sociais. Quando nos vemos frente a dificuldades no aleitamento, temos que nos ocupar com uma anamnese que pesquise fatores culturais e familiares daquela dupla de mãe e bebê. Expectativas, fantasias, ideário familiar (desempenho das outras mulheres da família ou meio social). Algumas mulheres se vêem diante da desconcertante tarefa de superar suas próprias mães que, muitas vezes, fracassaram e tendem a desestimulá-las evitando que se frustrem como elas mesmas.

Devemos ter em mente que tudo o que acontece à dupla mãe/bebê envolve os aspectos da subjetividade e da díade, sua intersubjetividade, o corpo de ambos e o contexto sociocultural e histórico. Falar de amamentação é falar de relacionamento humano e deve ser encarado em suas múltiplas facetas.

Muitas são as questões que atravessam os cuidados com a amamentação e não podemos nos eximir de nossas responsabilidades no apoio efetivo para o bom desempenho dessa importantíssima tarefa.

 

Por: Vera Iaconelli – Psicóloga, Mestre em Psicologia pela USP, Psicanalista pelo Instituto Sedes Sapientiae, Professora do curso de formação em Psicologia Biodinâmica do IBPB

http://www.institutogerar.com.br/index.html

 

Referência bibliográfica

ALMEIDA, João Aprígio Guerra de. Amamentação: um híbrido natureza-cultura. Ed. Fiocruz, Rio de Janeiro, 1999.

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Amanhã em Niterói: Ciclo de debate para profissionais…

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Mais um, exemplo que vale a pena!

Na foto Ana Lúcia Toledo, com a filha mais velha Pietra (2 anos) e Luna, a menina, do seu casal de gêmeos.

Ana Lúcia Toledo, conhecida como AnaLú é organizadora do Ishtar Espaço para Gestantes-Recife, que é um grupo de apoio à gestante e ao parto ativo – pelo respeito ao tempo de gestar, parir e amamentar. O grupo está espalhado por todo Brasil, faz encontros gratuitos e periódicos.

Abaixo seguem os sites dos grupos espalhados pelo Brasil:

Belém: http://espacoishtarbelem.blogspot.com/

Brasília: http://ishtarbrasilia.blogspot.com/

Campina Grande: http://ishtarcampinagrande.blogspot.com/

Divinópolis: http://ishtardivinopolis.blogspot.com/

Fortaleza: http://ishtarfortaleza.blogspot.com/

João Pessoa: http://ishtarjoaopessoa.blogspot.com/

Rio de Janeiro: http://ishtar-rio.blogspot.com/

Recife: http://espacoishtar.blogspot.com/

Sorocaba: http://ishtarsorocaba.blogspot.com/

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O que é o colostro e porque é tão importante?

O colostro é um fluido amarelado e espesso,  parece mel.  Produz-se durante os primeiros quatro a sete dias pós-parto. O colostro não jorra, não pinga, é difícil de ser extraído, porém o bebê tem o aparato oral perfeito para extraí-lo.

É tão importante porque…

  • O colostro é rico em células imunológicamente ativas, anticorpos e proteínas protetoras. Funciona como primeira vacina para a criança. Protege contra várias infecções. Ajuda a regular o próprio sistema imunológico em desenvolvimento.
  • Contém fatores de crescimento que ajudam o intestino a amadurecer e a funcionar de forma eficiente. Isso dificulta a dificulta a entrada dos microorganismos e alérgenos.
  • É rico em vitamina A, que ajuda a proteger os olhos e reduz as infecções.
  • Estimula os movimentos intestinais para que o mecônio seja rapidamente eliminado. Isso ajuda na prevenção da icterícia.
  • Vem em volumes pequenos de acordo com a capacidade gástrica de um recém -nascido. “O volume de colostro nos primeiros dias pós parto é de 2 a 30 ml por mamada ou de 10 a 100ml por dia, sendo suficiente para satisfazer as necessidades do recém-nascido. O colostro produz 54 Kcal/100ml, tem 2,9g/100ml de lipídios; 5,7g/100ml  de lactose e 2,3g/100ml de proteínas, quase três vezes mais proteínas que o leite maduro.”(Valdés; Sánchez; Labbok – 1996)
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Programa Sala de Convidados: Política de atenção ao parto e nascimento

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“A Música do bebê” – Musicoterapia na pré-concepção e gestação

Existe uma tribo na África onde a data de nascimento da criança não é contada nem a partir do dia em que ela nasceu nem a partir da concepção, porém a partir do dia em que a mãe pensou pela primeira vez na criança.

Assim, quando a mãe decide ter a criança, ela deixa a aldeia onde mora e vai sentar-se sozinha sob uma árvore. Ali ela permanece até que consiga ouvir a música da criança que deseja conceber.

Depois disso, retorna à aldeia e ensina a canção ao pai. Enquanto fazem amor para conceber a criança, eles cantam a sua canção como um convite para que se junte a eles.

Quando a mãe está grávida, ela ensina a canção da criança para as parteiras e anciãs da aldeia para que, durante o parto e no momento do nascimento, o bebê seja saudado com a sua canção.

Depois do nascimento, todos os moradores da aldeia aprendem a música e, à medida em que a criança cresce, eles a cantam quando ela cai ou se machuca.

A música é cantada também em situações de triunfo, em rituais ou iniciações. Essa canção torna-se parte da cerimônia de casamento quando a criança cresce.

E, no final da sua vida, os entes queridos se reúnem em volta do seu leito de morte e a entoam enquanto sua alma deixa o corpo, gradativamente. (PROPHET, 2001)

A música faz parte de toda a nossa vida, toda nossa história, toda a nossa formação física, mental e espiritual. Mas como explicar o porquê a música nos afeta tão profundamente?

Música é vibração e de acordo com a física quântica, tudo o que é matéria possui uma vibração, uma energia; ou seja, tudo é vibração e energia e tudo possui um som. Mesmo que inaudível ao nossos pequenos aparatos auditivos, esse som pode ser ouvido por aquele cuja a intuição e a mente se coloca além dos sentidos apenas físicos e se deixa ouvir os sons mais sutis presentes no Universo e dentro dele.

Com isso chegamos à grande questão da criação do Universo palpável, matéria. Relembrando o trecho da Bílblia: E o Verbo (palavra, Som) se fez carne (matéria, físico).  Do sOM, o Universo foi criado. Como somos um pedaço desse Universo, também fomos criados pelo sOM, também somos o Som, somos Música.

Por isso a grande importância da Música no restabelecimento da saúde. Concluímos então, que Música é saúde e a doença é uma dissonância. Um problema ‘musical’, pela falta de ‘harmonia’ no aspecto geral do ser humano.

“E se eu estou em plena desarmonia comigo, como será a ‘gestação’ de outro ser humano dentro de mim?”

Por essas e outras questões percebemos o quão importante é o tratamento na pré-concepção, concepção, gestação e nascimento da criança. Como nos fala Eleanor, do Projeto Luzes, da Ciência do início da vida, sitando Aivanhov, 1999:

Ao invés de o Estado continuar a gastar milhões com segurança, tribunais, saúde e escolas reformatórias; ao invés de continuar a criar reformas seculares que resultam em mudanças pouco significativas no padrão de problemas que a sociedade de todo o mundo enfrenta, seria mais eficiente, e infinitamente menos dispendioso, que o Estado se ocupasse em auxiliar a mulher grávida, concedendo-lhe todo o suporte de que precisaria para, unicamente, gestar. Criar centros gestacionais onde haja jardins, onde haja várias expressões de arte, e uma especialmente boa qualidade de alimento; lugares onde as grávidas possam participar de conferências e realizar práticas de meditação, tendo como foco unicamente uma esmerada educação deste ser que vai nascer, com um código genético muito aprimorado e com uma habilidade emocional e espiritual bem superior. Quantas são hoje as mulheres grávidas que vivem em condições de recursos mínimos, vítimas de violência? Que ser poderá vir a nascer, gerado por tais condições de estresse da mãe e tais condições de espírito dela? (AÏVANHOV, 1999)


A autora fala ainda da música como uma poderosa amplificadora da experiência da vida, hoje cientificamente comprovado; acrescentando que a musica é vista como a mais espiritual das artes, o que é essencial para a concepção consciente: “É questão de um casal dar-se conta de que freqüência ele está, até mesmo de que música ouve neste momento, assim como é importante que a grávida leve em conta a música que ouvirá durante a gravidez”. (Luzes, 2007)

Por essas e várias outras razões acreditamos na importância desse cuidado, acolhimento e expressão da mulher mesmo antes de se pensar ter o filho, quando se planeja ter um, ou mesmo durante a gestação. Porque, como diz Luzes, a educação da criança começa antes mesmo da concepção, com a boa preparação dos pais tanto física, mental, emocional e espiritual, para que o mesmo possa nascer com o primeiro direito de todo ser humano: Nascer em Plenitude.

E a Musicoterapia vem consideravelmente contribuir para esse conceber, gerar e nascer em plenitude do ser humano. Por isso, a importância de se ter um acompanhamento do médico, doula (profissinais que acompanham a gestante durante o pré-natal e o parto), atividades físicas direcionadas, hatha yoga e meditação e o acompanhamento de um psicoterapeuta e musicoterapeuta.

A Musicoterapia com as gestantes e aquelas que se preparam para esse sagrado momento é um grande começo para o restabelecimento da saúde da mãe, do bebê e do pai (se este for presente), na busca da saúde e harmonia plena; na busca do seu som e o som da criança.

Pois se tudo é som, nada melhor do que gerá-lo e acalentá-lo por sua tão esperada chegada ao útero e ao mundo. E se não foi esperado; buscar respostas, compreensão, perdão, aceitação e busca por um amor ainda em estado embrionário e que poderá, sem dúvidas, florescer; para o bem geral da mãe e do bebê.

Por:  Mt. Adriana Silvestre

Veja mais em:  http://www.adrianasilvestre.com.br/index.php