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Pesquisa americana mostra que crianças que nascem antes de 39 semanas de gestação podem sofrer com problemas respiratórios .

Revista Crescer – Ana Paula Pontes

O parto cesárea agendado antes de 39 semanas de gestação aumenta a chance de o bebê ter problemas respiratórios. Outros fatores podem levar, ainda, a uma internação da criança na UTI neonatal. Essa é a constatação de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos.

Foram avaliadas 13.258 cesáreas eletivas (quando a cirurgia é agendada sem a paciente estar em trabalho de parto). Destas, 35,8% aconteceram antes de 39 semanas. O resultado mostrou que os bebês nascidos com 37 e 38 semanas apresentaram mais risco de complicações, entre elas problemas respiratórios e hipoglicemia.

No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, a cesárea representa 45% dos partos, contrariando a recomendação da Organização Mundial de Saúde, que é de 15%. “Muitas cirurgias são feitas sem necessidade, apenas por comodismo, tanto dos pais da criança, que querem se organizar melhor, quanto dos médicos, que não precisam desmarcar consultas para realizar um parto a qualquer momento”, diz Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista do Hospital Sírio-Libanês (SP). A situação se agrava ainda mais se houver um erro na idade gestacional, fazendo com que o bebê nasça prematuramente.

Já, se a mãe entra em trabalho de parto e, no meio do caminho, é preciso realizar uma cesárea, o risco de problemas pulmonares é menor. Isso porque, durante o processo, o bebê sofre uma compressão no útero da mãe e, segundo Pupo, há uma série de transformações que acontecem na criança de maneira que ela fica mais preparada para sobreviver fora do útero. “Não se deve interferir num processo natural, a não ser em casos específicos em que há risco de vida para a mãe e o bebê”, enfatiza o ginecologista.

A data provável dos partos é em torno de 40 semanas de gestação. E, se mãe e filho estiverem bem, esse prazo pode se estender até 41 semanas e 6 dias.

Os benefícios do parto normal

Para o bebê: esse tipo de nascimento é bom para a criança porque segue o processo natural. Ela nasce na hora certa, a não ser nos casos de prematuros. Existem várias evidências e especulações de que o trabalho de parto não é meramente uma atitude física de expulsão do bebê, e sim uma alteração de padrão hormonal em que há liberação de hormônios pela mãe e bebê que sinalizam que o momento de nascer está chegando. Outro beneficio é que o tórax do bebê é comprimido ao passar pelo canal de parto, o que faz com que ele expulse secreções das vias respiratórias, tornando-o mais adaptado a respirar.

Para a mãe: além do aspecto psicológico, da satisfação da mulher em poder dar à luz, a recuperação é mais rápida e são menores as chances de complicações após o procedimento, como sangramentos ou infecções, por exemplo.